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domingo, 29 de abril de 2018

Depoimento de um ex-trinitarista




         Jesus afirmou: “Vocês conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” (João 8:32) Isso tem ocorrido com milhões de pessoas, ao passo que aceitam dar consideração às claras verdades da Palavra de Deus. A exemplo disso, temos as cândidas expressões de um ex-defensor da doutrina da Santíssima Trindade, cuja redação segue abaixo em itálico:

          Deparei-me pela vez primeira (confesso) com um conteúdo que contesta o ensino acerca da trindade, ou que Deus é, na verdade, uma trindade. Se ouvisse isto de alguém, aleatoriamente, com toda certeza o trataria como blasfemador. Fiquei um tanto quanto impressionado com a força da argumentação e, principalmente, com o embasamento bíblico dessa visão, compreensão ou entendimento (como queiram). Aprendi (me foi ensinado), tanto no catolicismo como no protestantismo, que Deus é, na verdade, uma trindade, ou seja, três pessoas distintas, e que Jesus (Filho) e Deus (Pai) são um, e assim por diante – “eu e o pai somos um”; “quem me vê, vê o Pai” (por que Jesus afirma isto se são duas pessoas distintas?).

          Porém, a passagem de 1 Coríntios 15:27-28 (e a interpretação dada em vosso artigo), me fez refletir muito. Confesso que os textos mexeram muito com minha cabeça e me levam a pensar e repensar muito sobre eles, exatamente devido ao embasamento utilizado, em contraposição à interpretação que os “trinitaristas” dão aos textos bíblicos para respaldar seu entendimento.

          Pois bem, o que busco é a melhor compreensão possível desta visão com que agora, pela vez primeira, entro em contato. Se possível gostaria de que me enviassem texto resumido, com suma deste entendimento, de forma simplificada (embora embasada pelos argumentos e textos principais) para que eu pudesse ter uma melhor compreensão!

          É que os artigos a que tive acesso (apesar de muito completos), contêm muita informação (isso deveria ajudar e, num segundo momento, vai ajudar muito); mas, em princípio, eu gostaria de obter a suma deste entendimento de uma forma mais simplificada para poder entender melhor.

          Creio que ficaremos em contato por algum tempo, pois realmente fui impactado e quero me certificar de que o que me foi ensinado estaria mesmo errado, para que eu possa mudar. Achei tudo isto muito sério, uma vez que milhões de pessoas aprenderam como eu aprendi; e o que é mais sério ainda, estão repassando o que aprenderam, da forma como aprenderam.

   Muitos textos cujo sentido agora ficam dúbios me vêm constantemente à cabeça e me ponho a pensar sobre o verdadeiro sentido dos mesmos. Como por exemplo, João 1:1-2; João 1:3 ...  Há de se questionar o fato de tudo pedirmos “em nome de Jesus?”, de batizarmos em nome do Pai, do Filho e do espírito santo? De sempre nos cumprimentar em nome de Jesus? Fomos ensinados a cumprimentar e dar as boas-vindas ao espírito santo quando nos levantamos de manhã. Nos cumprimentamos com a paz do senhor Jesus. 

          Em Cristo Jesus,

          A. R.

          [Fim da escrita dele.]

          
          Resposta dada:

          Caro A. R.:

          Que também a paz do Senhor esteja com você.

          Fico muito contente de que você está verificando sinceramente as evidências bíblicas sobre o assunto da identidade de Deus.

          Resumidamente, a doutrina da Trindade se baseia em dois pilares:

          1) A alegada existência de três Pessoas divinas distintas entre si que formam um único Deus;

      2) A coigualdade dessas supostas três Pessoas quanto ao poder, autoridade e eternidade.

          Quanto à premissa número 1, há ampla evidência bíblica de que o espírito santo não é uma Pessoa espiritual, e sim uma energia ou força impessoal que emana do próprio Deus. Veja o artigo “O ‘Espírito Santo’ é uma pessoa?”

          Com respeito à premissa número 2, temos o claro fato bíblico de que o Filho, o nosso Senhor Jesus Cristo, já em sua posição glorificada no céu após sua ressurreição, se refere ao Pai como “meu Deus”. – Apocalipse 3:2, 12.

