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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Respondendo perguntas sobre a relação entre Jesus e seu Pai (Parte 4)

Fonte: jw.org

Um leitor expressou suas dúvidas acerca da relação entre o Filho e o Pai. Observe as questões levantadas por ele:

Eu queria que você me respondesse algumas perguntas, mas é sobre a trindade. Aqui vai algumas delas:

Colossenses 2:9 diz que em Jesus mora toda a plenitude da qualidade divina. Jesus, sendo divino, ou tendo natureza divina, não faz ele ser igual a Deus? Existe outro ser que tenha divindade, igual Jesus?

Mateus 28:18 diz que Jesus recebeu ‘todo o poder no céu e na terra’. Mesmo que Jesus não fosse Todo-poderoso antes de vir à Terra, o fato de ele receber TODO O PODER não mostra que agora ele é Todo-poderoso, tendo autoridade sobre tudo?

Quando dizem que Jesus é Deus, eu uso 1 Coríntios 8:5 para rebater, porque lá diz que muitos são chamados de ‘deuses’ mas há somente um Deus. Mas sempre que eu uso essa passagem, dizem que meu raciocínio está errado, porque lá diz também que há um só Senhor, que é Jesus, mas em Deuteronômio 10:17 diz que Jeová é “Senhor dos senhores”. Tem algo errado aí?

Também uso 1 Coríntios 15:28 para dizer que, quando passar o reinado de Cristo, ele vai se sujeitar novamente a Jeová. Mas Apocalipse 1:6 diz: “A ele seja a glória e o poderio para sempre.” Como pode Jesus se sujeitar de novo e continuar tendo o poder “para sempre”, como diz em Apocalipse 1:6?

Também já li um artigo aqui no site onde explica que Jesus não tem a mesma glória que Jeová. Mas em Hebreus 1:3 diz o seguinte: “Ele é o reflexo da [sua] glória e a representação exata do seu próprio ser.” Então, se Jesus é o reflexo da glória de Jeová e é a representação EXATA de Deus, não seria correto dizer que Jesus tem a mesma glória que Jeová?

São essas as perguntas. Por favor, faz um esforcinho para me responder quando tiver tempo. Obrigado!

Resposta:

Colossenses 2:9

Lemos nesta passagem: “Porque é nele [Jesus Cristo] que toda a plenitude da qualidade divina mora corporalmente.”

Por serem “filhos de Deus”, os anjos também são “divinos”, ou possuem qualidade divina, divindade, do mesmo modo que os homens, por serem filhos de homens, são também humanos, possuem qualidade humana, ou humanidade. Observe os textos abaixo:

“Quando as estrelas da manhã juntas gritavam de alegria e todos os filhos de Deus davam gritos de louvor?” (Jó 38:7) O contexto desta passagem diz respeito à criação da Terra, quando o ser humano ainda não existia. Portanto, os referidos “filhos de Deus” são os anjos.

“Pois quem nos céus pode ser comparado a Jeová? Quem entre os filhos de Deus é semelhante a Jeová?” (Salmo 89:6) Observe que esta passagem diz respeito aos “céus” espirituais. Logo, os “filhos de Deus” são os anjos.

A obra Estudo Perspicaz (vol. 1, pp. 689-690) comenta sobre este assunto:

No Salmo 8:5, os anjos também são chamados de ʼelo•hím, segundo é confirmado pela citação desta passagem por Paulo, em Hebreus 2:6-8. São chamados de benéh ha•ʼElo•hím, “filhos de Deus” (Al); “filhos do verdadeiro Deus” (NM), em Gênesis 6:2, 4; Jó 1:6; 2:1. O Lexicon in Veteris Testamenti Libros (Léxico dos Livros do Velho Testamento), de Koehler e Baumgartner (1958), página 134, diz: “seres divinos, deuses (individuais)”. E a página 51 diz: “os singulares deuses”, e menciona Gênesis 6:2; Jó 1:6; 2:1; 38:7. Por isso, no Salmo 8:5, ʼelo•hím é vertido por “anjos” (LXX); “semelhantes a Deus” (NM).





Mateus 28:18


Esta passagem declara: “Jesus se aproximou e lhes disse: ‘Foi-me dada toda a autoridade [“ todo o poder”, ACF] no céu e na terra.’”

