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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Respondendo perguntas sobre a relação entre Jesus e seu Pai (Parte 1)


Fonte: jw.org
Um leitor teceu o seguinte comentário:
Graça e paz, apologista da verdade.
Mais uma vez gostaria de parabenizá-lo pelo excelente site e conteúdo bíblico disponível. Lhe escrevi anteriormente sobre alguns artigos expostos em seu site sobre a divindade de Jesus. Observei que, no seu artigo sobre Romanos 9:5, você afirmou que as Testemunhas de Jeová acreditam na divindade de Jesus:
“Em razão disso, as Testemunhas de Jeová reconhecem e aceitam abertamente a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo.[2] No entanto, a divindade de Cristo não pressupõe a igualdade dele com seu Pai, Jeová.”
Nos artigos sobre João 1:18, você defende a ideia de que Jesus deve ser chamado “deus unigênito” baseado em textos mais antigos. Diante disso, fica a pergunta clássica: as Testemunhas de Jeová creem em mais de um deus? 
    Nos e-mails anteriores citei que, nos episódios de Moisés, o termo “deus” foi usado no sentido de que, para Faraó, ele teria os poderes de Jeová outorgados por Este. Ou seja, para o soberano do Egito Moisés seria considerado um deus. Os juízes iníquos são chamados de deuses porque agiam como tais para com o povo, assim como o diabo é chamado de deus deste século (2 Coríntios 4:4) por sua dominação sobre os iníquos.
Porém, no caso de Jesus, considerá-lo como um deus poderoso não seria uma enorme heresia? Esqueçamos por um momento a doutrina da Trindade. Sabemos que o Pai é superior ao Filho e, mesmo considerando o Filho, Jesus Cristo, como o primeiro ser criado, não seria mais lógico acreditar que Jesus é divino da mesma substância do Pai? Poderíamos citar ainda a grande celeuma que é dizer que Jesus Cristo é o Senhor quando Deuteronômio 6:4 diz que apenas Jeová é o Senhor. Ou ainda os textos do Apocalipse, que chamam Jesus e Jeová de Alfa e Ômega. 
Citando um último trecho de Hebreus 1, extraído do site jw.org: 
 “Mas a respeito do Filho ele diz: ‘Deus é o seu trono para todo o sempre, e o cetro do seu Reino é o cetro da retidão. O senhor amou a justiça e odiou o que é contra a lei. É por isso que Deus, o seu Deus, o ungiu com óleo de alegria mais do que aos seus companheiros.’ E: ‘Ó Senhor, no princípio lançaste os alicerces da terra, e os céus são obras das tuas mãos. Eles deixarão de existir, mas tu permanecerás; eles se gastarão como uma roupa, e tu os enrolarás assim como a um manto, como a uma roupa, e eles serão trocados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca chegarão ao fim.’”
Eis a confusão: esse texto é extraído do Salmo Salmos 102:24-27. Vemos claramente que esse trecho se refere claramente a Deus, e o autor de Hebreus o aplica a Jesus. Mais uma vez não seria mais óbvio se crer que Jesus e o Pai são da mesma essência, ou seja, consubstanciais, mesmo não se admitindo sua igualdade, ao invés de se afirmar que Jesus é divino, um deus à parte? 
OBS: o referido site alega que os anjos são divinos o que não encontra respaldo bíblico. O fato de serem chamados de Elohim, já que essa palavra também se aplica a seres poderosos, não significa que sejam de natureza divina.
Resposta:
As Testemunhas de Jeová, assim como outros grupos religiosos unitários, são monoteístas, como o eram os judeus pré-cristãos e os cristãos do primeiro século. Assim, reconhecem que “há um só Deus, o Pai” que é Todo-Poderoso, Supremo e merece a adoração exclusiva. – 1 Coríntios 8:6.
Por outro lado, reconhecer a divindade de Jesus não é politeísmo. O artigo Ser Jesus chamado de Deus prova que ele é coigual ao Pai?”, no subtítulo “Em que sentido Jesus é ‘Deus’?”, explicou:
Os que foram aludidos como “Deus” sem conotação adorativa e de modo aprovativo (Moisés e os anjos) o foram por serem representantes de Deus, tendo recebido poder e autoridade da parte dele. No caso dos anjos, foram chamados de elohim também por terem natureza divina. Assim sendo, tendo em vista que o Filho é o maior representante de Deus (sendo o Lógos – o “Verbo”) e tem natureza divina, ele pode corretamente e com muito mais propriedade ser chamado de “Deus” sem ser, contudo, o Deus Todo-Poderoso.