          Se uma das supostas Pessoas da Trindade é Deus da outra Pessoa, é óbvio que não há coigualdade!

          Quaisquer dúvidas com relação às passagens bíblicas referentes ao tema, fique à vontade para me escrever.

          E que “o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo” continue a lhe ajudar no progressivo conhecimento das Escrituras Sagradas. – 2 Coríntios 1:3.

          Grande abraço!

          [Fim da resposta.]


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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quarta-feira, 25 de abril de 2018

João 2:10: “Embriagado” (NM) ou “bebido bem” (Almeida Atualizada)?

Fonte da ilustração: jw.org

A respeito do texto temático deste artigo, um leitor perguntou:

Haveria a possibilidade de postar algum artigo sobre este assunto? A palavra grega ali se refere meramente à quantidade da bebida ou ao efeito da mesma? Mais um artigo que beneficiará a muitos. Fico no aguardo.
Um forte abraço.

Resposta:

Diversas traduções destacam a quantidade da bebida em relação à saciedade das pessoas envolvidas, e não o resultado da embriaguez, conforme os exemplos abaixo:

“Quando já têm bebido bem.” – ACF, ARIB.
“Já beberam bastante.” – NVI.
“Têm bebido bastante.” – SBB; TB.
“Já beberam muito.” – NTLH; NAA.
“Já beberam fartamente.” – ARA.
têm bebido bem.” – ARC.
“Quando todos já beberam bastante.” – Biblia Latinoamericana (espanhol).
 “Quando todos se fartaram.” – O Livro.
“Quando todos tiverem o suficiente.”  Bible in Basic English.
“Quando se bebe em abundância.” – La Santa Biblia (espanhol).
“Quando os homens bebem bem.” – KJ, Douay Rheims; também Darby.
“Quando beberam muito.” – A Conservative Version.
“Quando os convidados bebem demais.” – Die Bibel (em alemão).
 “Quando eles estão bem satisfeitos.” – English Jubilee 2000 Bible, Las Sagradas Escrituras (espanhol); também Spanish Reina-Valera verte similar.
“Quando já tomaram o suficiente.” – Reina Valera.

A versão católica Ave Maria chegou perto de descrever o resultado, mas foi reticente quanto a ele, ao verter “quando já estão quase embriagados”.

Traduções que descrevem o resultado

Por outro lado, algumas versões destacam o resultado, a exemplo das referidas abaixo:

“Estão bêbadas.” – Versão Padrão Internacional.
“Quando eles estão bem bêbados.” – English Majority Text Version.
“Quando os homens estão bêbados.” – Tyndall e Cranmer.
“Quando eles já estão bêbados.” – La Biblia de Jerusalén (espanhol); também a mesma versão em francês.
“Quando as pessoas ficam embriagadas.” – NM.

A palavra grega em questão é μεθυσθῶσιν, que é declinação do verbo μεθύω no subjuntivo, voz passiva, aoristo, na 3ª pessoa do plural.



Em relação ao verbo μεθύω, observa A Greek–English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, 3rd ed. (Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento e de Outra Literatura Cristã Primitiva, 3ª edição [BDAG]):

μεθύω (μέθυ ‘vinho’; … beber até um ponto de intoxicação, ficar bêbado Ac [Atos] 2:15; … 1 Cor 11:21. ο μεθυσκόμενοι νυκτς μεθύουσιν aqueles que se embriagam estão bêbados à noite 1 Th [Tessalonicenses] 5: 7. ο μεθύοντες aqueles que estão embriagados (Diod S 4, 5, 3; Cornutus 30 p. 61, 6; Jó 12:25) Mt 24: 49. (Negrito acrescentado.)




Ademais, o Léxico do Novo Testamento Grego/Português, de Gingrich e Danker, assim define o respectivo verbo grego:

μεθύω estar bêbado lit. Mt 24.49; At 2.15; 1 Co 11.21; 1 Ts 5.7; fig. Ap 17.6.*

Em todos os textos em que esse verbo ocorre ele tem o mesmo sentido:

“E começar a espancar seus coescravos, e a comer e beber com os beberrões.” – Mateus 24:49.

