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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Miguel, o arcanjo – combatendo ideias erradas sobre a sua identidade

Fonte da ilustração: http://wol.jw.org/es/wol/d/r4/lp-s/2013888


Artigo contribuído.

Infelizmente, muitas pessoas, em seu anseio de defender doutrinas não bíblicas, procuram fazer com que a Bíblia diga o que eles querem. Nesse sentido, eles utilizam textos fora do contexto e fazem uma aplicação errada. Nesse respeito, seguem o mau exemplo de Satanás, que distorceu uma passagem bíblica:

Salmos 91: 11, 12: “Pois ele dará aos Seus anjos uma ordem referente a você, para protegê-lo em todos os seus caminhos. Eles o carregarão nas mãos, para que não bata com o pé numa pedra.”

Mateus 4:5, 6: “O Diabo o levou então à cidade santa, colocou-o sobre o parapeito do templo e lhe disse: “Se você é filho de Deus, jogue-se para baixo, pois está escrito: ‘Ele dará aos seus anjos uma ordem referente a você’ e ‘Eles o carregarão nas mãos, para que não bata com o pé numa pedra’.”

Jesus refutou essa aplicação errada do Salmo 91 por contra-argumentar:

Também está escrito: ‘Não ponha Jeová, seu Deus, à prova.’” – Mateus 4:7.

Em outros casos, acontece justamente o que diz 2 Pedro 3:16: “No entanto, algumas coisas nelas são difíceis de entender, e essas coisas os ignorantes e instáveis estão distorcendo, assim como fazem também com o restante das Escrituras, para a sua própria destruição.”

Às vezes, recorrem a flagrantes mentiras contra o povo de Deus, conforme diz Mateus 5: 11: “Felizes são vocês quando as pessoas ... mentindo, dizem todo tipo de coisas más contra vocês, por minha causa.”

Analisemos alguns “argumentos” que visam demonstrar que Jesus não é Miguel, o arcanjo. Percebam que todos eles encaixam-se numa das situações mencionadas no primeiro parágrafo, e depois vejam o que a Bíblia realmente diz.

1° argumento deles: ‘As origens da ideia de que Jesus é um anjo se encontra na filosofia grega que influenciou a igreja primitiva nos primeiros séculos. Trata-se da influência do gnosticismo, que descreve Jesus, não era um ser humano, mas um ser espiritual (um anjo), tentando negar as qualidades humanas de Jesus (sua humanidade).

Defesa: Será que o povo de Jeová crê que Jesus era um anjo na Terra? 

Veja o que diz a obra Estudo Perspicaz das Escrituras (volume 2, pp. 537-538, publicada pelas Testemunhas de Jeová):

Seu Nascimento na Terra. Antes do nascimento de Jesus na terra, anjos tinham aparecido neste planeta em forma humana, pelo que parece materializando corpos apropriados para a ocasião, daí desmaterializando-os depois de terem concluído tais tarefas. (Gên 19:1-3; Jz 6:20-22; 13:15-20) Continuaram assim a ser criaturas espirituais, apenas utilizando temporariamente um corpo físico. Isto, porém, não se deu com a vinda do Filho de Deus à terra para se tornar o homem Jesus. João 1:14 diz que “a Palavra se tornou carne e residiu entre nós”. Por este motivo, ele podia chamar-se de “o Filho do homem”. (Jo 1:51; 3:14, 15).

Em adição, a revista A Sentinela de 1° de abril de 2012, página 5, diz:

“Filho do homem”. (Mateus 8:20) Muitas vezes, Jesus se referiu a si mesmo como “o Filho do homem”, expressão que aparece umas 80 vezes nos Evangelhos. Ela indica que Jesus era completamente humano, não uma encarnação de Deus. Como é que o Filho unigênito de Deus veio a nascer como humano? Por meio do espírito santo, Jeová transferiu a vida de seu Filho para o ventre de Maria, uma virgem judia, causando assim a concepção. Por isso, Jesus nasceu perfeito, sem pecado. — Mateus 1:18; Lucas 1:35; João 8:46. (Grifo acrescentado.)

De modo que, dizer que o povo de Jeová acredita que Jesus era um anjo enquanto esteve na terra, é uma crassa mentira.

2° argumento deles: ‘Os que afirmam que Jesus é o arcanjo Miguel desconsideram o primeiro capítulo de Hebreus, o qual foi escrito principalmente para refutar a teoria gnóstica de que Jesus era um anjo. O propósito desse capítulo é fazer distinção entre Jesus e os anjos.’

Defesa: Será que Hebreus refuta que Miguel, o arcanjo, é Jesus em sua existência pré-humana? O que nos mostra o contexto?

