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quarta-feira, 25 de abril de 2018

João 2:10: “Embriagado” (NM) ou “bebido bem” (Almeida Atualizada)?

Fonte da ilustração: jw.org

A respeito do texto temático deste artigo, um leitor perguntou:

Haveria a possibilidade de postar algum artigo sobre este assunto? A palavra grega ali se refere meramente à quantidade da bebida ou ao efeito da mesma? Mais um artigo que beneficiará a muitos. Fico no aguardo.
Um forte abraço.

Resposta:

Diversas traduções destacam a quantidade da bebida em relação à saciedade das pessoas envolvidas, e não o resultado da embriaguez, conforme os exemplos abaixo:

“Quando já têm bebido bem.” – ACF, ARIB.
“Já beberam bastante.” – NVI.
“Têm bebido bastante.” – SBB; TB.
“Já beberam muito.” – NTLH; NAA.
“Já beberam fartamente.” – ARA.
têm bebido bem.” – ARC.
“Quando todos já beberam bastante.” – Biblia Latinoamericana (espanhol).
 “Quando todos se fartaram.” – O Livro.
“Quando todos tiverem o suficiente.”  Bible in Basic English.
“Quando se bebe em abundância.” – La Santa Biblia (espanhol).
“Quando os homens bebem bem.” – KJ, Douay Rheims; também Darby.
“Quando beberam muito.” – A Conservative Version.
“Quando os convidados bebem demais.” – Die Bibel (em alemão).
 “Quando eles estão bem satisfeitos.” – English Jubilee 2000 Bible, Las Sagradas Escrituras (espanhol); também Spanish Reina-Valera verte similar.
“Quando já tomaram o suficiente.” – Reina Valera.

A versão católica Ave Maria chegou perto de descrever o resultado, mas foi reticente quanto a ele, ao verter “quando já estão quase embriagados”.

Traduções que descrevem o resultado

Por outro lado, algumas versões destacam o resultado, a exemplo das referidas abaixo:

“Estão bêbadas.” – Versão Padrão Internacional.
“Quando eles estão bem bêbados.” – English Majority Text Version.
“Quando os homens estão bêbados.” – Tyndall e Cranmer.
“Quando eles já estão bêbados.” – La Biblia de Jerusalén (espanhol); também a mesma versão em francês.
“Quando as pessoas ficam embriagadas.” – NM.

A palavra grega em questão é μεθυσθῶσιν, que é declinação do verbo μεθύω no subjuntivo, voz passiva, aoristo, na 3ª pessoa do plural.



Em relação ao verbo μεθύω, observa A Greek–English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, 3rd ed. (Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento e de Outra Literatura Cristã Primitiva, 3ª edição [BDAG]):

μεθύω (μέθυ ‘vinho’; … beber até um ponto de intoxicação, ficar bêbado Ac [Atos] 2:15; … 1 Cor 11:21. ο μεθυσκόμενοι νυκτς μεθύουσιν aqueles que se embriagam estão bêbados à noite 1 Th [Tessalonicenses] 5: 7. ο μεθύοντες aqueles que estão embriagados (Diod S 4, 5, 3; Cornutus 30 p. 61, 6; Jó 12:25) Mt 24: 49. (Negrito acrescentado.)




Ademais, o Léxico do Novo Testamento Grego/Português, de Gingrich e Danker, assim define o respectivo verbo grego:

μεθύω estar bêbado lit. Mt 24.49; At 2.15; 1 Co 11.21; 1 Ts 5.7; fig. Ap 17.6.*

Em todos os textos em que esse verbo ocorre ele tem o mesmo sentido:

“E começar a espancar seus coescravos, e a comer e beber com os beberrões.” – Mateus 24:49.

“Na verdade, estas pessoas não estão bêbadas, como vocês supõem, pois é a terceira hora do dia.” – Atos 2:15.

