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Por quais motivos um membro da igreja deve ser excomungado? (Parte 2)

Fonte: jw.org
 

Contribuído.

No artigo anterior expliquei como se dá a excomunhão nas três denominações examinadas – na Igreja Católica (ICAR), entre as Testemunhas de Jeová (TJs) e na Igreja dos Santos dos Últimos Dias (ISUD), e também como o protestantismo tradicional costumava enxergar as palavras de Paulo em 1 Coríntios, capítulos 5 e 6.


   Neste artigo, mostrarei quais são os pecados listados na Bíblia como base para a excomunhão/desassociação. 

A base deve ser apresentada claramente na Bíblia

Visto que eu acredito que cada detalhe na Escritura é relevante e que cada palavra e cada nuance são importantes, eu também acredito que apenas quando a Bíblia diz que um pecador deve ser excomungado/desassociado, então tal pessoa de fato deve ser excomungada/desassociada. Não cabe a nós adicionar pecados de excomunhão/desassociação sem base bíblica.

Inclusive, este é um dos princípios do Direito Penal. O artigo 1º diz:

“Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.”[1]

Isso significa duas coisas: 1) Que uma ação só é criminosa se estiver prescrita na lei como tal; 2) Que uma ação só é criminosa se houver uma punição prescrita na lei. De forma similar, não cabe a nós adicionar pecados de excomunhão que a Bíblia não menciona como sendo de tal forma, tampouco nos é concedido o direito de não aplicar a excomunhão de pecadores que a Bíblia prescreve como sendo passíveis de desassociação.

“Cometer fornicação” versus “ser um fornicador”

Quando uso a expressão “pecados de desassociação”, devo admitir que, embora prática e usual, ela não é precisa; e apenas me sinto confortável em usá-la junto da observação a seguir: a Bíblia não fala de ações, mas de personalidades que devem ser expulsas da congregação.

A Bíblia não diz que “aquele que cometeu fornicação” deve ser desassociado, mas aquele que “for fornicador” (pornos). Isso é chamado na linguística de nomen agentis.

Dissertação sobre nomen agentis

A expressão tomada do latim nomen agentis significa o “agente do substantivo”. O nomen agentis é uma palavra que deriva de outra palavra que denota uma ação, e que identifica uma entidade que realiza essa ação.[2]

Normalmente, o termo derivado na definição acima tem o sentido estrito anexado a ele na morfologia, ou seja, a derivação toma como entrada um lexema (uma unidade abstrata de análise morfológica) e produz um novo lexema.

Vemos vários exemplos de nomen agentis na Escritura. Alguns perguntaram sobre Jesus de Nazaré: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria...?” (Marcos 6:3) O termo “carpinteiro” não significava que Jesus ficou conhecido por ajudar a construir uma mesa ou cadeira, mas esta era a própria profissão de Jesus. Isso é um nomen agentis.

O profeta Amós não apenas riscou alguns figos para que amadurecessem mais rapidamente. Ao contrário, ele era um riscador de figos.

(Amós 7:14) Então Amós respondeu e disse a Amazias: “Eu não era profeta, nem era filho de profeta; mas eu era boieiro e riscador de figos de sicômoros.

Jesus avistou Pedro e André e percebeu que eles eram pescadores.

(Mateus 4:18) . . . ele viu dois irmãos, Simão, que é chamado Pedro, e André, seu irmão, abaixando uma rede no mar, pois eram pescadores.

Perceba que Pedro e André não tinham ido pescar por lazer uma ou outra vez no mês. Antes, eles eram pescadores por profissão. Isto é um nomen agentis.

Em outras palavras, o escritor inspirado lista personalidades que devem ser expulsas da congregação, não pecados que foram cometidos. Qual a diferença entre “cometer fornicação” e “ser um fornicador”? É a mesma diferença entre “embriagar-se” e “ser um beberrão”. Sobre esta diferença, veja o que declarou a revista A Sentinela (1º de novembro de 1983, p. 8, publicada pelas Testemunhas de Jeová):

Primeiramente, deve-se notar que há diferença entre cair inconscientemente no erro de beber demais, numa certa ocasião, e ser beberrão — tomando por hábito ficar embriagado. Considere o exemplo de Noé, que em certa ocasião bebeu vinho demais e ficou embriagado. (Gên. 9:20, 21) Certamente, Noé não era beberrão inveterado. Não há nenhum outro indício nas Escrituras de que ele se tenha embriagado alguma outra vez.