O contexto de Hebreus, capítulo 1, mostra-nos a enaltecida posição de Cristo pós-ressurreição e não a sua existência pré-humana qual Arcanjo Miguel. Vejamos esse detalhe no texto, em Hebreus 1: 1-6, 13:

“Há muito tempo, Deus falou aos nossos antepassados por meio dos profetas, em muitas ocasiões e de muitos modos. Agora, no fim destes dias, ele nos falou por meio de um Filho, a quem designou herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez os sistemas de coisas. Ele é o reflexo da glória de Deus e a representação exata do seu ser, e sustenta todas as coisas pela sua poderosa palavra. E, depois de ter feito uma purificação dos nossos pecados, sentou-se à direita da Majestade nas alturas. Assim, ele se tornou superior aos anjos, visto que herdou um nome mais excelente do que o deles. Por exemplo, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: ‘Você é meu filho; hoje eu me tornei seu pai’? E novamente: ‘Eu me tornarei seu pai e ele se tornará meu filho’? Mas, ao trazer novamente o seu Primogênito à terra habitada, ele diz: ‘Que todos os anjos de Deus lhe prestem homenagem.’”

As Escrituras nos mostram que a atual posição de Jesus não é a mesma antes de ele ter vindo à Terra. Vejamos:

João 17: 5 : “E agora, Pai, glorifica-me ao teu lado com a glória que eu tive junto de ti antes de o mundo existir.”

Jesus, nesta oração, pede ao Pai que seja restaurada a anterior glória celestial dele, quando ele retornasse aos céus por meio da ressurreição. Jesus revelou ser humilde; ele pediu apenas a glória que já tinha, em sua existência pré-humana como Miguel, o arcanjo.

Entretanto, Jeová fez muito mais pelo seu Filho. Jeová não restaurou a anterior glória de Jesus. Vejamos o que Jeová fez.

Filipenses 2:9: “Por essa razão, Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome.”

O ressuscitado Jesus não possui o mesmo status de antes de vir à Terra. A Bíblia nos mostra que ele está numa posição superior. É dentro desse contexto que o apóstolo Paulo nos apresenta o glorificado Jesus. Hebreus, capítulo 1, não contraria a ideia de Jesus ser Miguel; ao contrário, reforça ainda mais este ponto: dentre todos os filhos de Jeová, o Seu Primogênito está acima dos demais, em virtude da sua atual posição enaltecida nos céus.

Para meditar: Se Jesus é Deus, conforme defendem os trinitaristas, Hebreus capítulo 1 traz expressões desnecessárias, por exemplo:

“Assim, ele se tornou superior aos anjos, visto que herdou um nome mais excelente do que o deles.” – Versículo 4.

Informação desnecessária, caso Jesus fosse Deus; isso seria o óbvio. Essa expressão só faz sentido caso Jesus não seja o próprio Deus.

Além disso, o capítulo 1 de Hebreus traria um grande absurdo se afirmarmos que Jesus é o próprio Deus Todo-Poderoso:

“O senhor amou a justiça e odiou o que é contra a lei. É por isso que Deus, o seu Deus, o ungiu com óleo de alegria mais do que aos seus companheiros.” – Versículo 9.

Quem afirmar ou usar o texto de Hebreus para provar que Jesus é o Deus Todo-Poderoso tem que admitir que o Todo-Poderoso teria um Deus maior que ele próprio e que esse Deus o ungiu! 

3° argumento deles: ‘Em Judas versículo 9 afirma-se que Miguel “não ousou pronunciar juízo de maldição” contra o Diabo quando este disputava com ele o corpo de Moisés. (Almeida Corrigida e Revisada Fiel) Afirmar que Miguel é o Filho de Deus rebaixar o Senhor Jesus. Pois, quando estava na Terra, Jesus ele ordenou ao Diabo: “Vai-te, Satanás.” (Mateus 4:10) Visto que Miguel “não ousou” expressar qualquer condenação contra o Diabo, isso prova que ele tem menos autoridade muito que o Filho de Deus.’

Defesa: será que este raciocínio é coerente? Um primeiro ponto a ser observado é a maneira  em que Miguel não faria o juízo ou julgamento:

Judas 9: “Mas, quando Miguel, o arcanjo, teve um desacordo com o Diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir um julgamento contra ele COM INSULTOS, mas disse: ‘Jeová o censure.’”

Portanto, esse comportamento de Miguel é tal qual o comportamento de Jesus:

2 Pedro 2: 21-23: “De fato, para isso vocês foram chamados, porque o próprio Cristo sofreu por vocês, deixando um modelo para seguirem fielmente os seus passos. Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade na sua boca. Quando estava sendo insultado, não respondia com insultos. Quando estava sofrendo, não ameaçava, mas confiava-se Àquele que julga com justiça.”