“Pois, na hora de tomá-la, vocês comem primeiro o seu próprio jantar, de modo que um está com fome, mas outro está embriagado.” – 1 Coríntios 11:21.

“Pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, se embriagam de noite.” – 1 Tessalonicenses 5:7.

“Vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus. Ao vê-la, fiquei muito espantado.” – Apocalipse 17:6.

1 Tessalonicenses 5:7 utiliza duas palavras em paralelo para descrever os que se embriagam:

οἱ μεθυσκόμενοι νυκτὸς μεθύουσιν
hoi methuskómenoi nuktòs methúousin
os que se embriagam, de noite se embriagam

A segunda é o verbo μεθύω (methúo), usado em João 2:10; e a primeira é o verbo μεθύσκω (methúsko). Sobre o verbo methúsko, o Léxico Grego-Inglês de John Jeffrey Dodson (2010) traduz por “fico bêbado”. E o Dicionário Grego de James Strong (1890) assim define:

μεθύσκω (methýskō): uma forma prolongada (transitiva) de 3184 [μεθύω (methýō)]; intoxicar.[1]




E o texto de Lucas 12:45 usa o verbo μεθύσκω na forma μεθύσκεσθαι (presente passivo no infinitivo). Com referência a esse texto, a maioria das traduções analisadas destaca o resultado (embriaguez) e não a ação de beber muito.

Este verbo é vertido por “embriagar-se” (ACF, ARIB, NVI, SBB, Ave Maria, English Majority Text Version); “estar bêbado (A Conservative Version, KJ, Darby, Diaglot NT 1865, English Jubilee 2000 Bible, Geneva Bible);“beber até ficar bêbado” (Bible in Worldwide English NT); “embebedar-se” (Douay-Rheims); “ficar bêbado” (ISV NT); “gastar o tempo em pândegas e bebedeiras” (O Livro).



A obra Lange´s Commentary on The Holy Scripture – an Exegetical and Doctrinal Commentary (volume 6, Mateus a João), de John Peter Lange, embora reconheça que o verbo grego methúskomai “significa ficar bêbado”, afirma que pode significar “também beber livremente, e não necessariamente implica excesso”. Como prova disso, ele cita a Versão Septuaginta em duas passagens:

Gênesis 43:34:   

ἔπιον δὲ καὶ ἐμεθύσθησαν μετ᾽ αὐτοῦ
épion dè kaì emethústhesan met´autoû
beberam pois e se fartaram de beber com ele

Ageu 1:6:

ἐπίετε καὶ οὐκ εἰς μέθην
epíete kaì ouk eis méthen
bebem mas não para saciedade

Após isso, ele cita o comentário de dois eruditos bíblicos – Heinrich August Wilhelm Meyer e Henry Alford, afirmando:

Meyer contende pelo sentido usual do verbo e traduz quando eles ficam embriagados, mas também se protege contra essa inferência.
Alford: “Ao passo que não há razão para forçar o significado comum de μεθυσθσιν, então também não há nenhuma para se retrair dele.”

Observa-se que tais eruditos, incluindo o próprio Lange, admitem a possibilidade de o verbo incluir a ideia de quantidade sem intoxicação (embriaguez).

Além disso, pelo uso de tal verbo na Septuaginta, parece razoável concluir que o uso do verbo grego possa admitir tal significado secundário. Diz-se “secundário”, posto que, no “Novo Testamento”, μεθύσκω ocorre 4  vezes e, em todas elas, significa invariavelmente “embriagar-se”, “embebedar-se”, “ficar intoxicado” e “estar bêbado”. Veja as ocorrências do referido verbo nos textos abaixo:

“Mas, se aquele escravo disser no coração: ‘Meu senhor demora a vir’, e começar a espancar os servos e as servas, e a comer, beber e se embriagar [methuskesthai | μεθύσκεσθαι | presente passivo do infinitivo].” – Lucas 12:45.

