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terça-feira, 12 de maio de 2020

A expressão “carne e sangue” em 1 Coríntios 15:50 é uma alusão ao pecado do corpo humano?


Fonte: jw.org

Um leitor trouxe a este site a seguinte questão:

Gostaria que me esclarecesses algo: estava tendo uma conversa com alguém sobre o tipo de corpo em que Jesus ressuscitou. Usei 1 Coríntios 15 para mostrar que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus. E a pessoa me disse que meu argumento não prova nada porque os termos “carne e sangue” são expressões idiomáticas que fazem alusão ao pecado. Assim, Cristo, sendo perfeito na carne, poderia sim estar no céu com o corpo carnal pós-ressurreição.  Tal argumento procede?

Resposta:

O texto em foco é 1 Coríntios 15:50, onde lemos: Mas eu lhes digo o seguinte, irmãos: carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem pode o que é perecível herdar o imperecível.” Vejamos o contexto em que o apóstolo Paulo fez esta afirmação:

“Mas alguém dirá: ‘Como é que os mortos serão levantados? Sim, com que tipo de corpo virão?’ Insensato! Aquilo que você semeia não passa a viver a menos que primeiro morra. E o que você semeia não é o corpo que se desenvolverá, mas apenas um simples grão, seja de trigo, seja de algum outro tipo de semente; mas Deus dá à semente um corpo conforme lhe agrada, e dá a cada uma delas um corpo próprio.” – 1 Coríntios 15:35-38.

Usando a ilustração de uma semente (ou grão) que, ao ser semeada, é transformada em outro corpo, Paulo ilustra que o corpo recebido na ressurreição espiritual é diferente do corpo que o cristão tinha antes de morrer. Paulo continua ilustrando a diferença de corpos nos versículos seguintes:

“Nem toda carne é igual, mas existe a carne dos homens, e existe também a carne dos bois, a carne das aves e a dos peixes. E há corpos celestiais e corpos terrenos, mas a glória dos corpos celestiais é de um tipo e a dos corpos terrenos é de outro. A glória do sol é de um tipo, a glória da lua é de outro, e a glória das estrelas é de outro; de fato, uma estrela difere de outra estrela em glória. O mesmo se dá com a ressurreição dos mortos.” – 1 Coríntios 15:39-42a.

Observe que os exemplos de Paulo não fazem referência à imperfeição humana, não são uma ilustração da imperfeição. Ele apenas mostra a diferença de glória entre os diversos corpos materiais que existem, e não que uns são imperfeitos ao passo que outros são perfeitos. Não está em questão a imperfeição humana.

Após mostrar que os corpos materiais diferem em glória uns dos outros, Paulo aplica isso à ressurreição celestial:

“Semeado perecível, o corpo é levantado imperecível. Semeado em desonra, é levantado em glória. Semeado em fraqueza, é levantado em poder. Semeado corpo físico, é levantado corpo espiritual. Se há corpo físico, há também um espiritual.” – 1 Coríntios 15:42b-44.

O corpo humano, mesmo perfeito, é perecível, isto é, pode perecer. Em outras palavras, um homem perfeito não pode comer pedra ou pular de um penhasco sem causar dano a si mesmo. A “desonra” não está necessariamente ligada ao pecado, mas sim ao sofrimento como cristão. (Veja 2 Coríntios 6:8.) O ponto é que Paulo fala do corpo humano, constituído por carne e sangue, como “físico” (em contraste com o corpo espiritual), e não como corpo imperfeito. Os exemplos que Paulo citou para mostrar a diferença entre corpos (homens, bois, aves e peixes; sol, lua e estrelas) não foi para fazer alusão a alguma imperfeição desses corpos, e sim para mostrar a diferença de glória entre eles. De modo semelhante, Paulo ilustra a diferença de glória entre o corpo físico e o corpo espiritual, e não que um seja por natureza imperfeito e o outro, não. Vemos prova inegável disso nos versículos seguintes:

“Assim está escrito: ‘O primeiro homem, Adão, se tornou um ser vivente.’ O último Adão [Jesus Cristo] se tornou um espírito que dá vida. No entanto, não é o espiritual que vem primeiro [no caso, Adão, que não foi criado como espírito]. O que vem primeiro [Adão] é o físico, e depois vem o espiritual [o ressuscitado Jesus Cristo]. O primeiro homem vem da terra e é feito do pó; o segundo homem vem do céu. Como aquele feito do pó [Adão], assim são também os que são feitos do pó; e, como o celestial, assim são também os que são celestiais. E, assim como levamos a imagem daquele feito do pó, levaremos também a imagem do celestial.” – 1 Coríntios 15:45-49.

Observe que Paulo ilustra a diferença entre corpo físico e corpo espiritual usando, respectivamente, os exemplos de Adão e de Jesus Cristo. E observe que Adão é citado, não após ter pecado e ter se tornado imperfeito, e sim quando foi criado. Óbvio que, quando foi criado, Adão era perfeito. Sua carne e seu sangue não tinham imperfeição. Adão é referido “como aquele feito do pó”, dando foco em sua constituição física quando foi criado. Portanto, quando Paulo afirma: “Como aquele feito do pó, assim são também os que são feitos do pó”, a comparação não é com o Adão imperfeito, e sim com o Adão como ser vivente físico, humano, material, sem qualquer alusão ao pecado que veio a existir posteriormente. O foco é no corpo de Adão – um corpo material, em contraste com o corpo espiritual do Cristo ressuscitado. Jesus é chamado por Paulo de “último Adão”. Logo, a comparação é feita com o primeiro homem, Adão, antes de este ter pecado. Se a referência fosse a Adão como pecador, não haveria paralelo entre Cristo e Adão.

É dentro de toda essa dissertação que Paulo afirma: “Mas eu lhes digo o seguinte, irmãos: carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem pode o que é perecível herdar o imperecível.” – 1 Coríntios 15:50.

Paulo arremata o argumento que vinha desenvolvendo desde os versículos 36 e 37, a saber: “Aquilo que você semeia não passa a viver a menos que primeiro morra. E o que você semeia não é o corpo que se desenvolverá.” Ou seja, o corpo humano, constituído de carne e sangue, precisa morrer, para que o cristão possa ser ressuscitado com outro corpo – um corpo espiritual, de maior glória que o corpo físico.

O objetivo não é falar da pecaminosidade do corpo físico em comparação com a não pecaminosidade do corpo espiritual. Sabemos adicionalmente disso porque o exemplo da ressurreição espiritual é o do próprio Senhor Jesus Cristo. Jesus Cristo, como humano, tinha corpo físico, constituído de carne e sangue. Mas foi ressuscitado como “um espírito”. “O último Adão se tornou um espírito.” (1 Coríntios 15:45) A expressão “carne e sangue” do versículo 50 não poderia se referir metaforicamente ao pecado, visto que Cristo, em sua condição humana, de carne e sangue, não tinha pecado.

O objetivo de Paulo, conforme já exposto, era mostrar duas coisas fundamentais: (1.º) “Aquilo que você semeia não passa a viver a menos que primeiro morra.” (Versículo 36) Portanto, o corpo físico, constituído de “carne e sangue”, não poderia ir para o céu, não poderia herdar o Reino celestial de Deus. E (2.º): “O que você semeia não é o corpo que se desenvolverá.” (Versículo 37) Por conseguinte, o corpo físico, sendo semeado na morte, deixa de existir, e o cristão será ressuscitado com outro corpo – o corpo espiritual, celestial.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org



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