Na Bíblia, a palavra “todo”, “todas as coisas” etc., tem também sentido relativo, que tem que ser entendido segundo o contexto. O apóstolo Paulo mostrou isso em 1 Coríntios 15:27 onde ele escreveu: “Pois Deus ‘lhe sujeitou [a Jesus] todas as coisas debaixo dos pés’. Mas, quando ele [Deus] diz que ‘todas as coisas foram sujeitas’, é claro que isso não inclui Aquele que lhe sujeitou todas as coisas.” Assim, nesta passagem, “todas as coisas” não significa, literalmente, todas as coisas.

Em Mateus 28:18, esse sentido é evidente pelo fato de que Jesus RECEBEU “todo o poder” (ARC), quer dizer, “todo o poder” sobre as demais criações de Jeová.

1 Coríntios 15:24-28 diz respeito ao término do Reino Messiânico, que foi produzido por Jeová para restaurar todas as coisas. Por outro lado, isso não significa que Jesus e os que governarão com ele no Reino Messiânico, quando este findar, não terão outras atividades administrativas. Lemos em Apocalipse 22:5 diz o seguinte sobre os que comporão o reino do Cristo: “Eles reinarão para todo o sempre.” O mesmo se pode dizer do Senhor Jesus Cristo. Porém, não como Rei do Reino messiânico, o qual terá cumprido seu propósito e findado.

Para mais informações, veja os artigos:




1 Coríntios 8:6

Neste texto, o apóstolo Paulo afirmou: “Para nós há realmente um só Deus, o Pai, de quem procedem todas as coisas, e nós existimos para ele; e há um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem são todas as coisas, e nós existimos por meio dele.”

Nesse texto, a ênfase deve ser dada nas palavras grifadas a seguir: “Para nós há realmente um só Deus, o Pai, de quem procedem todas as coisas, e nós existimos para ele; e há um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem são todas as coisas, e nós existimos por meio dele.”

Ou seja: “há realmente um só Deus, o Pai” como a Procedência (Origem, Fonte) de tudo. Neste sentido, somente Jeová é Deus. Jesus é aludido na Bíblia como “deus” (João 1:1) ou “Deus” (Isaías 9:6), mas não é a Fonte, e sim, o intermediário, de tudo. Por outro lado, somente Jesus é Senhor como intermediário de todas as coisas. Pois Jeová é Senhor, mas não como intermediário, e sim como Fonte de tudo. Portanto, não há nenhuma contradição com o restante das Escrituras quando analisamos essa passagem dentro do real conteúdo dela.


Hebreus 1:3

Esta passagem diz: “Ele [Jesus Cristo] é o reflexo da glória de Deus e a representação exata do seu ser, e sustenta todas as coisas pela sua poderosa palavra. E, depois de ter feito uma purificação dos nossos pecados, sentou-se à direita da Majestade nas alturas.”

Com relação à “glória”, o texto não mostra igualdade do Filho com o Pai, pois diz tacitamente que o Filho é “reflexo” da glória do Pai. Refletir significa receber a glória (luz) de uma fonte e defletir (transmitir) essa glória. Isso evidentemente não mostra igualdade. Também, a expressão ‘representação exata do ser’ de Deus não subentende igualdade, e sim unidade. Sobre a união existente entre o Pai e o Filho, lemos as palavras do próprio Jesus:

“Jesus lhe respondeu: ‘Já faz tanto tempo que estou com vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me vê, vê também o Pai. Como é que você diz: “Mostre-nos o Pai”? Vocês ouviram que eu lhes disse: “Vou embora e vou voltar para vocês.” Se vocês me amassem, se alegrariam de que vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Pois não falei de minha própria iniciativa, mas o Pai, que me enviou, ele mesmo me deu um mandamento sobre o que dizer e o que falar. E eu sei que o seu mandamento significa vida eterna. Portanto, tudo o que eu falo, falo assim como o Pai me disse.’” – João 14:9, 28; 12:49, 50.

Todo o conjunto das Escrituras apoia este entendimento. 


Explicação das siglas usada:

ACF: Almeida Corrigida Fiel.
Al, ARC: Almeida Revista e Corrigida.
LXX: Versão Septuaginta.
NM: Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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terça-feira, 26 de novembro de 2019

Colossenses 2:9 à luz de Efésios 3:19

Jesus Cristo tem a plenitude da qualidade divina
Fonte: (jw.org


Lemos em Colossenses 2:9: “Porque é nele [em Jesus Cristo] que toda a plenitude da qualidade divina mora corporalmente.” Diversas traduções, ao invés de “qualidade divina”, vertem por “divindade”, a exemplo da Almeida Corrigida Fiel: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.”

