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domingo, 20 de novembro de 2022

ARTIGO ESPECIAL: Romanos 13 – As “autoridades superiores” e o cisma de 1962 na Europa oriental (Parte 2)

 

Contribuído por Cristão Antitípico.


              Caso não tenha lido a parte 1, sugiro que a leia antes de ler a parte 2, para se inteirar do assunto. Para acessar a parte 1, clique aqui.

A PARTE 2 deste assunto contém mais detalhes e mais argumentos para a tese de Rutherford.

RESUMO DE A SENTINELA DE 1º DE JUNHO DE 1929, PARTE 2

1.    Tese:o arranjo concernente à igreja procede de Jeová e por Cristo. Todos na igreja que agradam a Jeová e a Cristo Jesus devem ser voluntariamente submissos ou obedientes a esse arranjo divino. Não há exceção a esta regra; e, portanto, deve sempre ser lembrado pelo ungido do Senhor e seguido estritamente.” [Parágrafo 1];

2.  Argumento: Não se poderia dizer que Deus estava julgando o mundo nos dias de Paulo, porque o próprio Paulo escreveu que ‘Deus designou um dia futuro em que ele julgará o mundo com justiça’ (quando governos injustos não existirão); Deus não interferiu com as nações da terra em fazer leis e aplicá-las. O julgamento referido por Paulo, em Romanos 13:2, deve ser aplicado à igreja, e esse julgamento deve ser pelo poder que Deus ordenou que julgará a igreja. Se o “julgamento” mencionado em Romanos 13:2 deve ser proferido e executado pelos poderes dos governos gentios, então tal julgamento deve ser proferido e executado por algum homem como juiz; e isso é contrário à Palavra de Deus, independente de quem seja o homem. Nenhum homem na igreja ou fora da igreja está autorizado a julgar alguém que está na igreja. (Romanos 2:1, 3) [Parágrafos 2-4];

3.  Tese: A substância da declaração de Paulo (Romanos 13:2) é esta: Que todo aquele que na igreja resiste ao arranjo que Deus fez para o governo de sua igreja está resistindo a Deus e, portanto, receberá punição de Deus por meio de Cristo Jesus por fazê-lo. [Parágrafo 5];

4.  Argumento: Se a palavra “governantes” usada por Paulo em Romanos 13:3 não se aplica ao arranjo na igreja, então a palavra deve se aplicar a Satanás e sua organização. [Parágrafo 6];

5.   Argumento: Os ministros de Deus não recebem o “louvor” das autoridades gentias por suas “boas obras”, que se referem a pregar o evangelho de porta em porta. Apenas as autoridades da igreja dão “louvor” às boas obras dos ministros de Deus. Portanto, as autoridades superiores não são os governos civis, mas aquelas no arranjo teocrático. [Parágrafo 7];

6.  Argumento: Na Libéria, África, o governo proibiu que um missionário da Sociedade pregasse a mensagem do reino. Deveria ele ser submisso a tal autoridade para evitar o furor dela contra ele? A resposta é não. Portanto, os cristãos não devem ser submissos às autoridades do mundo, mas ao arranjo teocrático. [Parágrafo 8];

7.   Tese: Em vista de tudo isso, Paulo ordenou os cristãos a serem submissos à Cristo, o cabeça da igreja, e àqueles que foram comissionados por ele como “governantes” na igreja; [Parágrafo 9];

8.  Argumento: O texto de Romanos 13:4 prova que a “autoridade” não pode ser a do mundo de Satanás. O texto diz: pois ela é serva de Deus para você, para o seu bem. Mas, se você faz o que é mau, tenha medo, porque não é sem motivo que a autoridade traz a espada. Ela está a serviço de Deus, para executar vingança e expressar ira contra quem pratica o que é mau.” (Romanos 13:4) Deus não ordenou nenhuma autoridade civil para executar julgamento sobre os membros da igreja. Logo, a autoridade superior é o Cristo apenas. [Parágrafos 10-12];