“Também, não se embriaguem [methuskesthe | μεθύσκεσθε | presente passivo imperativo, 2.ª pessoa do plural ] com vinho, em que há devassidão, mas fiquem cheios de espírito.” – Efésios 5:18.

“Pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam [methuskomenoi |μεθυσκόμενοι | particípio presente passivo no nominativo masculino plural], se embriagam de noite.” – 1 Tessalonicenses 5:7.

“Os reis da terra cometeram imoralidade sexual com ela, e os habitantes da terra se embriagaram [emethusthēsan |ἐμεθύσθησαν | aoristo passivo indicativo na 3.ª pessoa do plural]  com o vinho da imoralidade sexual dela.” – Apocalipse 17:2.

Também, com referência ao substantivo feminino μέθην (méthen), seu uso tanto na literatura bíblica quanto na extrabíblicas (Xenofonte, Platão etc.) tem o sentido de “bebedeira” e de “embriaguez”. Sobre este substantivo, o  Léxico Grego de Thayer[2] define:

intoxicação; embriaguez: Lucas 21:34; plural, Romanos 13:13; Gálatas 5:21. (Hebraico שֵׁכָר, bebida inebriante, Provérbios 20:1; Isaías 28:7; e שִׁכָּרון, intoxicação, Ezequiel 23:32; Ezequiel 39:19; (Antífona), Xenofonte, Platão e outros (cf. Trnech, § lxi.)

          Portanto, para que o texto de João 2:10, que usa outro verbo – o verbo sinônimo μεθύω – signifique “beber livremente”, ou “beber muito”, fugindo ao uso costumeiro deste verbo e ao do outro verbo (methúsko) no “Novo Testamento”, seria necessário um embasamento que justificasse tal exceção, e não parece haver tal embasamento.

Portanto, o texto de João 2:10 ressalta que aqueles que estão embriagados não vão achar o vinho ruim tão ofensivo ao gosto quanto aqueles que não estão embriagados, os quais possuem um gosto mais discriminador.

Desta feita, tal verbo parece descrever o resultado, e não a ação de beber bastante.


Explicação das siglas usadas:

ACF:Almeida Revisada e Corrigida Fiel.
ARA: Almeida Revista e Atualizada.
ARC: Almeida Revista e Corrigida.
ARIB: Almeida Revisada Imprensa Bíblica
Darby: The ‘Holy Scriptures’ (Edição de 1949), de John Nelson Darby.
Douay Rheims: tradução da Bíblia da Vulgata latina  para o Inglês feita por membros do Colégio católico Inglês Douai. O Novo Testamento parte foi publicada em Reims , França, em 1582.
ISV NT: International Standard Version of the New Testament.
KJ: King James Version.
NAA: Nova Almeida Atualizada.
NM: Tradução do Novo Mundo.
NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
NVI: Nova Versão Internacional.
Reina Valera: versão em espanhol, de Casiodoro de Reina e de Cipriano de Valera.
SBB: Sociedade Bíblica Britânica.
TB: Tradução Brasileira.

Notas:
[1]http://greeklexicon.org/lexicon/strongs/3182/;http://greeklexicon.org/lexicon/strongs/3184/
[2] http://biblehub.com/greek/3178.htm


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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domingo, 22 de abril de 2018

Qual será a duração do reino de Jesus Cristo?


Fonte da ilustração: jw.org
          
          Diversas são as passagens que se referem ao Reino de Jesus Cristo como sendo eterno:

          “De fato, dessa forma lhes será concedida uma entrada gloriosa no Reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” – 2 Pedro 1:11.

          “A expansão do seu reinado e a paz sobre o trono de Davi e sobre o seu reino não terão fim, de modo que este [reino] será estabelecido firmemente e amparado por meio da justiça e da retidão, desde agora e para sempre. O zelo de Jeová dos exércitos fará isso.” – Isaías 9:7.