Alguns entendem que a expressão “toda a plenitude da divindade” aplicada ao Filho o torna coigual a seu Pai, Jeová.

Um leitor propôs uma comparação, entre Colossenses 2:9 e Efésios 3:19. Observe como diversas traduções vertem Efésios 3:19:

 “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” – João Ferreira de Almeida, edição Revista e Atualizada.

 “Sim, embora seja impossível conhecê-lo perfeitamente, peço que vocês venham a conhecê-lo, para que assim Deus encha completamente o ser de vocês com a sua natureza.” – Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

“E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus.” – João Ferreira de Almeida Atualizada.

“E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.” – João Ferreira de Almeida Corrigida e Revisada, Fiel.

“E conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus.” – Nova Versão Internacional.

Após isso, o mesmo leitor argumentou: “Quem ficaria cheio de ‘toda a plenitude de Deus’? Os cristãos de Éfeso. Se eu usar o raciocínio trinitário de Colossenses 2:9 em Efésios 3:19, chegarei à conclusão de que os cristãos de Éfeso são deuses.”

Como demonstra a argumentação acima, a doutrina da coigualdade entre o Pai e o Filho não tem nenhum respaldo bíblico.

Veja também o artigo:




A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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domingo, 24 de novembro de 2019

Respondendo a um leitor sobre a posição de Jesus no propósito de Deus

Pedro reconhece Jesus como sendo o Filho de Deus
Fonte: jw.org


A respeito do artigo “Duas regras – uma falsa e uma verdadeira”, um leitor comentou o seguinte:

Isto não é raciocínio, é falta de fé em Jesus Cristo! Confia em seus raciocínios, mas não confia em Jesus como seu salvador. Se é para usar o raciocínio, responda: Jeová deu autoridade a um homem que não é Deus, mas é o “anjo Miguel”, para tirar o pecado do mundo? Que Deus é este que divide sua glória na obra da salvação com um ser criado? Deus não divide glória com ninguém!!! Por isso, o Filho glorifica o Pai e o Pai, o Filho; e o Espirito Santo, o Pai e o Filho; pois a gloria está somente em Deus.

O que a Bíblia nos diz é: o Pai elege, o Filho paga o preço e o Espirito Santo converte os corações. E isto é obra de um só “Deus”.

Resposta:

Reconhecer e adotar a posição bíblica sobre o Senhor Jesus Cristo – de que ele é o Filho de Deus e não Deus-Filho (expressão que nem aparece na Bíblia) – não é falta de fé em Jesus. A Bíblia declara: “A fé segue ao que se ouve. E o que se ouve vem por meio da palavra a respeito de Cristo.” (Romanos 10:17) De modo que a fé se fundamenta em conhecimento exato da Palavra de Deus. E a Bíblia como um todo apresenta Jesus, não como o Deus Todo-Poderoso, mas sim como o Filho de Deus. Como o apóstolo Pedro afirmou sobre Jesus Cristo: “O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivente.” – Mateus 16:16.

Para tirar o pecado do mundo, Jesus não poderia ser Deus-Homem, visto que, para prover o resgate, ele tinha de corresponder ao primeiro homem, Adão, o qual evidentemente não era Deus-Homem. Esta clara verdade foi exposta pelo apóstolo Paulo em Romanos, livro no qual lemos:

“Ainda assim, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre os que não haviam cometido pecado semelhante à transgressão de Adão, o qual tem similaridade com aquele que viria.” – Romanos 5:14.

Assim, Adão “prefigurava aquele que havia de vir [Jesus Cristo]” (Romanos 5:14, Almeida Revista e Atualizada). Jesus foi mencionado como “o último Adão”. (1 Coríntios 15:45) Para pagar o resgate pela humanidade, Jesus teria que ser o equivalente exato de Adão. O papel de Jesus em contrabalançar os efeitos nocivos do pecado de Adão foi belamente explicado por Paulo no mesmo capítulo 5 de Romanos, onde lemos:

“Pois, se a morte reinou por meio de um só homem pela falha dele, quanto mais aqueles que recebem a abundância da bondade imerecida e da dádiva da justiça reinarão em vida por meio de um só, Jesus Cristo! Portanto, assim como uma só falha resultou em pessoas de todo tipo serem condenadas, assim também um só ato de justificação resulta em pessoas de todo tipo serem declaradas justas para a vida. Pois, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos serão feitos justos.” – Romanos 5:17-19.