O comentário acima é ótimo e preciso. Esta mesma lógica se aplica a todas as personalidades citadas por Paulo que devem ser expulsas da congregação.

O que muitos acham que é pecado de desassociação

O que de fato é descrito nas Escrituras Sagradas

Aquele que cometer fornicação

O fornicador

Aquele que se embriagar

O beberrão

Aquele que adorar um ídolo

O idólatra

Aquele que furtar algo

O ladrão

Aquele que cometer adultério

O adúltero

Aquele que injuriar alguém

O injuriador

Etc.

Não estou argumentando aqui que uma pessoa poderá fornicar quantas vezes quiser e não poderá ser desassociada. Naturalmente, fornicadores fornicam e não se arrependem; beberrões bebem e não se arrependem; idólatras adoram a ídolos e não se arrependem; mas o que Paulo mostra é que não são ações, e sim personalidades o ponto central quanto a o que determina se uma pessoa deve ou não ser expulsa da congregação. Leia 1 Coríntios 5:11 e 6:9.

Portanto, não é aquilo que a pessoa fez uma ou duas vezes, mas aquilo que a pessoa se tornou que deve ser base para sua desassociação/excomunhão.

Os pecados de desassociação apresentados na Bíblia

Abaixo segue a lista escriturística dos pecadores que devem ser expulsos da congregação:

1.  (pornos) – Fornicador (indivíduo que se tornou praticante de sexo ilícito). A seguir, apresento as referências bíblicas a ações específicas descritas como sendo porneía:

Referências de porneía a ações específicas nas Escrituras Gregas.

Passagem

Citação

Referência

Mateus 5:32

No entanto, eu lhes digo que todo aquele que se divorcia da sua esposa, a não ser por causa de imoralidade sexual, [porneia] a expõe ao adultério, e quem se casa com uma mulher divorciada comete adultério.

Adultério: relação sexual entre uma pessoa casada com alguém que não é seu cônjuge.

1 Coríntios 7: 1, 2

Agora, quanto às coisas sobre as quais vocês escreveram, é melhor que o homem não toque em mulher; 2 mas, visto que há tanta imoralidade sexual, [porneia] que cada homem tenha a sua própria esposa, e que cada mulher tenha o seu próprio marido.

  Sexo entre duas pessoas solteiras. Abrange qualquer tipo de relação sexual entre solteiros, como sexo anal e oral.

Judas 7

. . . Sodoma e Gomorra e as cidades em volta delas também se entregaram a crassa imoralidade sexual [ekporneuō - verbo relativo à porneia] e foram atrás de desejos carnais desnaturais; elas estão diante de nós como exemplo de aviso por terem sofrido a punição judicial do fogo eterno.

Sexo desnatural. A expressão “desejos desnaturais” é em relação à troca do macho pela fêmea e vice-versa. Abrange também o sexo oral e anal entre eles.[3]

Com base na relação entre o verbo ekporneuo (fazer sexo ilícito) e a expressão “desejos carnais desnaturais”, eu estenderia o conceito de porneia à bestialidade, isto é, sexo entre humanos e animais.


Essas são as únicas referências de porneía a ações concretas nas Escrituras Gregas Cristãs. Um cristão que se torna um fornicador, a saber, um praticante de sexo ilícito em qualquer uma das formas apresentadas acima, deve ser desassociado da congregação.

O termo porneía, entretanto, não se refere a carícias ou “amassos” entre solteiros. Mesmo que dois solteiros acariciem os órgãos sexuais um do outro, seja por cima ou por baixo da roupa, a Bíblia não diz que tal ação é porneía. Não estou defendendo que solteiros devam ou possam fazer isso. É claro que essa postura é imprópria para cristãos solteiros. O único ponto que defendo aqui é que a Bíblia não define estas ações como sendo porneía. Portanto, a menos que dois solteiros mantenham relações sexuais, eles não são culpados de porneía.

2.(moikhos) – Adúltero. O adúltero é a pessoa casada que mantém relações sexuais com alguém que não é seu cônjuge. Não se refere a beijar alguém que não é seu cônjuge, como um beijo encenado em um filme ou novela, mas a fornicar.

Devo observar que não estou em hipótese alguma promovendo a ideia de que um cristão deva participar de uma cena de filme em que beija outra pessoa que não é seu cônjuge; tampouco estou defendendo que um cristão casado poderia “ficar” com outra pessoa, o que talvez envolva beijos e abraços calorosos. Definitivamente, envolver-se em beijos dramatúrgicos pode ser um laço para o cristão casado; e se um casado “ficar” com alguém, mesmo que não haja relações sexuais, é uma espécie de traição. O que estou mostrando aqui é que isso não corresponde à definição de “adultério”.