9.  Argumento: Os poderes gentios usam a espada para matar. Se o texto é aplicado aos poderes gentios, então significa que tais são revestidos de poder e autoridade sobre o povo do Senhor para literalmente matar aqueles que estão na igreja, e que tais são vingadores de Deus. Jesus foi acusado do mal da sedição, foi injustamente julgado e morto. Ao fazer isso, certamente o Diabo não estava agindo como vingador de Deus ali.” [Parágrafo 13];

10.         Tese: Isso não significa que cada indivíduo na igreja poderá punir outros a seu bel-prazer. “Cristo e os apóstolos são os governantes da igreja. . . e à eclésia foi confiada alguma autoridade. Nada disso é um terror para as boas obras; mas esse poder que o Senhor usa é um terror para as más obras e ele não porta em vão o instrumento punitivo de Deus.” [Parágrafo 14];

11.           Tese: Em Romanos 13:6, Paulo menciona o pagamento de “impostos”. Isso, entretanto, não prova que as autoridades são aquelas do mundo. Por que não? Porque Paulo está fazendo uma comparação. Por que razão os cristãos pagam impostos? Por causa da sua consciência. Da mesma forma, os cristãos devem ser submissos à autoridade superior, isto é, Jesus Cristo, por causa da sua consciência, não aos governos do mundo. [Parágrafos 15-19];

12.          Argumento: A expressão “eles são ministros de Deus” em Romanos 13:6 prova que as autoridades não são as do mundo de Satanás, mas aquelas que provêm de Jeová. A palavra para “ministros” é de onde deriva a palavra “liturgia”; refere-se à igreja, não ao mundo secular. [Parágrafo 20];

13.          Tese: O “temor” às autoridades superiores não se refere ao temor a um ancião, nem deve ser usado como meio de ganhar reverência; refere-se ao temor a Deus. (Efésios 5:21) [Parágrafos 21-24];

14.          Tese: Cada cristão deve honrar e respeitar seu companheiro na igreja. “Se um ancião na igreja trabalha de acordo com a Palavra da verdade pelos interesses do reino, então ele tem direito a dupla honra ou respeito. Se ele se opõe às obras do Senhor e à instrução sobre a obra do Senhor, então ele não tem direito a nenhuma honra. (1 Tim. 5:17)”. [Parágrafos 25, 26];

15.          Tese: Os cristãos devem obedecer leis de caráter moral nas nações (que ser harmonizam com as leis de Deus) não apenas porque se lhes é ordenado, mas por amor à verdade e porque obedecer é o certo a fazer. [Parágrafos 27-29];

16.          Argumento: Romanos 13:10 prova que Paulo não se referia às autoridades do mundo. “O amor não obra o mal para com o próximo; portanto, o amor é o cumprimento da lei.” Se uma nação ordena que um cristão vá à guerra e mate, o amor não poderia ser o cumprimento dessa lei. Portanto, as palavras de Paulo não se referem às autoridades do mundo. O cristão não deve obedecer à lei de uma nação quando contrária à lei de Deus. [Parágrafos 30, 31];

17.          Tese: Nenhum cristão deve ir à guerra nem deve interferir nas nações em guerra. Cada nação em guerra deverá decidir o que fazer. Os cristãos não se envolvem nisso. O cristão que morrer fiel a Deus, receberá sua recompensa celestial; mas se ele for à guerra e morrer em batalha, sua esperança acabará. [Parágrafo 32-37];

18.         Tese: Os cristãos erroneamente têm concluído o seguinte: “Devemos deixar o mundo ver que somos tão doces e inofensivos que os governantes observarão que estivemos com Jesus e aprendemos dele.” Isso está errado. Os cristãos devem ser destemidos e bravos. [Parágrafo 32-37];