Observação: No versículo 9 de Judas muitas Bíblias trazem o título SENHOR, em vez de o nome Jeová. Isso faz que alguns pensem que Miguel está apelando ao Senhor Jesus para ajudá-lo. Entretanto, nesse texto deve constar o nome divino, tendo em vista um relato semelhante nas Escrituras Hebraicas (“Velho Testamento”):

Zacarias 3:1, 2: “E ele me mostrou o sumo sacerdote Josué de pé diante do anjo de Jeová, e Satanás estava de pé à direita dele para se opor a ele. O anjo de Jeová disse então a Satanás: ‘Que Jeová o censure, ó Satanás, sim, que Jeová, que escolheu Jerusalém, o censure! Não é este homem um pedaço de madeira tirado do fogo?’”

Um segundo ponto é sobre o julgamento de Satanás – quando e como ocorrerá?

Judas, ao dar conselhos na sua carta, cita vários exemplos do passado: destruição de alguns após o êxodo do Egito, os anjos desobedientes nos dias de Noé, as cidades de Sodoma e Gomorra, Caim, Balaão, Corá, bem como nos traz à atenção a disputa entre Miguel e Satanás acerca do corpo de Moisés. (Deuteronômio 34:6) A Bíblia nos diz que Jeová enviou seu anjo, sendo este Miguel, para guiar os israelitas pelo deserto. Embora não possamos ser dogmáticos ou precisos quanto ao tempo, essa disputa provavelmente ocorreu durante a jornada pelo deserto e confirma que o anjo que guiava o povo de Deus era Miguel; ou, como diz Daniel 12: 1, “[...] Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor do povo a que você pertence.”

Mas quando seria ou será o julgamento de Satanás?

Mateus 8: 29: “E começaram a gritar: ‘O que você quer conosco, Filho de Deus? Veio aqui nos atormentar antes do tempo determinado?’”

Apocalipse 20: 1-3,10 : “Vi um anjo descer do céu com a chave do abismo e uma grande corrente na mão. Ele pegou o dragão, a serpente original, que é o Diabo e Satanás, e o prendeu por mil anos. E o lançou no abismo, fechou o abismo e o selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos tivessem terminado. Depois disso ele terá de ser solto por um pouco. E o Diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre.”

Percebemos, assim, que o tempo para o julgamento de execução contra Satanás será no futuro. Quem fará essa execução será o anjo do abismo e a Bíblia mostra que Jesus será o executor de Satanás. – Gênesis 3:15.

E para concluir: quem alega que a “voz de arcanjo” não é a voz de Jesus, deveria repensar, pois a Bíblia é bem clara ao dizer o seguinte:

João 5:28,29 : “Não fiquem admirados com isso, pois vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a voz dele [de Jesus] e sairão: os que fizeram coisas boas, para uma ressurreição de vida; e os que praticaram coisas ruins, para uma ressurreição de julgamento.

Veja também os artigos:


 
A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.com.br




4 comentários:

  1. “O senhor amou a justiça e odiou o que é contra a lei. É por isso que Deus, o seu Deus, o ungiu com óleo de alegria mais do que aos seus companheiros.” – Versículo 9.

    Acho super interessante a parte final deste verso, que diz: "seus companheiros".
    Quem seriam esses "companheiros", seriam os Anjos? Se for, já é mais uma pedra no sapato dos trinitaristas. Pois o coloca na categoria de Anjos, como sendo companheiros deles, o qual ele foi mais ungido dentre todos eles!

    Se eu estiver enganado me corrija irmão! rs

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    1. Olá, Marcelo!

      A obra Estudo Perspicaz das Escrituras (it-1 p. 285), verbete "Azeite (óleo)", explicou assim:

      Também foi profetizado que Jesus seria pessoalmente ungido por Jeová com o “óleo de exultação”, mais do que seus associados, indicando que sentiria maior alegria do que seus predecessores da dinastia davídica. — Sal 45:7; He 1:8, 9; veja UNGIDO, UNÇÃO.

      Grande abraço!

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  2. É interessante sempre lembrar que a ideia de que Miguel e Arcanjo são dois dos muitos títulos de Jesus Cristo, era muito popular no meio protestante, os evangélicos atuais deveriam prestar mais atenção aos chamados reformadores.

    Também é interessante que a ideia de que o "Anjo do SENHOR" seja uma referência a Jesus Cristo era e ainda é muito popular entre os evangélicos Ora, historicamente foram feitas várias menções de que este Anjo do Senhor não é nada mais nada menos do que uma menção a Miguel. Então sendo Cristo o tal "Anjo do SENHOR", já está aberto o caminho para relaciona-lo ao Arcanjo.

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  3. Realmente! excelente Matéria irmão. Muitos dizem que Jesus ser Miguel é rebaixar Jesus a um "mero anjo". mas esquecem que felipenses 2:6 diz:"não teve por usurpação ser igual a Deus..." Infelizmente, as pessoas preferem apenas "escutar cocegas em seus ouvidos" do que fazer um estudo mais profundo das escrituras...

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