O termo “adultério” é definido no dicionário como “traição que se efetiva quando alguém tem relações sexuais com outra pessoa com a qual não está casado”.[4]

Em outras palavras, o adultério é uma das formas de porneía. Se não houver relação sexual pode até existir uma traição, mas não há adultério.

3.(pleonektēs) – Ganancioso/ chantagista/ explorador/ fraudador – Aquele que se apropria de algo que não lhe pertence por meios ilegais, que subjuga os mais fracos e enriquece por explorar os outros com lucros desonestos.

Dissertação sobre pleonektēs

A maioria das traduções verte esse nomen agentis como “ganancioso” ou “cobiçoso”. Estas traduções apontam para a inclinação mental e os desejos. Todavia, Paulo está listando pecados de desassociação, e é impossível que alguém seja expulso da congregação por desejos e inclinações pecaminosas. Apenas Deus poderá nos julgar por nossos sentimentos, jamais a congregação.

O fato de pleonektēs ser o substantivo relativo ao verbo pleonekteō exclui a definição estática de pleonektēs como “ganância”. Vou mostrar isso.

Vejamos o verbo pleonekteō e o substantivo pleonexia (ganância) e seus usos na Septuaginta Grega (LXX). Em Jeremias 22:17 (TNM86) nós lemos:

“Seguramente, teus olhos e teu coração só estão no teu lucro injusto (bætsa').

O substantivo hebraico bætsa’ significa “lucro injusto” ou “ganho desonesto”, e a LXX traduz bætsa’  com a palavra grega pleonexia, que significa “ganância”, e isso mostra que “ganância” neste exemplo é o mesmo que “ganho desonesto”. Assim, pleonexia neste versículo não é um desejo ou um estado de espírito, mas representa o resultado de um desejo, ou seja, ganho desonesto.

O termo hebraico - bætsa’ corresponde ao termo grego pleonexia, e significa “lucro injusto”, não “ganância”, e se refere a uma ação, não a um sentimento ou inclinação mental.

Temos um exemplo semelhante em Ezequiel 22:27 (TNM86)

27 Os príncipes dela no seu meio são como lobos dilacerando a presa em derramamento de sangue, destruindo almas para obter lucro injusto (bātsa‘ bætsa‘).

O texto hebraico de Ezequiel tem o verbo bātsa’, que significa “ganhar pela violência”, expresso como uma construção infinitiva e o substantivo bætsa’, que significa “lucro injusto”, da mesma raiz. A LXX traduz o verbo bātsa’ usando a 3ª pessoa do presente do subjuntivo ativo do verbo pleonekteō com o sentido de “aproveitar alguém, explorar, trapacear”; já o substantivo bætsa’ é traduzido por pleonexia, ou “ganância”. Assim, vemos que na LXX, o verbo pleonekteō tem o significado de adquirir “lucro injusto” e “enriquecimento pela violência”, e pleonexia tem o significado de “ganho desonesto”.

Embora o nomen agentis “ganancioso”, derivado de “ganância”, seja usado frequentemente nas traduções para pleonektēs, as palavras de Paulo não podem ser uma referência a desejos. Portanto, a palavra tem de se referir a ações concretas, conforme os exemplos citados. Em vista disso, a melhor expressão é “chantagista”, “explorador” ou mesmo “fraudador”, não “ganancioso”. A ganância é geralmente definida como “vontade intensa e permanente de possuir ou de ganhar mais do que os demais.” [5] Não é o “desejo insaciável de ter mais” que está sendo mencionado por Paulo, mas as ações pelas quais se obtém algo com fraude, exploração ou chantagem[6] ilegal.

Em harmonia com isso, o dicionário Mounce Concise English-Greek define o substantivo pleonektēs como “aquele que frauda a fim de ter ganho”. Portanto, uma pessoa que promove fraudes, escândalos, a fim de enriquecer às custas dos outros deve ser desassociada.

4.(eidōlolatrēs) – Idólatra. Pessoa que se envolve na adoração e ídolos, sejam estes humanos ou criados por humanos; até mesmo envolve a idolatria à criação em vez de ao Criador, tal como a adoração de um deus-sol. A idolatria também envolve o satanismo, o ocultismo, e qualquer prática religiosa idólatra, tal como produzir e vender ídolos e frequentar centros espíritas. Não se refere ao turismo em locais históricos e religiosos, tais como templos antigos, igrejas históricas, dentre outras construções.

