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domingo, 2 de setembro de 2018

O batismo cristão tem origem no Judaísmo?


Fonte: jw.org

Um leitor trouxe a este site os seguintes questionamentos:

É um prazer contatá-lo pela primeira vez.
Gostaria de sua ajuda para refutar esse argumento utilizado para apoiar o batismo por aspersão praticado pela cristandade, como por exemplo, os presbiterianos:
(Por gentileza, consulte também a versão Almeida utilizada pela cristandade.)
Eles alegam que o batismo cristão tem sua origem nos ritos de purificação judaicos. Citam a obra The Interpreter's Dictionary of the Bible, que afirma: “Os antecedentes do batismo cristão estão fundados dentro do judaísmo.” 
Pergunta 1: Procede que o batismo de João tem origem judaica? Como refutar?
Portanto, alegam que o batismo praticado por João não era novidade para os líderes judeus, e que o povo sabia o que estava ocorrendo. Por exemplo, os sacerdotes tinham que participar de abluções (Levítico 11:15; Números capítulo 19) e que existiam exortações concernentes a purificações que seriam feitas com água (Isaías 1:16 e Jeremias 4:14) sendo o texto “mais forte” Ezequiel 36:25-27 (contendo aspergirei) e Zacarias 13:1.
Pergunta 2: O batismo praticado por João já era conhecido pelo povo devido às práticas de purificações judaicas? Como refutar?
Pergunta 3: Como refutar Ezequiel 36:25-27?
A cristandade alega que as Escrituras Gregas Cristãs utilizam a palavra grega baptízo ao se referir às purificações com água praticadas na Era Cristã, concluindo que baptízo não possui um único significado bíblico de “mergulharimergir”. Referente a Marcos 7:3-4, por exemplo, eles alegam: Como pode baptízo significar apenas imergir se os judeus purificavam a cama também? Por acaso, eles mergulhavam a cama?
 Pergunta 4: Como refutar o argumento de que baptízo não significa apenas mergulhar, como, por exemplo, em Marcos 7:3-4?

Resposta:

Vejamos abaixo suas perguntas:
O batismo de João tem origem judaica?  O batismo praticado por João já era conhecido pelo povo devido às práticas de purificações judaicas?  
A obra Estudo Perspicaz das Escrituras (volume 1, p. 315, verbete “Batismo”)[1], afirma:

Alguns peritos procuram ver uma antecipação do batismo de João e do batismo cristão nas antigas cerimônias de purificação sob a Lei (Êx 29:4; Le 8:6; 14:8, 31, 32; He 9:10 n.) ou em atos individuais. (Gên 35:2; Êx 19:10) Mas estes casos não têm nenhuma analogia com o verdadeiro significado do batismo. Eram lavagens para limpeza cerimonial. Apenas em um caso havia algo parecido a mergulhar o corpo completamente debaixo de água. Era o caso de Naamã, o leproso, e a imersão em água foi feita sete vezes. (2Rs 5:14) Isto não o introduziu numa relação especial com Deus, mas apenas o curou da lepra. Além disso, biblicamente, os prosélitos eram circuncidados, não batizados. Para alguém participar da Páscoa ou empenhar-se na adoração junto ao santuário, ele tinha de estar circuncidado. — Êx 12:43-49.
Tampouco há qualquer base para a asserção feita por alguns de que o batismo de João foi provavelmente copiado da seita judaica dos essênios ou dos fariseus. Ambas estas seitas tinham muitos requisitos de abluções a serem realizadas frequentemente. Mas Jesus mostrou que esses eram meros mandamentos de homens, que violavam os mandamentos de Deus pela sua tradição. (Mr 7:1-9; Lu 11:38-42) João batizava em água porque, conforme disse, fora enviado por Deus para batizar em água. (Jo 1:33) Não fora enviado pelos essênios, nem pelos fariseus. Não tinha a comissão de fazer prosélitos judaicos, mas devia batizar aqueles que já eram membros da congregação judaica. — Lu 1:16.



Os “batismos”, ou imersões (Hebreus 9:10) realizados sob o pacto da Lei tinham por objetivo a purificação cerimonial. Diferentemente, o batismo de João era em símbolo de arrependimento dos pecados dos que estavam sob o pacto da Lei e a transgrediram. Lemos em Lucas 3:3: “Assim, ele [João Batista] percorreu toda a região em volta do Jordão, pregando o batismo em símbolo de arrependimento para o perdão de pecados.”

Fonte: jw.org

 Ademais, o batismo cristão, longe de ser uma “remoção da sujeira da carne” (1 Pedro 3:21), trata-se da afirmação pública, ou símbolo exterior, de que a pessoa morreu para com seu antigo modo de vida e ressurgiu para um novo modo de vida. Ser ela imersa retrata que morreu e foi sepultada para com seu anterior modo de vida, e ser ela emersa, ou levantada da água, simboliza sua revivificação para um novo modo de vida – o modo de vida cristão. Isso é observado nos textos abaixo:

“Portanto, fomos sepultados com ele por meio do nosso batismo na sua morte, a fim de que, assim como Cristo foi levantado dentre os mortos por meio do poder glorioso do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova.” – Romanos 6:4.

