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Comentários adicionais sobre o artigo: “Qual a diferença entre apostasia, heresia e cisma?” (parte 3)

 

Contribuído.

Agradeço primeiramente a todos os que leram e expressaram suas opiniões sobre meu artigo em pauta. (Para ler o referido artigo, clique aqui.) É importante termos estas análises profundas, mesmo que haja diferentes pontos de vista. Antes de apresentar-lhes esta breve tréplica que darei a mais um comentário, peço que leiam os dois outros artigos “Comentários adicionais”, Parte 1 e a Parte 2. Tendo isto sido feito, passo agora a responder a mais um comentário. Adicionarei comentários imediatos em [azul] logo após os comentários do leitor.

Certo leitor argumentou:

Enquanto a “apostasia” ressalta a atividade de passar de uma posição doutrinária para outra, [concordo, esta é uma das definições que dei no meu artigo. Esta é a definição do dicionário.]  a “heresia” enfatiza a divisão que o falso ensino produz. [Concordo, esta é uma das definições que dei no meu artigo.]  A apostasia pode levar à heresia (alguém pode mudar de posição doutrinária e acabar formando um novo grupo, esse novo grupo adotando um conjunto especial de crenças). [Concordo, eu disse isso no meu artigo.]   A heresia pode levar à apostasia (ao aprender e abraçar uma doutrina herética, a pessoa se torna apóstata). [Concordo, eu também disse isso no meu artigo.]  Deixar a verdade dá origem a novos grupos e novos grupos dão origem a novos afastamentos da verdade. [Concordo, isso está implícito nos conceitos que expliquei nos meus artigos.] Veja 2 Timóteo 2:14-18. Por favor, remova estes artigos, pois eles não são completamente imprecisos.

[Fim do comentário do leitor.]

O que eu gostaria de comentar brevemente nesta minha resposta é sobre a última frase do leitor. Em resumo, aconteceu o seguinte: o leitor leu os meus artigos, repetiu os conceitos que apresentei, mas usando outras palavras, e depois concluiu que as informações do meu artigo estão erradas.

Como é possível isso acontecer? Este tipo de “refutação” é muito comum na internet, e não duvido que preceda à internet, mas com certeza agora esta atitude tem tomado espaço. Funciona assim: o sujeito A diz uma coisa e o sujeito B não gosta do fato de A dizer aquela coisa, aí o sujeito B faz uma resposta/refutação ao sujeito A repetindo a mesma coisa que este tinha dito para causar a impressão de que algo foi dito e assim ganha-se audiência. Isso é extremamente comum nas redes sociais. Em resultado disso, os seguidores daquele que fez a suposta “resposta” acham que ele “destruiu” fulano de tal.

Mas há ainda outro motivo por trás desta resposta curiosa: a veneração a corporações e a homens. Funciona assim: se a igreja X diz que “cobras têm pernas”, não importa que alguém prove que “cobras não têm pernas”, a pessoa que venera sua corporação não entenderá o que está sendo dito e os fatos que estão sendo apresentados, não porque o que está sendo dito talvez seja difícil de entender, mas porque a pessoa se sente atacada pelo fato de alguém discordar daquilo que a pessoa foi ensinada a crer, e ela acha isso uma blasfêmia tão grandiosa a ponto de sequer se aperceber de quais são as reais alegações que estão sendo feitas. Em resultado, a pessoa concorda com o que foi dito sem se aperceber, mas afirma que aquilo que foi dito é errado.

Tiramos uma boa lição deste exemplo: sempre que ler alguma resposta da internet, verifique primeiramente a alegação do autor, somente depois leia o que foi dito contra ele. Se todos fizessem isso, a guerra de ideias seria muito mais tranquila. 

Outro leitor comentou: 

Uma divisão famosa na igreja é o cisma de 1092, que separou a igreja oriental da ocidental (ou vice-versa). Como mostra a apostasia, cismas existiam na eclésia do século I. Eles não equivalem a apostasia, mas podem ser sérios. – Veja Gálatas 5:19-21.