A idolatria pode se tornar pública por meio da apostasia. Apostasia é quando um membro da congregação abandona a fraternidade cristã e se converte a uma religião com práticas antibíblicas, tais como a adoração de ídolos.

5. (loidoros) – Injuriador. Refere-se a uma pessoa abusiva, que insulta com violência, ultraja outros. No vocabulário informal diríamos que tal pessoa “espragueja”, ou amaldiçoa outros com palavrões. Lembremo-nos novamente de que não se trata de alguém que, em um momento, perde a paciência e insulta outra pessoa. Antes, o termo se refere a alguém que tem o hábito de injuriar outros, chamando-os de nomes indignos, insultando-os violentamente. Um exemplo disso é o marido que tem o hábito de insultar a esposa (ou mesmo outras mulheres), chamando-a de “prostituta” e outros nomes até piores.

6.(methysos) – Beberrão/alcoólatra A raiz deste pecado de desassociação não é o álcool em si, mas aquilo que o álcool provoca, a saber, a intoxicação. Intoxicar-se significa “ficar chapado”[7] no linguajar informal. No caso em questão, a intoxicação pelo álcool é apresentada, mas o princípio se aplica a todos os métodos de intoxicação. Por exemplo, se a intoxicação ocorrer por álcool, maconha, cocaína, morfina ou outras drogas pesadas, o princípio não é alterado. Assim, um cristão que fica chapado de morfina, cocaína, maconha e outras drogas para fins de intoxicação é considerado um drogado e deve ser expulso da congregação.

No que tange ao uso medicinal, porém, a finalidade do uso de drogas não é a intoxicação. Ninguém se submete a uma cirurgia com a finalidade de receber anestesia geral e ficar chapado. Pode acontecer de cristãos serem viciados em analgésicos porque possuem dores crônicas, mas isso obviamente não se aplica ao pecado de desassociação.

Tampouco o uso de medicamentos como metadona, que serve para inibir os sintomas de abstinência de drogas pesadas como heroína, é passível de desassociação, pois a metadona não deixa ninguém “chapado”; ao contrário, é justamente para que a pessoa não tenha uma recaída nas drogas que ela usa metadona sob orientação médica.

Portanto, se o uso de maconha ou outras drogas mais fortes, tal como morfina, for puramente medicinal, sob prescrição médica, sem fins recreativos, não é pecado de desassociação.

7. (malakos) – Homossexual passivo. Não se refere a pessoas com desejos homossexuais, mas a praticantes de sexo ilícito segundo a Escritura. Está incluído no conceito de porneía. O termo malakos significa “macio” e, quando referente a coisas, descreve coisas delicadas, tais como “roupas delicadas”. (Mateus 11:8) Por causa do sentido “delicado” da palavra, quando usada em sentido moral se refere especificamente ao macho/menino que faz o papel da fêmea na relação sexual com outro macho. Este tipo de menino comumente era “delicado”, ou “afeminado”, e por isso era chamado de malakos. Segundo o comentarista Albert Barnes, a palavra “é aplicada nos escritos clássicos aos […] catamitas.”

8.(arsenokoitēs) – Homossexual ativo. Não se refere a alguém que é abusado sexualmente, nem a alguém que tem desejos homoafetivos, mas a um homem sodomita, “que se deita com outro homem como se fosse com uma fêmea”. (Thayer’s Greek Definitions). A prática está inclusa no conceito de porneía.

9.(kleptēs) - Ladrão – Pessoa que furta; por extensão, que rouba. Não se refere a alguém que, em desespero, furtou algo pequeno para comer, mas a um indivíduo que é ladrão por hábito ou mesmo por profissão.

10. (harpax) – Extorsor/homem voraz. É semelhante a explorador/fraudador, porém, refere-se a coisas mais extremas do que apenas ter ganho desonesto. Refere-se ao tipo de pessoa que rouba, que toma tudo que vê pela frente, tal qual um lobo voraz. (Veja Mateus 7:15.) Não se refere a jogar na loteria, nem a comprar uma raspadinha, nem a cobrar um dote alto pela noiva. Não se refere a trabalhar em uma casa de jogos de azar. Não se refere a apostar em um cassino.