Para uma explicação de como a Trindade nega a doutrina da Redenção, ou Resgate, veja o artigo “A Cristandade e a Doutrina da Redenção”.


Jesus Cristo é o equivalente perfeito de Adão
Fonte: jw.org

Quando Jeová disse “a minha própria glória não darei a outrem” (Isaías 42:8), ele está se referindo, como o próprio texto se autoexplica, à glória que pertence a ele, de ser ele o Criador, o Deus Todo-Poderoso, o Altíssimo – atributos que não pertencem a mais ninguém, nem ao Filho. Mas isso não significa que Jeová não glorifique suas criaturas. Lemos em Romanos 8:30: “Finalmente, aos que ele [Jeová] declarou justos, também glorificou.”

Jeová glorificou seu Filho unigênito acima de todos os demais seres criados, conforme a Bíblia declara: ‘O Deus de nossos antepassados glorificou o seu Servo, Jesus.’ – Atos 3:13.

Quanto ao que a Bíblia afirma sobre o espírito santo, veja o artigo “O ‘Espírito Santo’ é uma pessoa?”.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Jó 14:12 indica o fim do Universo físico?

Fonte: jw.org


Um leitor comentou

No artigo “2 Pedro 3:7-12 se refere à destruição dos céus e da Terra literais?” você citou  o Salmo 72:5, que diz: “Temer-te-ão [a Jesus Cristo] enquanto houver o sol.” Após isso,  você perguntou: “Será que um dia os fiéis deixarão de mostrar temor respeitoso a Jesus Cristo?” Você usou esse texto bíblico para mostrar que o sol – e por consequência todo o Universo físico, inclusive o planeta Terra, existirão para sempre.

Mas, então, como explicar o texto de Jó 14:12? Esta passagem diz: “O homem também tem de deitar-se e não se levanta. Não acordarão até que não haja mais céu, nem serão despertados do seu sono.”

Usando a mesma linha de raciocínio que você usou para o Salmo 72:5, essa passagem de Jó não dá a entender que, enquanto houver “céu”, os mortos não serão ressuscitados?

Resposta:

Ao analisarmos passagens semelhantes, precisamos ter o cuidado de contextualizar cada uma das declarações. No caso de Jó, a declaração dele reflete seus sentimentos pessoais, conforme ele tornou claro em Jó 42:3, onde lemos: “Tu [Jeová] disseste: ‘Quem é este que está obscurecendo os meus propósitos sem ter conhecimento?’ É verdade, eu falei sem entendimento sobre coisas maravilhosas demais para mim, que eu não conheço.” Por outro lado, no caso do Salmo 72, trata-se de uma profecia sobre o Reinado do Messias.


O sofrimento de Jó
Fonte: jw.org

Ademais, no caso de Jó, sua hipérbole em Jó 14:12 retrata a situação do ponto de vista humano: ou seja, por meios humanos, seria realmente impossível que alguém voltasse a viver. Mas o mesmo Jó mostra sua confiança na ressurreição, conforme a continuação do relato, onde ele afirma: “Quem dera que me escondesses na Sepultura [hebraico: Seol], que me ocultasses até a tua ira passar, que estabelecesses um tempo e então te lembrasses de mim! Quando um homem morre, pode ele viver novamente? Esperarei todos os dias do meu serviço obrigatório, até vir o meu livramento. Tu chamarás, e eu te responderei. Terás saudades do trabalho das tuas mãos.” (Jó 14:13-15) Assim, suas palavras em Jó 14:12, além de refletirem seus sentimentos conturbados, são também uma hipérbole de que, humanamente, seria impossível voltar a viver.

Por outro lado, o Salmo 72 descreve a obediência leal que haverá entre os súditos do Messias, obediência e temor piedoso que serão eternos. – Salmo 72:5.


  
A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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terça-feira, 19 de novembro de 2019

O fato de o “Espírito Santo” convencer prova que ele é uma pessoa?


