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domingo, 14 de agosto de 2022

O verbo “era” em João 1:1 indica que o Filho existe desde a eternidade?

 

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus.” – João 1:1, tradução da CNBB, 2.ª edição, 2002.


Um trinitarista alegou que o verbo “era”, na frase “no princípio era a Palavra”, indica eternidade passada; ou seja, que a “Palavra” (Jesus Cristo em sua existência pré-humana) já existe desde a eternidade. Diante disso, alguns pesquisadores cristãos compuseram uma refutação a tal argumento, a qual segue abaixo.

Contribuído.

O imperfeito do verbo εμ (eimí)


De fato, o imperfeito do verbo εμ [“ser”, “estar”] denota uma ação contínua iniciada no passado, mas sem se preocupar quando esta ação se iniciou exatamente ou terminou. A ideia de continuidade não implica, necessariamente, eternidade passada ou futura. Por isso, não dá para sugerir eternidade de Jesus, enquanto logos de Deus a partir do verbo ali empregado, pois o próprio texto localiza a ação no tempo, ao dizer “no princípio” e não “na eternidade passada”. Por mais longínquo que possa estar o “princípio”, a estadia do Logos com Deus, no texto, não vai além do princípio. A ideia de continuidade do imperfeito é, frequentemente, limitada pelo contexto, como por exemplo:


Mateus 27:54:  λέγοντες· ληθς θεο υἱὸς ν οτος (“dizendo: Verdadeiramente este era filho de Deus”). Só faz sentido, pelo contexto, entender o “ν” [“era”] a partir do ponto de vista do soldado romano. O imperfeito aí, para o militar, retrata que Jesus, enquanto vivo, era reconhecido como o Filho de Deus. Será que para o soldado romano o que morreu era o ETERNO filho de Deus, ou aquele que foi nascido filho de Deus e que acabara de morrer? Não faz sentido sugerir que o que morreu era eterno. Tal ideia não cabe no contexto.  


Marcos 11:13: ο γρ ν καιρς σκων (“não era tempo de figos”). É evidente que o imperfeito do verbo εμ [(eimí) por si só não determina, ou mesmo sugere, eternidade de alguma coisa. Não era tempo de fico desde quando? Claro que desde a última estação de figos, e até a próxima estação. Então, o ν é verdadeiro no tempo delimitado pelo contexto.


João 1:39: ρα δ ν ς δεκτη (“e era quase a hora décima”). Perceba que o verbo foi usado no imperfeito, como em João. 1:1, mas nota-se claramente que não se impõe qualquer ideia de eternidade. Portanto, é preciso entender o texto, sem colocar ideias próprias dentro dele.


O verbo “ser” em grego é o mesmo para o verbo “estar”. Nesse sentido temos:


Mateus. 2:9: ο ν τ παιδον (“onde estava a criança”) Estava desde quando e até quando? Desde sempre? Claro que não.


Mateus. 26:71: Κα οτος ν μετ ησο το Ναζωραου (“E este estava com Jesus, o Nazareno”). Estava desde quando? Desde toda a eternidade? Claro que não. Estava em todo o período em que pode estar.


Há muitas ocorrências em que se pode exemplificar que não é o imperfeito do verbo εμque determina o entendimento de eternidade, mas, apenas, um ato contínuo, porém dentro de um escopo determinado. E não podemos dizer que alguém, como Joao, usa a palavra “princípio” para sugerir eternidade de alguém. “No princípio” é no princípio, nada mais, nada menos.


Conclusão: Este é um problema com a análise dele, o erro lógico por causa da teologia, visto que o imperfeito não impõe eternidade e em João 1:1 está circunscrito ao princípio.

 

Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

 

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