19.          Tese: Não é hora de dormir, é hora de despertar para a obra do Senhor. (Romanos 13:11) O cristão não tem parte no mundo de Satanás. Cristo é o cabeça de todos os cristãos que são ungidos por espírito; a organização do Senhor é conhecida pelo título genérico “A Sociedade”. [Parágrafo 38-45];

20.       Tese: “Que todas as controvérsias cessem entre o povo do Senhor, e que aqueles que não desejam ter qualquer parte na obra do Senhor se afastem e permaneçam quietos e não tentem impedir a obra do Senhor.” Que todos os ungidos marchem juntos como um exército destemido. [Parágrafos 46-48];


                Posteriormente sugiro que você leia o artigo de 1929 de forma completa. Você pode usar o Google Tradutor caso não seja fluente em inglês.

 

Efeitos severos de um entendimento errado

                Após ter visto com seus próprios olhos quão intenso foi o ensino de 1929, talvez você ainda esteja se perguntando quão relevante foi. Os entendimentos de 1929 e 1962 produziram efeitos severos no protocolo das TJs [Testemunhas de Jeová] em geral e da liderança da organização.

                Entre os anos de 1929 e 1962, durante os quais o entendimento sobre as autoridades superiores de Romanos 13 era que se referiam a Jeová e a Jesus, as TJs no mundo inteiro tinham uma postura destemida e intrépida em relação aos governos seculares, ao ponto de que, com a mentalidade que temos hoje, julgaríamos “inconsequente”.[1] Em vários países as TJs batiam de frente com as autoridades quanto ao direito e dever de pregar. Não havia rota alternativa ou diplomacia, nem discrição, nem cautela – o negócio era punk. (Perdoem-me pela gíria, mas acho que o termo descreve corretamente o que tenciono dizer.)

                Nos EUA, a postura das TJs teve um resultado positivo na sociedade e foi determinante para que se abrissem portas para liberdades individuais que hoje existem em um dos países mais prósperos e livres do mundo. Portanto, os americanos têm muito a agradecer às Testemunhas de Jeová pela liberdade de expressão que usufruem.

                Em contrapartida, outro resultado dessa visão e postura foi que em muitos países muitos irmãos foram presos por pregar abertamente, sem discrição nem cautela, e por bater de frente com as autoridades. Certa irmã que tinha filhos em idade infantil foi presa por muitos anos por pregar e enfrentar autoridades destemidamente e por se negar a parar com a pregação de casa em casa. Ela perdeu a chance de ver seus filhos crescer, perdeu grande parte da vida na cadeia, sendo que isso poderia ter sido evitado se ela continuasse pregando, porém com a postura adotada atualmente pela organização, a saber, de discrição e cautela. Não havia isso na época.

                A revista A Sentinela de 1º de agosto de 1951, p. 125, par. 7 mostrou os efeitos do entendimento sobre as “autoridades superiores” enquanto ainda estava vigente:

As conclusões às quais se chegou foram publicadas nos números de 1 e 15 de junho de 1929 de The Watchtower no artigo, em duas partes, titulado “As Autoridades Superiores”. A aderência a estas conclusões desde então custou a muitas das testemunhas sua liberdade pessoal e até sua vida. Contudo perseguições, prisões, exílio, e morte violenta foram também o preço que os fiéis apóstolos de Jesus pagaram por dar a Deus as coisas de Deus e a César apenas as coisas de César e por prestar a devida sujeição às genuínas “autoridades superiores.”

                Depois de 1962, a coisa começou a mudar. Atualmente, as TJs ainda cumprem a ordem bíblica de pregar as boas novas, mesmo sob proscrição. (Mateus 24:14) Entretanto, hoje se usa de cautela, visando a proteção e o sigilo dos irmãos. Em países onde pregar é proibido, os irmãos não pregam de casa em casa, visto que este é um método de pregação, não uma ordem sobre como pregar. (Atos 20:20) Ademais, os irmãos não batem de frente com autoridades hostis à obra do reino; antes, eles procuram ser invisíveis aos olhos das feras. Esta postura é o oposto diametral da que vigorava entre 1929 e 1962.