Fonte: jw.org

Falando a respeito do “Espírito Santo” no papel de “Consolador”, Jesus declarou: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.” (João 16:8, Almeida Corrigida Fiel) Os trinitários usam esse exemplo de personificação do “Espírito Santo” como argumento de que ele é uma pessoa – a suposta terceira pessoa da Trindade. Mas, sobre esse texto bíblico, o Professor de Hebraico e Grego, Rubens D. Oliveira, teceu um interessante comentário. O que segue a partir daqui é o esclarecedor comentário do referido professor. Queira ler com mente aberta e a máxima atenção.

Alguns citam João 16:8, onde diz que ‘o espírito convence as pessoas a respeito do pecado’, a fim de tentar “provar” que este espírito é alguém. Contudo, a palavra “convencer” usada em João 16:8, onde diz que o espírito santo “convence” a pessoa do pecado, é ἐλέγχω (el-eng’-kho), que significa “repreender”, “expor”, “convencer”. O próprio Jesus disse que as pessoas que praticam pecado “não se chegam à luz a fim de que suas obras não sejam repreendidas”. (João 3:20) Usa-se aqui a mesma palavra grega, que pode ser vertida “convencer” ou “repreender”. E quem faz isso, de acordo com Jesus? A luz! É ela alguém? Efésios 5:13 diz que as coisas “são tornadas manifestas” ou “repreendidas” pela luz.

Em todos estes textos, usa-se a mesma palavra grega que o texto onde diz que o ‘espírito santo convence a pessoa do pecado’. Esta é vertida CONVENCER em João 16:8! Ou seja, a luz não é alguém; contudo, ela também CONVENCE ou EXPÕE, REPREENDE pessoas!

Tiago 2:9 fala de os cristãos serem “repreendidos” (ἐλεγχόμενος [elegkhómenos]) pela Lei”. É a lei alguém? No entanto, ela também “convence” ou “repreende”, que é a mesma palavra grega usada. É claro que, se tomarmos o texto de João 16:8 de modo isolado, poderemos citá-lo a fim de promover uma doutrina particular e tradicional, mas não globalmente bíblica.

É típico dos que não estudam com afinco e dedicação se apegarem a textos esporádicos a fim de promover alguma doutrina para a qual procuram prova. Esta não é a maneira correta de pesquisar as Escrituras. É o mesmo que uma pessoa viajar para Curitiba e fotografar somente os lugares de menos destaque e até mesmo assustadores, a fim de criar um blog dizendo que a “cidade inteira” é aquilo que ele quer representar. Não seria a realidade sobre o panorama geral. Assim é a doutrina da personalidade do espírito santo.

[Fim do comentário.]

Para uma consideração das personificações atribuídas ao espírito santo em João, capítulos 14 a 16, veja o artigo “Personificação prova personalidade?”.




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domingo, 17 de novembro de 2019

Jeová pode ser chamado de Pai eterno?


Fonte: jw.org

Um leitor trouxe a seguinte questão:

Meus cumprimentos, Apologista!

Como sabemos, o título “Pai Eterno” biblicamente só é aplicado a Jesus. Contudo, já ouvi muitas Testemunhas de Jeová, pelo menos aqui da região, referirem-se ao Deus Supremo por esse nome, principalmente em suas orações. Tal prática seria correta, dada a exclusividade com que a Palavra de Deus emprega o título em questão?

Um abraço de seu irmão na fé que lhe deseja cada vez mais êxito em seu empenho apologético!

Resposta:

A profecia de Isaías 9:6 declara o seguinte a respeito do Messias: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; e o reinado estará sobre os seus ombros. Ele receberá o nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.”

Como vemos pela passagem acima, um dos títulos que o Messias, o nosso Senhor Jesus Cristo, teria é o de “Pai Eterno” (hebraico ’Avi·‛ádh). Não encontramos esse título na Bíblia com referência a Jeová, o Deus e Pai.

Mas, vejamos primeiro qual é o sentido da expressão “Pai Eterno” aplicada a Jesus.


[…] todos os títulos usados em Isaías 9:6 para o Filho têm a ver com sua atividade messiânica, a partir de sua existência humana, pois tais títulos são prefaciados pela frase “e será chamado …”.