Portanto, tendo em vista o uso que a Bíblia faz do termo “Deus”, não é politeísmo aceitar a divindade de Cristo e sua limitação de poder, autoridade e tempo de existência em relação a seu Deus e Pai, Jeová.
O Filho é da mesma substância que o Pai?
A questão sobre Jesus ser “da mesma substância” (do grego homoousia) que seu Pai gerou uma discussão acirrada no quarto século, que encontrou o seu clímax no Concílio de Niceia, em 325 EC. Dois teólogos, Atanásio e Alexandre, afirmavam que o Filho era da mesma substância, ou essência (homoousios) que o Pai, sendo coiguais, sendo um só Deus. Por outro lado, o teólogo Ário negava a teoria da consubstancialidade entre o Pai e o Filho, sustentando que o Filho foi criado, teve princípio, e que somente o Pai era incriado.
De onde surgiu a teoria da “mesma substância”? A Encyclopœdia Britannica declara: 
A teologia cristã tomou a metafísica [filosofia] neoplatônica da substância, bem como a sua doutrina da hipóstases [essência ou natureza] como ponto de partida para interpretar o relacionamento do “Pai” com o “Filho”.
[…]
Desde o início, a controvérsia entre ambas as partes [em Niceia] se deu sobre a base comum do conceito neoplatônico de substância, estranho ao próprio Novo Testamento. Não é de admirar que o prosseguimento da disputa sobre a base da metafísica da substância conduzisse igualmente a conceitos que não encontram respaldo no Novo Testamento. (Negrito acrescentado.)

Em adição, note como a Nova Enciclopédia Católica (em inglês) explica a teoria da mesma substância, sob o verbete “Consubstancialidade”: 
A consubstancialidade definida pelo [Concílio] de Nicéia I [325 E. C.], portanto, …  afirma essencialmente que o Filho é igual ao Pai, é tão divino como o Pai, sendo de Sua substância e da mesma substância que Ele; segue-se daí, necessariamente; que o Filho não pode pertencer ao que foi criado . . . Por causa da absoluta unicidade, união e simplicidade de Deus, a identidade da substância não é apenas específica [como no caso dos humanos, que têm em comum a natureza humana], mas absoluta ou numérica. (Negrito acrescentado.)

Curiosamente, a trindade do budismo chinês é descrita de um modo quase idêntico ao conceito trinitário. A obra Origin and Evolution of Religion (“Origem e Evolução da Religião”, p. 348) declara:

Os Três estão todos incluídos numa única essência substancial. Os três são iguais a um; não um, e ainda assim não diferentes; sem partes nem composição. Quando consideradas como uma só, fala-se das três pessoas como sendo o Perfeito (Tatagata). Não há nenhuma diferença real [entre as três pessoas da trindade]; são manifestações, aspectos diferentes da mesma substância imutável.

Assim, o conceito de o Pai e o Filho terem a mesma substância se ancora na filosofia grega de Platão, e não nas Escrituras.
O Padre Marcelo Chelles, em sua oitava aula de Cristologia, comenta o seguinte sobre Ário:

[…] a partir de 318, começou a ensinar a subordinação do Verbo ao Pai, retomando assim a posição de autores anteriores; dizia: “Deus nem sempre foi Pai; houve um tempo em que era somente Deus.., O Verbo de Deus foi feito a partir do nada; houve um tempo em que ele não existia” (Fragmenta ex Thalia em Enchiridion Patristicum n°s 648s). O Verbo é a primeira e mais digna criatura do Pai. (Negrito acrescentado.)[1]

Embora as Testemunhas de Jeová não sejam arianas, reconhecem que Ário estava biblicamente correto em defender a subordinação do Verbo (Jesus Cristo) ao Pai. – João 14:28; 1 Coríntios 15:27, 28.
Sobre a teoria da consubstancialidade, note o que Isaac Newton declarou:

Homoousion [a doutrina pela qual o Filho é da mesma substância que o Pai] é ininteligível. Não foi entendido no Concílio de Nicéia, nem desde então. O que não pode ser entendido, não é objeto de crença.[2]

Portanto, o conceito da “mesma substância” entre o Pai e o Filho não tem respaldo bíblico.

As demais questões levantadas pelo citado leitor serão consideradas em um futuro artigo.


Notas:

[1] O SÉCULO QUARTO NICÉIA I (325) e CONSTANTINOPLA I (381). Disponível em:< http://www.pnsassuncao.org.br/images/curso-de-teologia/iii-semestre/viii-cristologia-pe-marcelo.pdf>.

[2] Sir Isaac Newton Theological Manuscripts, p. 17. Apud revista “A Sentinela” de 15 de outubro de 1977, p. 628: Isaac Newton em busca de Deus.