“Na verdade, estas pessoas não estão bêbadas, como vocês supõem, pois é a terceira hora do dia.” – Atos 2:15.

“Pois, na hora de tomá-la, vocês comem primeiro o seu próprio jantar, de modo que um está com fome, mas outro está embriagado.” – 1 Coríntios 11:21.

“Pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, se embriagam de noite.” – 1 Tessalonicenses 5:7.

“Vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus. Ao vê-la, fiquei muito espantado.” – Apocalipse 17:6.

1 Tessalonicenses 5:7 utiliza duas palavras em paralelo para descrever os que se embriagam:

οἱ μεθυσκόμενοι νυκτὸς μεθύουσιν
hoi methuskómenoi nuktòs methúousin
os que se embriagam, de noite se embriagam

A segunda é o verbo μεθύω (methúo), usado em João 2:10; e a primeira é o verbo μεθύσκω (methúsko). Sobre o verbo methúsko, o Léxico Grego-Inglês de John Jeffrey Dodson (2010) traduz por “fico bêbado”. E o Dicionário Grego de James Strong (1890) assim define:

μεθύσκω (methýskō): uma forma prolongada (transitiva) de 3184 [μεθύω (methýō)]; intoxicar.[1]




E o texto de Lucas 12:45 usa o verbo μεθύσκω na forma μεθύσκεσθαι (presente passivo no infinitivo). Com referência a esse texto, a maioria das traduções analisadas destaca o resultado (embriaguez) e não a ação de beber muito.

Este verbo é vertido por “embriagar-se” (ACF, ARIB, NVI, SBB, Ave Maria, English Majority Text Version); “estar bêbado (A Conservative Version, KJ, Darby, Diaglot NT 1865, English Jubilee 2000 Bible, Geneva Bible);“beber até ficar bêbado” (Bible in Worldwide English NT); “embebedar-se” (Douay-Rheims); “ficar bêbado” (ISV NT); “gastar o tempo em pândegas e bebedeiras” (O Livro).



A obra Lange´s Commentary on The Holy Scripture – an Exegetical and Doctrinal Commentary (volume 6, Mateus a João), de John Peter Lange, embora reconheça que o verbo grego methúskomai “significa ficar bêbado”, afirma que pode significar “também beber livremente, e não necessariamente implica excesso”. Como prova disso, ele cita a Versão Septuaginta em duas passagens:

Gênesis 43:34:   

ἔπιον δὲ καὶ ἐμεθύσθησαν μετ᾽ αὐτοῦ
épion dè kaì emethústhesan met´autoû
beberam pois e se fartaram de beber com ele

Ageu 1:6:

ἐπίετε καὶ οὐκ εἰς μέθην
epíete kaì ouk eis méthen
bebem mas não para saciedade

Após isso, ele cita o comentário de dois eruditos bíblicos – Heinrich August Wilhelm Meyer e Henry Alford, afirmando:

Meyer contende pelo sentido usual do verbo e traduz quando eles ficam embriagados, mas também se protege contra essa inferência.
Alford: “Ao passo que não há razão para forçar o significado comum de μεθυσθσιν, então também não há nenhuma para se retrair dele.”

Observa-se que tais eruditos, incluindo o próprio Lange, admitem a possibilidade de o verbo incluir a ideia de quantidade sem intoxicação (embriaguez).

Além disso, pelo uso de tal verbo na Septuaginta, parece razoável concluir que o uso do verbo grego possa admitir tal significado secundário. Diz-se “secundário”, posto que, no “Novo Testamento”, μεθύσκω ocorre 4  vezes e, em todas elas, significa invariavelmente “embriagar-se”, “embebedar-se”, “ficar intoxicado” e “estar bêbado”. Veja as ocorrências do referido verbo nos textos abaixo:

“Mas, se aquele escravo disser no coração: ‘Meu senhor demora a vir’, e começar a espancar os servos e as servas, e a comer, beber e se embriagar [methuskesthai | μεθύσκεσθαι | presente passivo do infinitivo].” – Lucas 12:45.