                Em relação à essência no conceito do ensino de 1929 e do atual, contudo, a conduta civil e o reconhecimento da posição de Cristo e de Jeová são a mesa coisa. Atualmente as autoridades superiores de Romanos 13 não são entendidas como se referindo a Jeová e a Jesus, mas aos governos civis; ainda assim, toda Testemunha de Jeová no mundo inteiro entende que Jesus e Jeová são as maiores autoridades no universo, e sabem que é a eles que devem obediência absoluta. Ademais, mesmo em 1929 entendia-se a obrigação de cada cristão ser um cidadão exemplar e honesto nos deveres civis do cotidiano. Portanto, nestes pontos não há diferença relevante entre os dois entendimentos.

                Ficou claro até agora que o entendimento de 1929 foi algo muito, muito intenso e sério. Mas a coisa fica bem pior, quando consideramos os efeitos da veemência da posição das TJs a partir de 1929 sobre as “autoridades superiores” em como tratavam os que se opunham a este conceito, bem como a forma em que ocorreu a posterior mudança de conceito em 1962. Isto será considerado na parte final desta série de artigos.

 

Nota:

[1] Eu evidentemente admiro tal postura e acho até edificante ler relatos sobre as atitudes dos irmãos naquela época. Atualmente, nossa cultura criou em nós uma mentalidade mais politicamente correta, onde discrição e cautela são regras; conflitos devem ser evitados e sempre a diplomacia é priorizada. Mas nos anos que seguiram a 1929, as pessoas eram emocionalmente muito fortes e impávidas, destemidas. Isso parece estranho para nós hoje, mas era muito comum na época.


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

 

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

 




5 comentários:

  1. Quando alguém lhe disser "Confie na organização. Confie no corpo governante", "temos de seguir todas as orientações da organização", responda:

    "Temos que confiar da mesma forma que os irmãos confiaram e seguiram as orientações sobre o entendimento das autoridades superiores de Romanos 13 e foram presos e mortos e depois o ensino foi anulado e ficou tudo por isso mesmo? Quem morreu, morreu, quem foi preso, foi preso e fica tudo por isso mesmo?"

    Cuidado, vão chamá-lo de APÓSTATA.

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  2. Quais autoridades pediram a paralisação do serviço de pregação de casa em casa das TJs? As autoridades seculares?

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  3. O princípio de obedecer a Deus antes que aos homens ainda é válido entre as TJs?

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    1. RESPOSTA:

      Prezado, eu entendo sua indignação. Mas temos que observar alguns pontos além do superficial. Uma frase assim poderá mais desencaminhar do que elucidar. Evite esse tipo de frase, pois devemos ser profundos em análises e observações ao invés de apenas lançar uma frase tentando mitar.

      O ponto é que todas as religiões colocam a Bíblia em segundo plano, pelo menos em alguns pontos. Ninguém consegue seguir a Bíblia perfeitamente acima de toda regra humana.

      O ponto em questão é que devemos minimizar as regras de homens ao nível de que elas apenas nos causem um leve incômodo ou desconforto, mas não alterem toda nossa devoção a Deus, como é o caso da organização Torre de Vigia, cuja as regras de homens dominaram a organização do início ao fim, igual ao protestantismo, catolicismo, mormonismo e até os Adventistas.

      É necessário, entretanto, que a gente tenha em mente que nenhuma igreja será perfeita, e que a existência de mandamentos humanos aqui e ali não invalida completamente nossa adoração e devoção; devemos focar em consertar os problemas, não apenas em querer “mitar” com uma frase. Em verdade, “mitar” com uma frase bem dita só serve para marketing, mas não resolve coisa alguma. Precisamos de análises profundas e objetivos claros ao lançar críticas pontuais e apontar a solução. Isso sim gera resultados positivos.

      Abraço.

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  4. Confiar no CG é a mesma coisa de pular de um avião em pleno vôo sem paraquedas.

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