Assim, por se tornar o Messias, Jesus se tornou também o “Pai Eterno”. Mas o “Pai Eterno” de quem? Curiosamente, outra profecia referente ao Messias menciona que ele teria ‘filhos’. Lemos em Isaías 53:10: “Ele verá a sua descendência, prolongará os seus dias E por meio dele será realizado o que agrada a Jeová.” Ademais, Isaías 8:18, citado em Hebreus 2:13, mostra o mesmo fato. Lemos o seguinte em tais textos:

“Eis que eu e os filhos que Jeová me tem dado, são para sinais e para portentos em Israel da parte de Jeová dos exércitos, que habita no monte de Sião.” – Isaías 8:18, Sociedade Bíblica Britânica.

“E outra vez: Eu porei a minha confiança nele; e de novo: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu.” – Hebreus 2:13, Sociedade Bíblica Britânica.

Como se dará isso?

O periódico A Sentinela (1.º de maio de 1984, p. 21) explica:

Adão foi o primeiro pai da raça humana. Entretanto, ele perdeu a oportunidade de ser “pai eterno” quando pecou. Não mais podia dar aos seus filhos vida eterna por herança. Jesus, por outro lado, não pecou. E, por sacrificar sua vida sem pecado a favor da humanidade, abriu o caminho para a vida eterna àqueles que exercessem fé. (João 3:16; 1 João 2:2) Deste modo, ele lhes dará a vida eterna que Adão fracassou em dar-lhes. Portanto, a Bíblia chama-o de “o último Adão”, “espírito vivificante”. (1 Coríntios 15:45) Ele é apropriadamente chamado “Pai Eterno” da futura raça humana perfeita.[1]

Em harmonia com a explicação acima, os textos abaixo mostram que Jesus assume o papel de Adão:

“Porque, assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos receberão vida.” – 1 Coríntios 15:22.

“Assim está escrito: ‘O primeiro homem, Adão, se tornou um ser vivente.’ O último Adão se tornou um espírito que dá vida.” – 1 Coríntios 15:45.

Devido a ter pecado e ter trazido a morte para a humanidade, Adão não é mais o pai eterno da humanidade. E pelo fato de Jesus ter morrido por nós, podemos ter vida eterna. Portanto, Jesus se torna o “Pai Eterno” da humanidade. Assim, é neste sentido que ocorre o título de “Pai Eterno” aplicado a Jesus Cristo.

Por outro lado, quando um cristão se refere a Jeová como “Pai eterno”, ele evidentemente o faz em outro sentido. A Bíblia se refere a Jeová, o Criador de todas as coisas, como “Pai”. Observe os textos abaixo:

“Mas agora, ó Jeová, tu és o nosso Pai. Somos o barro, e tu és o nosso Oleiro; todos nós somos trabalho das tuas mãos.” – Isaías 64:8.

“Por isso, eu me ajoelho diante do Pai, a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome.” – Efésios 3:14, 15.

“Portanto, orem do seguinte modo: ‘Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.’” – Mateus 6:9.

Também, Jeová é eterno, possuindo eternidade passada e eternidade futura. Lemos no Salmo 90:2: “De eternidade a eternidade, tu és Deus.”

Assim, não parece biblicamente objetável se referir a Jeová como “Pai eterno”, tendo em vista que os cristãos que assim o fazem não usam essa expressão no sentido messiânico que foi aplicado a Jesus Cristo. Mesmo quando a Bíblia aplica os mesmos títulos a Jeová e a Jesus Cristo, ela o faz em contextos e sentidos diferentes. Sobre isso, veja os artigos abaixo:




Nota:
[1] Produzido pelas Testemunhas de Jeová.


Referências:

Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/tb/hb/2>.

“O que significa Jesus ser chamado de ‘Pai da Eternidade’?” Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8me27PG1DNA>.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.
  


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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

A tentação de Jesus ocorreu após ou durante os 40 dias em que ele esteve no deserto?


Fonte: jw.org

Um leitor trouxe a este site a questão:

Em primeiro lugar, quero elogiar os excelentes artigos de estudos que você coloca no seu site. Mas gostaria que você me tirasse uma dúvida. Em Mateus 4:1-4 dá nos entender que Jesus só foi tentado pelo diabo depois de ter jejuado por 40 dias e 40 noites. E em Lucas 4:1-3 já dá a impressão de que Jesus foi tentado por 40 dias. E Marcos 1:13 já deixa outra dúvida quando usa a frase “e foi tentado. A tentação ocorreu durante os 40 dias ou depois dos 40 dias?