“Também, não se embriaguem [methuskesthe | μεθύσκεσθε | presente passivo imperativo, 2.ª pessoa do plural ] com vinho, em que há devassidão, mas fiquem cheios de espírito.” – Efésios 5:18.

“Pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam [methuskomenoi |μεθυσκόμενοι | particípio presente passivo no nominativo masculino plural], se embriagam de noite.” – 1 Tessalonicenses 5:7.

“Os reis da terra cometeram imoralidade sexual com ela, e os habitantes da terra se embriagaram [emethusthēsan |ἐμεθύσθησαν | aoristo passivo indicativo na 3.ª pessoa do plural]  com o vinho da imoralidade sexual dela.” – Apocalipse 17:2.

Também, com referência ao substantivo feminino μέθην (méthen), seu uso tanto na literatura bíblica quanto na extrabíblicas (Xenofonte, Platão etc.) tem o sentido de “bebedeira” e de “embriaguez”. Sobre este substantivo, o  Léxico Grego de Thayer[2] define:

intoxicação; embriaguez: Lucas 21:34; plural, Romanos 13:13; Gálatas 5:21. (Hebraico שֵׁכָר, bebida inebriante, Provérbios 20:1; Isaías 28:7; e שִׁכָּרון, intoxicação, Ezequiel 23:32; Ezequiel 39:19; (Antífona), Xenofonte, Platão e outros (cf. Trnech, § lxi.)

          Portanto, para que o texto de João 2:10, que usa outro verbo – o verbo sinônimo μεθύω – signifique “beber livremente”, ou “beber muito”, fugindo ao uso costumeiro deste verbo e ao do outro verbo (methúsko) no “Novo Testamento”, seria necessário um embasamento que justificasse tal exceção, e não parece haver tal embasamento.

Portanto, o texto de João 2:10 ressalta que aqueles que estão embriagados não vão achar o vinho ruim tão ofensivo ao gosto quanto aqueles que não estão embriagados, os quais possuem um gosto mais discriminador.

Desta feita, tal verbo parece descrever o resultado, e não a ação de beber bastante.


Explicação das siglas usadas:

ACF:Almeida Revisada e Corrigida Fiel.
ARA: Almeida Revista e Atualizada.
ARC: Almeida Revista e Corrigida.
ARIB: Almeida Revisada Imprensa Bíblica
Darby: The ‘Holy Scriptures’ (Edição de 1949), de John Nelson Darby.
Douay Rheims: tradução da Bíblia da Vulgata latina  para o Inglês feita por membros do Colégio católico Inglês Douai. O Novo Testamento parte foi publicada em Reims , França, em 1582.
ISV NT: International Standard Version of the New Testament.
KJ: King James Version.
NAA: Nova Almeida Atualizada.
NM: Tradução do Novo Mundo.
NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
NVI: Nova Versão Internacional.
Reina Valera: versão em espanhol, de Casiodoro de Reina e de Cipriano de Valera.
SBB: Sociedade Bíblica Britânica.
TB: Tradução Brasileira.

Notas:
[1]http://greeklexicon.org/lexicon/strongs/3182/;http://greeklexicon.org/lexicon/strongs/3184/
[2] http://biblehub.com/greek/3178.htm


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domingo, 22 de abril de 2018

Qual será a duração do reino de Jesus Cristo?


Fonte da ilustração: jw.org
          
          Diversas são as passagens que se referem ao Reino de Jesus Cristo como sendo eterno:

          “De fato, dessa forma lhes será concedida uma entrada gloriosa no Reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” – 2 Pedro 1:11.

          “A expansão do seu reinado e a paz sobre o trono de Davi e sobre o seu reino não terão fim, de modo que este [reino] será estabelecido firmemente e amparado por meio da justiça e da retidão, desde agora e para sempre. O zelo de Jeová dos exércitos fará isso.” – Isaías 9:7.

          “E foi-lhe dado [a Jesus Cristo] domínio, honra e um reino, para que os povos, nações e línguas o servissem. Seu domínio é um domínio eterno, que jamais terminará, e seu reino não será destruído.” – Daniel 7:14.