          “E foi-lhe dado [a Jesus Cristo] domínio, honra e um reino, para que os povos, nações e línguas o servissem. Seu domínio é um domínio eterno, que jamais terminará, e seu reino não será destruído.” – Daniel 7:14.

          “E ele será Rei sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu Reino.” – Lucas 1:33.

          Contudo, o artigo anterior demonstrou, com base em 1 Coríntios, capítulo 15, que o Reino messiânico, quando cumprir o seu propósito, deixará de existir: será devolvido Àquele que o produziu – Jeová. Como harmonizar isso com os textos acima?

          A obra Estudo Perspicaz das Escrituras (Volume 3, p. 413, sob o verbete “Reino de Deus”) comenta:

Uma vez que Cristo ‘entrega o reino ao seu Deus e Pai’ [1 Coríntios 15:24], em que sentido é seu Reino “eterno”, como se declara repetidas vezes nas Escrituras? (2Pe 1:11; Is 9:7; Da 7:14; Lu 1:33; Re 11:15) Seu Reino “jamais será arruinado”, suas realizações durarão para sempre; ele será honrado eternamente por seu papel qual Rei messiânico. — Da 2:44. (Negrito acrescentado.)

          Também, o livro “Adore o Único Deus Verdadeiro” (p. 100) tece o seguinte comentário:

Não obstante, o governo milenar de Cristo será de “duração indefinida” e seu Reino “não será arruinado”. (Daniel 7:14) Em que sentido? Por um lado, o governo não passará às mãos de outros que tenham objetivos diferentes, pois Jeová será o Governante. Também, o Reino “jamais será arruinado” porque as suas realizações serão duradouras. (Daniel 2:44) E o Rei-Sacerdote messiânico e seus reis-associados serão honrados para sempre devido ao seu serviço fiel a Jeová. (Negrito acrescentado.)

          Por outro lado, embora o Reino messiânico, produzido por Jeová para restaurar as condições existentes anteriores ao pecado, deixe de existir após ter cumprido sua finalidade, é certo que Jesus Cristo e seus corregentes continuarão atuando de modo administrativo dentro do propósito de Deus, conforme lemos em Apocalipse 22:5: “Também não haverá mais noite, e eles não terão necessidade de luz de lâmpada, nem de luz do sol, pois Jeová Deus lançará luz sobre eles, e eles reinarão para todo o sempre.”

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Quem reinará para sempre – conforme Apocalipse 11:15?



Fonte da ilustração: jw.org


          Um leitor escreveu:

          Olá, querido apologista da verdade, gosto muito do teu site e acho interessantes as coisas que você publica.
          Tenho uma dúvida: as nossas publicações sempre mencionam que Jesus irá governar por mil anos. Mas de acordo com Apocalipse 11:15, diz que Jesus irá governar para todo sempre. Afinal, Jesus vai ou não governar para sempre???
          Conto com tua resposta. Abraços!!

Resposta:

          Lemos em Apocalipse 11:15: “O sétimo anjo tocou a sua trombeta. E houve vozes altas no céu, dizendo: ‘O reino do mundo se tornou o Reino do nosso Senhor e do seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre.’”

         Observe o leitor que o pronome “Ele” está com inicial maiúscula, indicando que se refere, não a Cristo, mas ao “nosso Senhor” – no caso, Deus Jeová.

          Esta forma de traduzir está de acordo com o texto grego, que reza literalmente:

τοῦ κυρίου ἡμῶν καὶ τοῦ Χριστοῦ αὐτοῦ, 
do Senhor nosso e do Cristo dele

καὶ βασιλεύσει
e reinará

         Embora inexista o pronome pessoal “ele” antes do verbo “reinará”, antes desse verbo tal pronome ocorre no caso genitivo (“dele”), referindo-se, não ao Cristo, mas ao “Senhor” Deus, Jeová.

