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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ego Eimí (“Eu sou”) indica existência eterna?



               

Quanto ao argumento muito usado pelos trinitaristas em João 8:58 quanto ao ‘Sou’ (Eimí), de que conjugado nesse tempo presente indica “tempo absoluto”, “existência absoluta”, sem início ou fim (eterna): Seria o caso de textos como Apocalipse 17:10, 11 servirem como contra-argumento, ao dizer que um dos reis “É” (‘Roma é’, querendo dizer que ela existe) sem com isso indicar que duraria para todo o sempre? – Pergunta de um leitor.

Resposta:

O tempo presente no grego indica uma ação continuada (“estar fazendo”). Assim, ego eimí tem a ideia de “eu estou sendo”, no sentido de “estou existindo”. No caso em questão (João 8:58), não poderia indicar “existência absoluta”, “sem início ou fim (eterna)”, visto que as palavras de Cristo estabelecem um referencial temporal: “Antes de Abraão vir à existência” (πρν ᾿Αβραμ γενέσθαιprìn Abraám genésthai). 

O texto que você citou – Apocalipse 17:10 – mostra que o verbo eimí (“ser”, “estar”) não tem forçosamente um sentido absoluto. Falando de Roma, a potência mundial existente na época da escrita do livro de Apocalipse, o texto diz: “Um é ς στινheis estin).” Evidentemente, a existência daquela potência não seria eterna – teve um começo e teve um fim. 

Quanto à essência de sua pergunta: “Em geral textos que falam ‘ele é’, ‘que é’, ‘aquele que é’, ‘eles são’, ‘nós somos’, ‘vós sois’ etc., são o mesmo caso de textos que usam ‘eu sou’ [ego eimí] só mudando a pessoa [eu, tu, ele, nós, vós, eles, elas]?” A resposta é Sim

Você perguntou sobre textos que usam eimí no sentido de “existir”, mas que não indicam eternidade. Um deles é o que você mesmo citou – Apocalipse 17:10. Outro que você poderia usar é Romanos 4:17, que descreve Deus como aquele que “chama as coisas que não são [não existem] como se fossem” (καλοντος τ μ ντα ς ντα; kaloûntos tà mè ónta hos ónta.). “Onta” (literalmente “sendo”) é particípio presente de eimí. O contexto diz respeito a Jeová “chamar Abrão de ‘Abraão’, que significa ‘Pai Duma Multidão’, enquanto ele ainda não tinha filhos”[1]. Embora ainda não “sendo” (onta) – ou não existindo como “pai duma multidão”, Abraão foi chamado como “sendo” (onta) – ou como existindo como tal. Obviamente, tal existência nesse aspecto teve um princípio. 

Por outro lado, encontramos uso de eimí no sentido de existência eterna em Hebreus 11:6, que diz a respeito de Jeová: “ele existe” (στιν). Também, temos o texto de Apocalipse 1:8, na expressão ““Aquele que é” ( ν; ho on). “On” (literalmente “sendo”) é particípio presente de eimí, no sentido de “Aquele que existe”. A continuação do texto diz: “E que era” ( ν; ho én). Note que neste caso não se estabelece um referencial com relação à existência passada de Jeová Deus. Ele simplesmente “era” desde a eternidade. (Sal. 90:2) Em contraste, usa-se a mesma forma verbal em João 1;1, indicando que o Lógos (que se tornou Jesus Cristo) “era” (existia) ”NO PRINCÍPIO” (ν ρχ; em arkhé). Veja que, no caso do Lógos (“Verbo”, ou “Palavra”), a Bíblia aponta um limite no tempo: o princípio.

Assim, por se ancorarem numa doutrina inexistente na Bíblia, os trinitaristas buscam argumentação sem base gramatical e sem base doutrinal. A famosa frase de Jesus em João 8:58 simplesmente significa que, antes de Abraão ter existido, Jesus – como o Lógos – já existia. Pois, como diz João 1:1 e 2, a Palavra (Lógos) existia “no princípio” – quer dizer, ela teve um princípio, conforme mostram outros textos bíblicos. 

Nota:
[1] Obra “Estudo Perspicaz das Escrituras” (vol. 2, p. 507), publicada pelas Testemunhas de Jeová. 


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com


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