          “E ele será Rei sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu Reino.” – Lucas 1:33.

          Contudo, o artigo anterior demonstrou, com base em 1 Coríntios, capítulo 15, que o Reino messiânico, quando cumprir o seu propósito, deixará de existir: será devolvido Àquele que o produziu – Jeová. Como harmonizar isso com os textos acima?

          A obra Estudo Perspicaz das Escrituras (Volume 3, p. 413, sob o verbete “Reino de Deus”) comenta:

Uma vez que Cristo ‘entrega o reino ao seu Deus e Pai’ [1 Coríntios 15:24], em que sentido é seu Reino “eterno”, como se declara repetidas vezes nas Escrituras? (2Pe 1:11; Is 9:7; Da 7:14; Lu 1:33; Re 11:15) Seu Reino “jamais será arruinado”, suas realizações durarão para sempre; ele será honrado eternamente por seu papel qual Rei messiânico. — Da 2:44. (Negrito acrescentado.)

          Também, o livro “Adore o Único Deus Verdadeiro” (p. 100) tece o seguinte comentário:

Não obstante, o governo milenar de Cristo será de “duração indefinida” e seu Reino “não será arruinado”. (Daniel 7:14) Em que sentido? Por um lado, o governo não passará às mãos de outros que tenham objetivos diferentes, pois Jeová será o Governante. Também, o Reino “jamais será arruinado” porque as suas realizações serão duradouras. (Daniel 2:44) E o Rei-Sacerdote messiânico e seus reis-associados serão honrados para sempre devido ao seu serviço fiel a Jeová. (Negrito acrescentado.)

          Por outro lado, embora o Reino messiânico, produzido por Jeová para restaurar as condições existentes anteriores ao pecado, deixe de existir após ter cumprido sua finalidade, é certo que Jesus Cristo e seus corregentes continuarão atuando de modo administrativo dentro do propósito de Deus, conforme lemos em Apocalipse 22:5: “Também não haverá mais noite, e eles não terão necessidade de luz de lâmpada, nem de luz do sol, pois Jeová Deus lançará luz sobre eles, e eles reinarão para todo o sempre.”

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Quem reinará para sempre – conforme Apocalipse 11:15?



Fonte da ilustração: jw.org


          Um leitor escreveu:

          Olá, querido apologista da verdade, gosto muito do teu site e acho interessantes as coisas que você publica.
          Tenho uma dúvida: as nossas publicações sempre mencionam que Jesus irá governar por mil anos. Mas de acordo com Apocalipse 11:15, diz que Jesus irá governar para todo sempre. Afinal, Jesus vai ou não governar para sempre???
          Conto com tua resposta. Abraços!!

Resposta:

          Lemos em Apocalipse 11:15: “O sétimo anjo tocou a sua trombeta. E houve vozes altas no céu, dizendo: ‘O reino do mundo se tornou o Reino do nosso Senhor e do seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre.’”

         Observe o leitor que o pronome “Ele” está com inicial maiúscula, indicando que se refere, não a Cristo, mas ao “nosso Senhor” – no caso, Deus Jeová.

          Esta forma de traduzir está de acordo com o texto grego, que reza literalmente:

τοῦ κυρίου ἡμῶν καὶ τοῦ Χριστοῦ αὐτοῦ, 
do Senhor nosso e do Cristo dele

καὶ βασιλεύσει
e reinará

         Embora inexista o pronome pessoal “ele” antes do verbo “reinará”, antes desse verbo tal pronome ocorre no caso genitivo (“dele”), referindo-se, não ao Cristo, mas ao “Senhor” Deus, Jeová.

         Ademais, o próprio contexto centraliza a atenção na pessoa de Deus:

          “Os 24 anciãos que estavam sentados nos seus tronos diante de Deus se prostraram com o rosto no chão e adoraram a Deus, dizendo: ‘Agradecemos a ti, Jeová Deus, o Todo-Poderoso, aquele que é e que era, porque assumiste o teu grande poder e começaste a reinar. Mas as nações ficaram iradas, e veio tua própria ira, e veio o tempo determinado para os mortos serem julgados e para recompensar os teus escravos, os profetas, bem como os santos e os que temem o teu nome, tanto os pequenos como os grandes, e para arruinar os que arruínam a terra.’ Então o santuário do templo de Deus no céu foi aberto, e viu-se a Arca do seu pacto no santuário do seu templo. E houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e forte granizo.”