Resposta:

Vejamos como os três evangelistas descrevem a tentação que Jesus sofreu no deserto. Primeiramente, vejamos o que Mateus relatou:

“Jesus foi então conduzido pelo espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. Depois de ter jejuado por 40 dias e 40 noites, ele sentiu fome. E o Tentador se aproximou e lhe disse: “Se você é filho de Deus, diga a estas pedras que se transformem em pães.” – Mateus 4:1-3.

Observe que “depois de ter jejuado por 40 dias e 40 noites” o Diabo “se aproximou”. – Mateus 4:2.

Mateus 4:2
Κα προσελθν  πειρζων επεν ατ
Kaì proselthòn ho peirázon eipen autoi
E tendo-se aproximado o tentador disse a ele

Isto parece indicar que, durante o período de quarenta dias e quarenta noites, o Diabo não estava presente, tendo ele se aproximado após esse período.

Note também que a tentação deste relato da vida de Jesus é descrita como tendo ocorrida por meio das argumentações feitas pelo Diabo, as quais ocorreram após o jejum de 40 dias e noites.

Vejamos agora a passagem conforme escrita por Marcos:

“Assim, ele ficou no deserto por 40 dias, e foi tentado por Satanás. Ele estava com os animais selvagens, mas os anjos o serviam.” – Marcos 1:13.

κα ν ν τ ρμ τεσσερκοντα μρας 
kaì en em tei eémoi tesserákonta heméras
e estava no deserto quarenta dias

πειραζμενος π το Σαταν, 
peirazómenos hypó toû Satanã,
sendo tentado por Satanás

κα ν μετ τν θηρων, 
kaì en metà tôn theríon,
e estava com as feras

κα ο γγελοι διηκνουν ατ.
kaì hoi ággeloi diekónoun autôi.
e os anjos serviam a ele.

A fraseologia do relato por Marcos não parece estabelecer uma ordem cronológica, mas sintetiza os acontecimentos, fazendo uma descrição geral dos acontecimentos. Podemos inferir isso porque o fato de Jesus estar com as feras pode ter ocorrido durante os quarenta dias e quarenta noites. Contudo, com relação aos anjos o servirem, Mateus relata que isso ocorreu após a tentação feita pelo Diabo. Lemos em Mateus 4:11: “Assim, o Diabo o deixou, e então vieram anjos e começaram a servi-lo.”

Porém, na questão de estabelecer a ordem dos eventos na corrente do tempo, o Evangelho de Lucas é o mais intrigante. Lemos no texto grego, sem pontuação:

κα γετο ν τ πνεματι ν τ ρμ
kaì egeto en tõi pneúmati en tei eémoi
e foi conduzido pelo espírito ao ermo

μρας τεσσερκοντα πειραζμενος π το διαβλου
heméras tesserákonta peirazómenos hypó tõu diabólou
dias quarenta [quarenta dias] sendo tentado pelo diabo  

Há traduções da Bíblia que vertem essa passagem de modo a dar a entender que Jesus foi tentado pelo Diabo durante os quarenta dias. Veja os exemplos abaixo:

“E quarenta dias foi tentado pelo diabo.” – Lucas 4:2, ACF, ARC, ARC 1969.

“Onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo.” – Lucas 4:2, NVI.

“Onde foi tentado pelo diabo durante quarenta dias.”  – Lucas 4:2, NVT; veja também AM, ABV, BP; OL (Lucas 4:1), NTLH.

O mesmo fazem as traduções de língua inglesa ACV, AKJ, Dg, EMTV, GB, ISV, KJ, KJ 2000, MNT (versículo 1), NIV, RWV, RYLT, TCE, TPS, UKJ, VW, We, Wes, Wey, WT, YLT.

Outras traduções fazem diferenciação, colocando pontuação entre os quarenta dias e a tentação:

“Durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo.” – Lucas 4:2, ARIB, ARA, NAA, SBB, TB.

O mesmo fazem as traduções de língua inglesa ASV, BBE, BWE, Db, DR, EJ 2000, JWB, LO, MKJ, NHEB, NSB, RSV, RVV, Ro, UBV, WEB, WEBB, WMB, WMBB, e as traduções de língua espanhola LSE e RV.