Referências:

CHELLES, Marcelo. O SÉCULO QUARTO NICÉIA I (325) e CONSTANTINOPLA I (381). Disponível em:< http://www.pnsassuncao.org.br/images/curso-de-teologia/iii-semestre/viii-cristologia-pe-marcelo.pdf>.

Sir Isaac Newton Theological Manuscripts, p. 17. Apud revista “A Sentinela” de 15 de outubro de 1977, p. 628: Isaac Newton em busca de Deus.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





5 comentários:

  1. As perguntas do leitor acima é um conjunto de suposições que contém equívocos já na sua essência.
    Por exemplo, a que mais me chamou à atençao pela falta de lógica foi SUPOR que o fato de reconhecer a JESUS como deus faria das TESTEMUNHAS DE JEOVÁ, obrigatoriamente, defensores de algum ensino antibíblico. Essa acusação é totalmente infundada, baseada em pré-conceitos!
    Um exemplo, RECONHECIDO pelo próprio questionador, serve para demonstrar:

    O CASO DE MOISÉS SER COLOCADO NA FUNÇÃO DE UM DEUS PERANTE FARAÓ e PERANTE O POVO DE ISRAEL:

    HAVIA JEOVÁ DEUS E MOISÉS COMO "SEGUNDO DEUS", UM REPRESENTANTE MENOR DO DEUS MAIOR JEOVÁ.
    Fato!

    Pois bem...Por acaso O POVO DE ISRAEL ERA POLITEÍSTA PELO FATO DE TEREM QUE OBEDECER A DOIS PERSONAGENS, dois "deuses", A JEOVÁ E A MOISÉS ?
    O MONOTEÍSMO DE ISRAEL EXIGIRIA QUE OS JUDEUS NÃO OUVISSEM O QUE MOISÉS ORDENAVA ???
    Por essa lógica, alguém também poderia dizer que os Israelitas deveriam exigir falar DIRETAMENTE COM DEUS, UNICAMENTE COM DEUS, NINGUÉM ALÉM DE DEUS, sem a necessidade de MOISÉS, um segundo personagem servindo no cargo de autoridade entre Jeová e o Povo !
    O cargo de Moisés era ilegítimo ??!! Ele estava ocupando o lugar de Deus, que só cabe a Jeová no monoteísmo!

    Tem lógica acusar Moisés disso ? Teria base acusar os israelitas de violarem o "monoteísmo" por terem DUAS AUTORIDADES na Liderança do povo, MOISÉS E JEOVÁ ?!
    Claro que não!

    Da mesma forma, não há base BÍBLICA para dizer que as Testemunhas de Jeová estariam erradas por reconhecerem a AUTORIDADE DE JEOVÁ como sendo O DEUS E A AUTORIDADE DE JESUS como sendo um deus que está debaixo do comando do Deus Jeová, o Supremo!

    Outro erro gritante foi a base que o leitor usou para dizer que Jeová é o único "senhor", usando para tal argumento o texto de Deuteronômio 6:4, tirado de versões bíblicas que APAGAM O NOME DE JEOVÁ.
    Meu caro "Leitor"! Por favor!
    O texto ORIGINAL não diz isso! Não diz que Jeová é o único Senhor!
    A palavra "Senhor" NÃO EXISTE NO TEXTO HEBRAICO ORIGINAL!
    O texto VERDADEIRO está de acordo com diz a Bíblia das testemunhas de Jeová:
    "Escute, Israel: JEOVÁ é o nosso Deus, Jeová é o ÚNICO!"

    Portanto, NÃO tem base BÍBLICA dizer que o "shemá Israel" entraria em conflito com a doutrina que reconhece a Jeová como Deus ao mesmo tempo que permite reconhecer o "senhorio" de Jesus.

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  2. Politeísmo é defendido como a crença e SUBSEQUENTE ADORAÇÃO a mais de um Deus,as Testemunhas de Jeová não adoram a mais de um Deus consequentemente não são politeísta.

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  3. O fato é que Jeová diz que seus filhos são deuses. Salmo 82:6
    Ora, acaso anjos não são filhos de Deus?
    Jó 1:6; 2:1.

    Anjos são divinos, vide salmos 8:5. Se o próprio Deus diz isso, quem ousa discordar? Ora, quem além de Deus tem autoridade pra definir quem é deus ou não? Is 44:6 "...além de mim não há Deus"

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    1. No sentido de ser o único Deus supremo e o único que deve ser adorado, 'além de Jeová não há Deus'. - Isaías 44:6.

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  4. Se os anjos não são seres divinos, embora chamados de deuses em Sal. 138:1, então o que são ? A palavra anjo significa mensageiro, não uma espécie ou raça, então, o que são tais mensageiros ? Espíritos ? Jeová também o é (joão 4:24).

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