Este é um termo bastante forte que remete a alguém ímpio, um bandido. Um traficante de drogas, um rei do tráfico, se encaixa perfeitamente neste termo.

11.   (hairetikos) – O homem herege/que promove uma seita. Refere-se a um falso instrutor que introduz doutrinas falsas sobre o Cristo e sobre Deus na congregação. Não se refere a “causar divisões” nem a fazer críticas a homens.

12.    (anthrōpoktonos) – O assassino. Não há maior crime do que cometer um homicídio. A Bíblia diz que o “homem iníquo” deve ser removido da congregação, e não há nada mais iníquo que um assassino intencional. Portanto, embora Paulo não tenha listado o “assassino” em 1 Coríntios 5 e 6, creio que seja unânime entre todos os cristãos que o assassino é passível de desassociação, mesmo porque um assassino é, em essência, uma pessoa voraz (harpax), um bandido.

Portanto, alguém que praticou aborto é passível de desassociação, mesmo que isso não seja crime em um determinado país. Afinal, para Deus a vida começa na concepção, e tirar voluntariamente tal vida corresponde a assassinato. (Salmo 139:15)

No entanto, alguém que matou em autodefesa não é assassino. Se um cristão trabalha como policial e, no exercício justo de sua função como agente da lei, ele entra em um conflito armado com um criminoso e este vem a óbito, isso não consiste de assassinato e não pode resultar em desassociação.

Se um cristão estava dirigindo um carro e perdeu o controle a atropelou alguém que veio a óbito, isso pode ou não incorrer em culpa de sangue, dependendo das circunstâncias (se houve negligência, etc.), mas não se pode dizer que o cristão é um assassino. Portanto, ele não poderá ser desassociado.

Estes são os pecados de desassociação apresentados na Bíblia. Talvez muitos cristãos linha-dura pensem que não há nada de mais em adicionar pecados de desassociação que não são baseados na Bíblia. Entretanto, isso é ir “além das coisas que estão escritas”. (1 Coríntios 4:6) Tenhamos em mente as palavras de Jesus:

(Mateus 15:3-9) 3 Em resposta, ele lhes disse: “E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da sua tradição? 4 Por exemplo, Deus disse: ‘Honre seu pai e sua mãe’ e ‘Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe seja morto’. 5 Mas vocês dizem: ‘Quem disser ao seu pai ou à sua mãe: “Tudo o que eu tenho que poderia beneficiá-lo é uma dádiva dedicada a Deus”, 6 esse de modo algum precisa honrar seu pai.’ Assim vocês invalidaram a palavra de Deus por causa da sua tradição. 7 Hipócritas! Isaías profetizou apropriadamente a respeito de vocês, quando disse: 8 ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está muito longe de mim. 9 É em vão que continuam a me adorar, pois ensinam as regras de homens como doutrinas.’”


Notas:

[1] Disponível em: <https://cp.indexjuridico.com/art-1o/>.

[2] Disponível em Oxford Learner’s Dictionaries.

[3] Não estou afirmando que o coito anal e/ou oral sejam em si mesmos porneía. Porém, quando praticados por pessoas solteiras ou por pessoas do mesmo sexo, constituem uma relação sexual ilícita.

[4] Disponível em: <https://www.dicio.com.br/adulterio/>.

[5] Disponível em: <https://www.dicio.com.br/ganancia/>.

[6] Definição de “chantagem”: https://www.dicio.com.br/chantagem/Sinônimos: https://www.sinonimos.com.br/chantagem/

[7] Disponível em: <https://www.dicio.com.br/chapado/>.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová. 

 

Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

 

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

 



Comentários

  1. Parabéns pela análise. Nota-se o evidente abuso e o atropelo das escrituras com essas posições radicais. Quantas vidas foram destruídas por colocar regras humanas acima das de Deus? Quem responderá por isso?

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    Respostas
    1. Olá, prezado. Sou o autor do artigo. Obrigado por seu comentário. Definitivamente nota-se abusos. Quem pagará por isso? Eu me faço a mesma pergunta, meu irmão. Não sei como o Senhor resolverá isso, mas resolverá, mesmo que seja com o julgamento adverso.

      Lembre-se que aqueles do povo de Deus, os líderes judaicos do tempo da primeira vinda do messias, pensavam ser fieis. Eles se surpreenderam quando descobriram que o messias veio e os condenou. Eles não esperavam tomar esporro do messias; achavam que o messias os libertaria. Entretanto, o messias os condenou.