          Os destaques em negrito mostram que Jeová é quem começa a reinar. Prova adicional de que a passagem diz respeito ao reino, ou governo, de Deus é a visão da Arca do pacto no céu.

          A respeito do significado dessa visão dentro desse contexto, veja o comentário do artigo Debate online sobre a permanência dos Dez Mandamentos - Parte 3”:

Com relação à arca do pacto citada em Revelação (Apocalipse) 11:19, ela não está associada às tábuas de pedra dos Dez Mandamentos, como pretendem os sabatistas, mas sim à presença de Deus como Rei.

Jeová declarou:

“E ALI ME HEI DE APRESENTAR A TI e falar contigo de cima da tampa, de entre os dois querubins que há sobre a arca do testemunho, sim, tudo o que eu te mandar para os filhos de Israel.” – Êxodo 25:22.

Até os inimigos dos israelitas reconheciam que a Arca simbolizava a presença de Deus:

“Também os filisteus chegaram a ouvir o som da gritaria e começaram a dizer: ‘Que significa o som desta grande gritaria no acampamento dos hebreus?’ Finalmente, FICARAM SABENDO QUE A PRÓPRIA ARCA DE JEOVÁ TINHA CHEGADO AO ACAMPAMENTO. E os filisteus ficaram com medo, porque DISSERAM: ‘DEUS CHEGOU AO ACAMPAMENTO!’ Por isso disseram: ‘Ai de nós, pois nunca antes aconteceu tal coisa! Ai de nós! Quem nos salvará da mão deste Deus majestoso? Este é o Deus que golpeou o Egito com toda sorte de matança no ermo.’” – 1Sa 4:6-8.

A Arca estava em especial associada à presença de Jeová como Rei. Isso se torna claro em Jeremias 3:16, 17:

“‘E terá de acontecer que vós vos tornareis muitos e certamente dareis fruto na terra, naqueles dias’, é a pronunciação de Jeová. ‘NÃO MAIS DIRÃO: “A ARCA DO PACTO DE JEOVÁ!” nem subirá ao coração, nem se lembrarão dela ou sentirão sua falta, e não mais será feita. NAQUELE TEMPO CHAMARÃO JERUSALÉM DE TRONO DE JEOVÁ.”

Portanto, a Arca, na época representativa do “trono [reino] de Jeová”, daria lugar a Jerusalém como sendo símbolo desse “trono”, ou Reino.

Esse é o contexto de Revelação 11:19:
“E abriu-se o santuário do templo de Deus, que está no céu, e viu-se a arca do seu pacto no santuário do seu templo. E houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e um terremoto, e grande saraivada.”


Por que a visão apresenta nessa ocasião a ‘arca do pacto’? Para afirmar que os Dez Mandamentos que estavam nela contidos vigoram para os cristãos? Não, não é nada disso. Tem a ver com o símbolo que ela sempre teve: a presença de Deus como Rei. O contexto é claro nesse respeito.

          Portanto, todo o foco desses versículos é sobre a atuação de Deus, o Pai, o Todo-Poderoso Jeová. Ele é quem “reinará para todo o sempre”.

          Reconhecendo esse entendimento, a versão King James Atualizada coloca “Ele” com inicial maiúscula. O mesmo faz English Majority Text Version (“Versão Inglesa do Texto Majoritário”): “… and He [Ele]  shall reign forever and ever!”

          Na mesma esteira, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) assim traduz:

          “Então o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu vozes fortes, que diziam: —O poder para governar o mundo pertence agora a Deus, que é o Senhor nosso, e ao Messias que ele escolheu. E Deus reinará para todo o sempre!”

          Portanto, Apocalipse 11:15 afirma que o “nosso Senhor” Jeová é quem “reinará para todo o sempre”.

          Mas isso significa que Jesus não reinará para sempre? O artigo seguinte considerará essa pergunta.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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