1. O inglês “apostasia” deriva do grego ποστασία. (Veja 2 Tessalonicenses 2:1-3.) Biblicamente, a apostasia é o ato de afastar/afastar-se de Deus e da fé; é deserção e até mesmo rebelião contra Deus. O livro “Estudo Perspicaz das Escrituras” tem uma entrada para apostasia.

2. A palavra grega αρεσις inicialmente denotava “escolha” ou a coisa escolhida. (Veja Atos 5:17; 15:5.) Bill Mounce escreve que se poderia glosar a palavra grega como: seita (partido religioso), facção, heresia. A palavra também implica discórdia ou contenda. uma heresia passou a significar uma crença que se afasta da ortodoxia (crença/opinião correta). Por exemplo, os chamados membros da igreja ortodoxa muitas vezes acusam as Testemunhas de manter visões cristológicas heréticas.

3. σχίσμα [cisma] é uma divisão, ou fenda. (Veja 1 Coríntios 1:10ss.) Uma divisão famosa na igreja é o cisma de 1092, que separou a igreja oriental da ocidental (ou vice-versa). Como mostra Coríntios, cismas existiam na eclésia do século I. Eles não equivalem a apostasia, mas podem ser sérios (veja Gálatas 5:19-21).

[Fim do comentário do leitor.]

 Este leitor comentou corretamente. Todos os pontos deste comentário estão ótimos. 

 

Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

 

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

 

 

 

Comentários

Anônimo disse…
Bom dia, Apologista,

Acompanhei todos esses artigos que geraram controvérsia. Deixe-me me ver se entendi.

Ao que pude analisar, "apostasia", conforme a definição do dicionário, é sair de uma religião e ir para outra ou para o ateísmo. Isso é incontestável.

Segundo a Bíblia, significa abandonar a doutrina, isto é, a lei de Deus. Não posso refutar isso, pareceu-me bem embasado. O que é novo para mim, e passei a concordar com o que foi explicado, é que "criticar homens" não é apostasia.

Realmente, tenho de concordar que apostasia não é definida desta forma na Bíblia, mas é asism que o corpo governante define a palavra. E já digo, se isso parece inventado para a promoção da autoridade deles, não é mera coincidência. Todos os ditadores executam seus críticos.

Já a heresia é quando um irmão passa a ensinar coisas que são claramente erradas e isso causa divisão ou partidarismo, mas não se refere a coisas não tão claras, como opiniões diferentes sobre cumprimentos de profecias, e também não se refere a criticar o corpo governante. Este último se refere ao cisma.

Um irmão numa congregação aqui onde moro foi chamado pelos anciãos da congregação dele de "apóstata" por dizer, PASMEM, que essa regra de que "cristão não pode ter barba" é errada. Isso não é apostasia nem heresia e eu achei um absurdo isso. Claro que o corpo governante sabe que essas coisas têm acontecido. O que parece para mim é que eles simplesmente não se importam que aconteçam. Eles querem realmente que aconteçam, é o que parece. Se não quisessem, já teriam desfeito a regra. Então os anciãos desligaram o telefone na cara dele chamando-o de "apóstata" só porque ele disse que a regra contra a barba é antibíblica e errada. E de fato ele está certo. Essa regra é antibíblica e errada mesmo.

Infelizmente, meu irmão, o termo "apostasia" tem ganhado um sentido que se limita a "discordar do corpo governante". Ou você concorda com tudo que vem do corpo governante, ou você é "apóstata" para a congregação. Isso não é apostasia, contudo, e o irmão que escreveu estes artigos está corretíssimo.

Ao contrário, o que o corpo governante está fazendo, chamando de apóstata quem diz que a regra contra a barba é antibíblica, isso sim é HERESIA. Tem causado divisões entre irmãos, tem feito irmãos tropeçar. Quem pagará por isso? Vai entrar na conta da imperfeição de novo? Isso poderia resultar na desassociação dos membros do corpo governante. Eles não podem fazer isso porque isso é heresia.