A Tradução do Novo Mundo também coloca a pontuação de modo a transmitir o sentido de que a tentação ocorreu após os quarenta dias, conforme transcrição abaixo:

“Então Jesus, cheio de espírito santo, se afastou do Jordão e foi conduzido pelo espírito, no deserto, por 40 dias, e foi tentado pelo Diabo. Ele não comeu nada naqueles dias; assim, quando terminaram, ele sentiu fome. O Diabo lhe disse então: ‘Se você é filho de Deus, diga a esta pedra que se transforme em pão.’” – Lucas 4:1-3.

A BJ em português traduz aparentemente de modo a separar a tentação do período de quarenta dias. Lemos nessa versão: “Era conduzido pelo Espírito através do deserto durante quarenta dias, e tentado pelo diabo.” Essa tradução contém a seguinte nota de rodapé: “Lc [Lucas] une em sua narrativa os dados de Mc [Marcos] (quarenta dias de tentação) e os de Mt [Mateus] (três tentações depois de jejum de quarenta dias).”

Na realidade, o relato de Marcos, como já comentado acima, não parece conclusivo em determinar que a tentação durou quarenta dias. De modo correspondente, o Evangelho de Lucas também não é determinante nesse sentido, pois depende da pontuação usada. Por outro lado, o Evangelho de Mateus, como reconhecido pela nota da BJ, é claro em demonstrar que a tentação ocorreu após o período de quarenta dias.

Assim, parece coerente que o relato paralelo de Lucas seja vertido de modo a seguir a clareza do relato de Mateus, a fim de preservar a harmonia das Escrituras.


Explicação das siglas usadas:

ACF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
ACV: A Conservative Version.
AKJ: American King James Version.
AM: Ave Maria (tradução católica).
ARA: Almeida Revista e Atualizada.
ARC: Almeida Revista e Corrigida.
ARC 1969: Almeida Revista e Corrigida, ed. 1969.
ARIB: Almeida Revisada Imprensa Bíblica.
ASV: American Standard Version.
BBE: Bible in Basic English.
BJ: Bíblia de Jerusalém.
BP: Bíblia Pastoral.
Db: The ‘Holy Scriptures’ (Edição de 1949), de John Nelson Darby.
Dg: Diaglot 1865.
DR: tradução da Bíblia da Vulgata latina para o Inglês feita por membros do Colégio católico Inglês Douay. O Novo Testamento parte foi publicada em Reims , França, em 1582.
EJ 2000: English Jubilee 2000 Bible.
EMTV: English Majority Text Version.
GB: Genebra Bible.
ISV: International Standard Version.
JWB: John Wycliffe Bible.
KJ: King James Version.
KJ 2000: King James Version 2000.
LO: Living Oracles NT.
LSE: Las Sagradas Escrituras.
MKJ: Modern King James Version 1963.
MNT: Montgomery New Testament.
NAA: Nova Almeida Atualizada.
NHEB: New Heart English Bible.
NIV: New International Version.
NSB: New Simplified Bible.
NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
NVI: Nova Versão Internacional.
NVT: Nova Versão Transformadora.
OL: O Livro.
Ro: Rotherham Version.
RSV: Revised Standard Version.
RV: Versão em espanhol Reina-Valera, de Casiodoro de Reina e de Cipriano de Valera. 1989.
RVV: Revised Version 1885.
RW: Revised 1833 Webster Version.
RYLT: Revised Young’s Literal Translation NT.
SBB: Bíblia da Sociedade Bíblica Britânica.
TB: Tradução Brasileira.
TCE: The Common Edition: New Testament.
TPS: The Peschito Syriac New Testament.
UB: Updated Bible Version.
UKJ: Updated King James Version.
VW: A Voice in the Wilderness Bible 2006.
We: Tradução de Noah Webster, século 19.
WEB: World English Bible.
WEBB: World English Bible British Edition.
Wes: Wesley’s NT.
Wey: Weymouth NT.
WMB: World Messianic Bible.
WMBB: World Messianic Bible British Edition.
WT: William Tyndale Bible
YLT: Young's Literal Translation.


Referências:



Bíblia Pastoral. Disponível em: <http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_PWK.HTM>.

Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/vc/lc/4>.

Sociedade Bíblica do Brasil. Disponível em: <https://www.sbb.org.br/conteudo-interativo/pesquisa-da-biblia/>.




A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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