“Pois vocês foram sepultados com ele no batismo dele e, pela sua relação com ele, foram também levantados junto com ele por meio da sua fé na atuação poderosa de Deus, que o levantou dentre os mortos.” – Colossenses 2:12. 

Fonte: O Maior Homem Que Já Viveu. História 18.

O texto de Ezequiel 36:25-27 também se encontra num contexto de purificação, descaracterizando-o de qualquer ligação com o batismo cristão.
Como refutar o argumento de que baptízo não significa apenas mergulhar, como por exemplo em Marcos 7:3-4? 
Vejamos Marcos 7:4 no idioma grego antigo:
κα π' γορς ἐὰν μ βαπτσωνται οκ σθουσιν
kaì ap’ agorâs ean mè baptízontai ouk esthíousin
e  [vindo] do mercado se não batizarem não comem

κα λλα πολλ στιν  παρλαβον κρατεν
kaì álla pollá estin há parélabon krateîn
e muitas outras são as [coisas] que receberam para se apegar

βαπτισμος ποτηρων κα ξεστν κα χαλκων [κα κλινν]
baptismoùs poteríon kaà xestôn kaì khalkíon [kaì klinôn] 
batismos de copos e de jarros e de cobres [e de camas]


Fonte: O Maior Homem Que Já Viveu. História 56.
Algumas versões antigas acrescentaram o vocábulo grego κλινῶν (klinôn, substantivo feminino no genitivo plural de klíne), que significa “mesas”, “camas”, “sofás de jantar”. A Vulgata latina traduziu tal substantivo pela palavra lectorum que significa “leito, cama, sofá”. Na Pesito aramaica ocorre a palavra equivalente   ܘܕܥܪܣܬܐ que significa também “camas”.
Porém, nos melhores e mais antigos manuscritos e versões da Bíblia esta palavra não ocorre.
A Bíblia de Estudo John Macarthur mostra que a palavra “cama” não ocorre nos melhores manuscritos. Diversas versões, em especial as baseadas nos melhores textos, não colocam, a exemplo de Almeida Revisada Imprensa Bíblica, NVI, SBB, Ave Maria etc.


O Novo Testamento Grego de Nestle British & Foreign Society também omite. O mesmo o faz o texto de Westcott e Hort, de 1881.

O autor anglicano Henry Donald Maurice Spence afirma, em sua obra The Complete Pulpit Commentary. Volume 7. Matthew to John. A Exposition, Homiletics, And Homilies Commentary On The Bible: “As palavras (κα κλινν [e de camas]) … não têm autoridade suficiente para serem mantidas no texto.”

Conclusão
Portanto, as evidências apresentadas acima corroboram que o batismo cristão tem significado próprio, singular, não sendo resíduo quer do judaísmo bíblico instituído por Deus por intermédio de Moisés (João 1:17), quer do judaísmo deteriorado existente nos dias de Jesus Cristo. Como o próprio Cristo afirmou: “Ninguém costura um remendo de pano novo numa roupa velha.” (Mateus 9:16) Assim, o cristianismo, tal qual “pano novo”, não veio para perpetuar práticas judaicas desgastadas (comparadas a uma “roupa velha”).

Nota:
[1] Publicada pelas Testemunhas de Jeová.


Bibliografia:

 

Analysis of Peshitta verse Mark 7:4. Disponível em: <http://www.dukhrana.com/peshitta/analyze_verse.php?verse=Mark+7:4&font=Estrangelo+Edessa&size=125%25&source=>.


Codex de Khabouris. NT Evangelho de Marcos. 12 de junho de 2015. Disponível em: <http://www.khabouris.be/2015/06/12/evangelie-van-marcus/>.

Kiraz, George A. Dukhrana Biblical Research. Arquivo de Recuperação de Dados Eletrônicos Syriac ( SEDRA ), distribuído pelo Syriac Computing Institute. Os versos da Peshitta são tirados do Peshitta NT publicado pela British and Foreign Bible Society. Copyright © 2006-2017.  Disponível em: <http://www.dukhrana.com/peshitta/analyze_verse.php?verse=Mark+7:4&font=Estrangelo+Edessa&size=125%25&source=>.

Peshitta verses that contains word 2:16229 ܘܕܥܪܣܬܐ Disponível em: <http://www.dukhrana.com/peshitta/sedra_concordance.php?adr=2:16229&font=Estrangelo+Edessa&size=125%25&source=ubs>.

Spence-Jones, Henry Donald Maurice. The Complete Pulpit Commentary. Volume 7. Matthew to John. A Exposition,Homiletics, And Homilies Commentary On The Bible. Disponível em: <https://books.google.com.br/books>.

The Evangeliun of Eshu Meshikha Acording to Marcus. In: TheAramaicScriptures.com. Disponível em: <http://www.thearamaicscriptures.com/marks-gospel.html>.




A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.





Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org




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