      Lembre-se de que a primeira vinda do messias é um tipo profético da segunda vinda. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

      Por agora, basta-nos fazer a nossa parte. Precisamos defender as Escrituras em sua forma pura, doa a quem doer. Precisamos nos posicionar em favor da verdade das Escrituras para que não sejamos cúmplices de más ações.

      Excluir
  2. Sob a pecha de “provisão amorosa da parte de Jeová” – sabemos muito bem os reais objetivos do ostracismo advindo da desassociação (excomunhão) praticada pela religião Testemunhas de Jeová. Não sou contra a desassociação/excomunhão. Mas o ostracismo subsequente e fortemente estimulado (por meio de ameaças subliminares) sabemos para que serve! Não é verdade Sr Apologista? O Homem da Noruega nos explicou bem as razões. Essa forma de punição meia “Kadish” meia Cherem (Herem) reforça cada vez mais o desespero extremista adotado pela atual liderança em “silenciar” os ‘pecadores’ a fim de manter rodando as engrenagens de seu sistema.

    Passagem do Meio – pag. 88 – de James Hollis – Editora Paulus
    Os preceitos religiosos desempenham papel fundamental para muitas pessoas, e elas se tomam infantis devido à falta de liberdade de expressar seus sentimentos sem culpa. Já vi talvez mais danos do que benefícios causados às pessoas pelo clero autoritário e inconsciente. A culpa e a ameaça de ser excluído da comunidade funcionam como poderosos impedimentos ao desenvolvimento do indivíduo. (Não foi por acaso que os antigos consideravam o exílio a pior punição que podia ser aplicada a uma pessoa. O judeu ortodoxo canta o Kaddish, a oração pelos mortos, por aquele que deixa a comunidade; os menonistas “evitam” aqueles que seguem um líder diferente.) Ser exilado do grupo é a grande ameaça da autoridade. Nenhuma criança pode suportar ser excluída da aprovação e proteção dos pais e, portanto, aprende reflexivamente a reprimir seus impulsos naturais. O nome dessa defesa contra a angústia da exclusão é a culpa. Tão grande é a ameaça da perda do lar, tão aterradora a perda dos pais, que todos nós, até certo ponto, continuamos a nos apresentar. O “olhar alemão” está dentro de nós, quer o nosso corpo se mexa, quer não.

    Jesus não está desatento a como estão cuidando dos interesses dele e de seu Pai.
    Famílias estão sendo desestruturadas e destruídas ao redor do mundo.

    ResponderExcluir

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𝐄𝐒𝐓𝐄 É 𝐔𝐌 𝐒𝐈𝐓𝐄 𝐃𝐄 𝐍Í𝐕𝐄𝐋 𝐀𝐂𝐀𝐃Ê𝐌𝐈𝐂𝐎. 𝐀𝐎 𝐂𝐎𝐌𝐄𝐍𝐓𝐀𝐑, 𝐔𝐒𝐄 𝐋𝐈𝐍𝐆𝐔𝐀𝐆𝐄𝐌 𝐀𝐂𝐀𝐃Ê𝐌𝐈𝐂𝐀, 𝐒𝐄𝐌 𝐈𝐍𝐒𝐔𝐋𝐓𝐎𝐒, 𝐒𝐄𝐌 𝐏𝐀𝐋𝐀𝐕𝐑𝐀𝐒 𝐃𝐄 𝐁𝐀𝐈𝐗𝐎 𝐂𝐀𝐋Ã𝐎. 𝐍Ã𝐎 𝐑𝐄𝐏𝐈𝐓𝐀 𝐎𝐒 𝐀𝐑𝐆𝐔𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎𝐒 𝐑𝐄𝐁𝐀𝐓𝐈𝐃𝐎𝐒, 𝐍Ã𝐎 𝐃𝐄𝐒𝐕𝐈𝐄 𝐃𝐎 𝐀𝐒𝐒𝐔𝐍𝐓𝐎. 𝐒𝐄 𝐄𝐒𝐓𝐀𝐒 𝐑𝐄𝐆𝐑𝐀𝐒 𝐍Ã𝐎 𝐅𝐎𝐑𝐄𝐌 𝐂𝐔𝐌𝐏𝐑𝐈𝐃𝐀𝐒, 𝐒𝐄𝐔 𝐂𝐎𝐌𝐄𝐍𝐓Á𝐑𝐈𝐎 𝐒𝐄𝐑Á 𝐑𝐄𝐏𝐑𝐎𝐕𝐀𝐃𝐎.

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