Ensinar que cristão não pode ter barba é HERESIA. Os que propagam essa HERESIA serão julgados por isso. (Tiago 3:1)
Anônimo disse…
Primeiro, se alguns anciãos da congregação chamam alguém de apóstata por ter barba, eles estão errados, isso não tem nada a ver com o Corpo Governante. http://defendingjehovahswitnesses.blogspot.com/2011/12/beard-links-to-information.html?m=1 ((Irá traduzir para o inglês)

Em segundo lugar, as TJ's definem apostasia como corretas, algumas coisas em seu artigo estão erradas. Isso foi enviado para Betel e esperamos que eles resolvam isso em breve. Há pessoas na organização que são estudiosos e entendem muito bem essa língua grega e sabem que o que você está pressionando não é 100% correto. Eu sugiro que você remova esses artigos.
Anônimo disse…
CONTINUANDO...

Veja só, mesmo em 2014, na revisão do livro “Beneficie-se da Escola do Ministério Teocrático”, o corpo governante ainda determina o que significa ter boa aparência.

“Para os homens, aparência esmerada pode incluir estar bem barbeado. Em lugares em que o bigode é amplamente encarado como dignificante, quem o usa deve mantê-lo bem aparado.” (https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1102001084?q=pode+incluir+estar+barbeado&p=par)

Se um cristão com barba deseja fazer partes nas reuniões, será impedido. Em alguns lugares, pode ser que alguns anciãos locais permitam, mas a regra geral é que eles não serão permitidos. Portanto, “pode incluir estar bem barbeado” significa, na prática, DEVE incluir tirar a barba.

Podemos confirmar isso com a orientação para congressos em 2009. (Veja a foto original em inglês: https://www.jwfacts.com/images/beard-2002-drama-stand-firm-in-troublesome-times-jeremiah.jpg)

Ali diz basicamente que os participantes do drama deveriam usar “barbas falsas” e que “não é apropriado que deixem suas barbas crescer”. Eu já participei de um drama bíblico, e afirmo que na prática funciona assim: Se um membro do elenco tivesse barba, seria chutado do elenco. Fim de papo. Portanto, não me venha com esse papo de que “isso não é do corpo governante”.

Outra prova de que o corpo governante ensina os anciãos a linchar quem usa barba é o modo como quem tem barba é apresentado nas ilustrações da Torre de Vigia. Em todos os casos, somente PESSOAS REBELDES são apresentadas como tendo barba na literatura da organização, ao passo que em todos os casos de conversão para a religião, as pessoas que tinham barba são mencionadas como tendo raspado suas barbas para se tornarem TJs. (Números em inglês: g70 3/8 p.14, w73 3/1 pp.139,140, w74 8/15 p.510, w76 2/15 p.109, w77 8/1 p.462, w77 9/1 pp.533,534, w85 12/1 pp.30,31, w88 12/1 pp.30,31, w89 11/1 p.30, w95 5/1 p.24, w99 1/1 p.4, g99 2/8 p.16, w99 4/1 p.24)

O uso de barba é também tratado pelo corpo governante como “vestimenta inapropriada”, assim como uso de vestimenta provocativa, em Correspondence Guidelines (2007) em inglês. (Veja o link: https://www.jwfacts.com/images/beard-correspondance-guildelines-p20.jpg)

Por último, porém não menos relevante, Stephen Lett, membro do corpo governante, transmitiu a mensagem de que irmãos que usam barba ferem a consciência dos outros e desrespeitam os outros. Ou seja, a mensagem é: “Se você é um bom cristão, tire a barba!”. (Link do vídeo: https://www.jwfacts.com/video/beards-lett-feb-2018.mp4)

Portanto, não é de admirar que anciãos chamem de “apóstata” um irmão que diz que a regra contra barba é errada. É exatamente isso que são ensinados a fazer PELO CORPO GOVERNANTE.





Anônimo disse…
Sobre seu outro comentário:

“Em segundo lugar, as TJ's definem apostasia como corretas, algumas coisas em seu artigo estão erradas.”

PROVE. O primeiro sujeito tentou provar e não conseguiu.

“Isso foi enviado para Betel e esperamos que eles resolvam isso em breve.”

E o que eu tenho que ver com isso?

“Há pessoas na organização que são estudiosos e entendem muito bem essa língua grega e sabem que o que você está pressionando não é 100% correto. Eu sugiro que você remova esses artigos.”

Essa é a sua opinião. Só falta prová-la.

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