         Ademais, o próprio contexto centraliza a atenção na pessoa de Deus:

          “Os 24 anciãos que estavam sentados nos seus tronos diante de Deus se prostraram com o rosto no chão e adoraram a Deus, dizendo: ‘Agradecemos a ti, Jeová Deus, o Todo-Poderoso, aquele que é e que era, porque assumiste o teu grande poder e começaste a reinar. Mas as nações ficaram iradas, e veio tua própria ira, e veio o tempo determinado para os mortos serem julgados e para recompensar os teus escravos, os profetas, bem como os santos e os que temem o teu nome, tanto os pequenos como os grandes, e para arruinar os que arruínam a terra.’ Então o santuário do templo de Deus no céu foi aberto, e viu-se a Arca do seu pacto no santuário do seu templo. E houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e forte granizo.”

          Os destaques em negrito mostram que Jeová é quem começa a reinar. Prova adicional de que a passagem diz respeito ao reino, ou governo, de Deus é a visão da Arca do pacto no céu.

          A respeito do significado dessa visão dentro desse contexto, veja o comentário do artigo Debate online sobre a permanência dos Dez Mandamentos - Parte 3”:

Com relação à arca do pacto citada em Revelação (Apocalipse) 11:19, ela não está associada às tábuas de pedra dos Dez Mandamentos, como pretendem os sabatistas, mas sim à presença de Deus como Rei.

Jeová declarou:

“E ALI ME HEI DE APRESENTAR A TI e falar contigo de cima da tampa, de entre os dois querubins que há sobre a arca do testemunho, sim, tudo o que eu te mandar para os filhos de Israel.” – Êxodo 25:22.

Até os inimigos dos israelitas reconheciam que a Arca simbolizava a presença de Deus:

“Também os filisteus chegaram a ouvir o som da gritaria e começaram a dizer: ‘Que significa o som desta grande gritaria no acampamento dos hebreus?’ Finalmente, FICARAM SABENDO QUE A PRÓPRIA ARCA DE JEOVÁ TINHA CHEGADO AO ACAMPAMENTO. E os filisteus ficaram com medo, porque DISSERAM: ‘DEUS CHEGOU AO ACAMPAMENTO!’ Por isso disseram: ‘Ai de nós, pois nunca antes aconteceu tal coisa! Ai de nós! Quem nos salvará da mão deste Deus majestoso? Este é o Deus que golpeou o Egito com toda sorte de matança no ermo.’” – 1Sa 4:6-8.

A Arca estava em especial associada à presença de Jeová como Rei. Isso se torna claro em Jeremias 3:16, 17:

“‘E terá de acontecer que vós vos tornareis muitos e certamente dareis fruto na terra, naqueles dias’, é a pronunciação de Jeová. ‘NÃO MAIS DIRÃO: “A ARCA DO PACTO DE JEOVÁ!” nem subirá ao coração, nem se lembrarão dela ou sentirão sua falta, e não mais será feita. NAQUELE TEMPO CHAMARÃO JERUSALÉM DE TRONO DE JEOVÁ.”

Portanto, a Arca, na época representativa do “trono [reino] de Jeová”, daria lugar a Jerusalém como sendo símbolo desse “trono”, ou Reino.

Esse é o contexto de Revelação 11:19:
“E abriu-se o santuário do templo de Deus, que está no céu, e viu-se a arca do seu pacto no santuário do seu templo. E houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e um terremoto, e grande saraivada.”


Por que a visão apresenta nessa ocasião a ‘arca do pacto’? Para afirmar que os Dez Mandamentos que estavam nela contidos vigoram para os cristãos? Não, não é nada disso. Tem a ver com o símbolo que ela sempre teve: a presença de Deus como Rei. O contexto é claro nesse respeito.

          Portanto, todo o foco desses versículos é sobre a atuação de Deus, o Pai, o Todo-Poderoso Jeová. Ele é quem “reinará para todo o sempre”.

          Reconhecendo esse entendimento, a versão King James Atualizada coloca “Ele” com inicial maiúscula. O mesmo faz English Majority Text Version (“Versão Inglesa do Texto Majoritário”): “… and He [Ele]  shall reign forever and ever!”

          Na mesma esteira, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) assim traduz:

          “Então o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu vozes fortes, que diziam: —O poder para governar o mundo pertence agora a Deus, que é o Senhor nosso, e ao Messias que ele escolheu. E Deus reinará para todo o sempre!”

          Portanto, Apocalipse 11:15 afirma que o “nosso Senhor” Jeová é quem “reinará para todo o sempre”.

          Mas isso significa que Jesus não reinará para sempre? O artigo seguinte considerará essa pergunta.


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domingo, 15 de abril de 2018

Daniel 10:13 prova que o arcanjo Miguel não é Jesus Cristo?

Fonte da ilustração: jw.org

Contribuído por A Verdade É Lógica.

Um argumento frequentemente usado para tentar refutar a identidade de Miguel com o Senhor Jesus Cristo é o texto de Daniel 10:13, que declara: “[...] eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me [...].”  Almeida Corrigida e Revisada Fiel.

Os que discordam de que Miguel seja Jesus Cristo dizem que “um dos primeiros príncipes” mostra que Miguel não é o único, e, sendo que Jesus é o único, eles não são a mesma pessoa.

No entanto, tal argumentação é frágil por 3 motivos:

1) Ela implica em alegar que não poderiam existir outros primeiros (maiores) príncipes caso Jesus seja Miguel. Tal alegação é falsa, pois há seres celestiais poderosíssimos, uns mais que outros – sendo Jesus um deles;

Jo 38:8 diz que “todos os filhos de Deus começaram a bradar em aplauso” ao verem a criação do mundo. Dentre eles estava o Unigênito. Jesus é um dos filhos de Deus, mas também é O FILHO. Assim como Miguel é um dos maiores príncipes, mas é também O Príncipe.

2) Quanto `a alegação de que, por Miguel ser um dos “primeiros príncipes”, ele obrigatoriamente não poderia ser o mais destacado deles, tal afirmação também é falsa. Miguel pode muito bem ser “um dos primeiros príncipes” e ao mesmo tempo ser o mais destacado e único em sua posição;

E também vemos na expressão “VOSSO Príncipe” (não “um dos vossos príncipes”) que Miguel REINA ou age com autoridade REAL e que é ELE o escolhido para ser o Príncipe.  Daniel 10:21.

3) Tal declaração também ignora o que Daniel 12:1 diz:

“[...] Miguel, o grande príncipe.”

Daniel 10:21 diz: “E não há ninguém que se mantenha forte comigo nestas [coisas] EXCETO Miguel, vosso príncipe.”

Neste texto vemos INDISCUTIVELMENTE a singularidade de Miguel na expressão “exceto Miguel”, ou somente Miguel.

Note que Daniel diz claramente:

A) Miguel é um dos primeiros príncipes;

Mas, ao mesmo tempo:

B) Miguel é O GRANDE PRÍNCIPE;

C) “Somente Miguel” se mantinha forte com o anjo enviado a Daniel;

Em suma, existem outros grandes ou “primeiros príncipes”, e Miguel é um destes, mas é também o maior e singular entre tais, pois só ele é dito como “o grande príncipe”, e “exceto Miguel” (o único que se mantinha forte com o anjo enviado a Daniel).

          The International Standard Bible Encyclopedia (Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional, 1930, Vol. 3, página 2048) declarou:



Tradução:

Os eruditos protestantes anteriores geralmente identificaram Miguel com o Cristo pré-encarnado, encontrando apoio para sua visão, não apenas na justaposição do “filho” e do arcanjo em Rev. [Apocalipse] 12, mas também nos atributos referidos a ele em Dnl [Daniel] (para um uma discussão completa ver Hengstenberg, Offenbarung, I, 611-222 e um interessante pesquisa em inglês pelo Dr. Douglas no BD da Fairbairn). JOHN A. LEES.


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