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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Debate sobre o espírito santo


     O texto abaixo é de um debate ocorrido entre mim e uma pessoa trinitarista. Ele será referido pela palavra “questionador”. Será útil para todos os estudantes da Bíblia, independente de sua posição doutrinária.

Questionador:
     A palavra "espírito" pode significar pessoa, e o substantivo "santo", em 89% das vezes se aplica a seres pessoais. Assim, a comparação do artigo de vocês é errônea.

O Apologista da Verdade:
     Primeiro, o fato de a palavra “espírito” poder se referir a uma pessoa não significa que o “espírito santo” seja uma pessoa. Afinal, a palavra “espírito” também é aplicada a coisas impessoais.
     Segundo, o fato de na maioria dos casos o adjetivo “santo” aludir a seres pessoais também não significa que o “espírito santo” seja uma pessoa, pois o mesmo adjetivo é aplicado dezenas de vezes apenas no “Novo Testamento” a coisas impessoais.
      Terceiro, o argumento de que “a nuvem guia, mas nunca é pessoa” e “as Escrituras dizem e ensinam, mas nunca são pessoas” também pode – e deve – ser aplicado ao espírito santo, o qual guia, ensina, fala, etc., mas nunca foi e nem é uma pessoa. 
     Veja neste blog os artigos “É a Trindade uma doutrina bíblica?”, “A Trindade é ensinada no ‘Novo Testamento’?”, “Personificação prova personalidade?” e “Mateus 28:19 apoia a Trindade?”

Questionador:
     Você está equivocado, colega. Você disse que o Espírito Santo não pode ser um ser pessoal porque os verbos que Ele pratica são praticados por outros substantivos que não são pessoais. Isso é incorreto. Você comparou "Espírito" que muitas vezes pode ser pessoa e "santo" que na grande maioria pode se referir a pessoa [e Espírito Santo então!!!!] com substantivos que jamais podem ser pessoais. Em outras palavras, embora respeitando seus pontos de vista, não darei crença a eles.

O Apologista da Verdade:
     Mas é justamente nisso que reside a força do argumento. O fato de a Bíblia atribuir ações pessoais a coisas que nunca foram pessoas mostra que o fato de ela usar as mesmas ações para o espírito santo não é prova de que ele seja uma pessoa. Portanto, a personificação do espírito santo não prova personalidade. Seria necessário algo mais para provar que ele é uma pessoa, como, por exemplo, um nome próprio pessoal, visto que a expressão “espírito santo” é um termo descritivo. No entanto, esse algo mais não existe nas Escrituras.
     Somado a esse fato de que o espírito santo não tem identidade pessoal, existe o fato de que a palavra “espírito” na Bíblia (rúahh no Velho Testamento e pneúma no Novo) ocorre mais de 200 vezes para coisas impessoais e apenas umas 70 vezes para pessoas.  Assim, diante do uso preponderante de “espírito” para seres impessoais, o espírito santo teria de ter uma identidade pessoal, assim como o Pai e o Filho têm. Mas isso não ocorre com o espírito santo. Essa esmagadora evidência revela que ele não é uma pessoa, e sim a energia, ou força, procedente de Deus.

Questionador:
     Você partiu do pressuposto de que o Espírito Santo é impessoal. Também, de onde você tirou que Espirito Santo é termo descritivo? Onde a Bíblia ensina isso? Como não tem identidade pessoal se tem vontade própria, sentimentos e pratica diversas ações comuns a pessoas? E usar o Velho Testamento para provar a identidade do Espírito Santo à base da palavra "Espírito" (ruahh) antes mesmo da obra do Espírito Santo ser revelada nas Escrituras no Novo Testamento é errôneo de sua parte.
     Além disso, Deus, na Bíblia, chama este ser de Espírito Santo. É assim que fomos ensinados a identificá-lo. E você não tem a menor prova para dizer que não é assim.
     Agora pense nisso: Se os montes ouvem, são as pessoas que estão nos montes que ouvem. Se a nuvem guia, é Deus que providencia a nuvem para guiar. Se o sangue testemunha, alguém entregou o sangue para servir de testemunha. Se os céus declaram a glória de Deus, e as árvores louvam a Deus, são meios que Deus criou para ele ser louvado. Se as Escrituras ensinam, é Deus que a proveu e homens quem a escreveram. Ou seja, Deus ou pessoas são representados aqui, na maioria de seus exemplos, por coisas literais, mas a expressão é simbólica.
     Já sei o que você está pensando: "Se o Espírito Santo diz, ensina, ouve, fala, então é Deus dizendo através de sua força ativa." Não! O texto de João 16:13, 14 mostra claramente o papel de submissão (e isso não prova inferioridade em natureza, senão a mulher seria inferior ao marido em natureza também) do Espírito Santo a Jesus, que é enviado por Jesus, da parte do Pai. Esse Espírito não fala de si mesmo, mas o que tiver ouvido. O mesmo ser aqui ouve, diz, ensina, guia. Você não vê nenhum substantivo impessoal na Bíblia fazer tantas ações pessoais. 
    Para terminar meu comentário, prezado amigo, acho insuportável sua explicação: "O fato de a Bíblia atribuir ações pessoais a coisas que nunca foram pessoas mostra que o fato de ela usar as mesmas ações para o espírito santo não é prova de que ele seja uma pessoa." Ora, se assim fosse, anjos seriam impessoais, e veja que muitos deles não são mencionados por nome. Eu poderia, com isso, criar uma doutrina que "anjos" com nome seriam pessoais, e os sem nome seriam impessoais.
     Convido você a repensar as interpretações que herdou do corpo governante. Eles te convenceram disso. Todavia, o Espírito Santo convence o homem do pecado. Poder e força de Deus já existiam, e eram perceptíveis para as pessoas, mas o agir da Pessoa do Espírito Santo ainda não, por isso foi prometida a sua vinda. 

O Apologista da Verdade:
Vamos aos fatos:
1) Eu não parti do pressuposto que de que o espírito santo é impessoal. A prova disso é que os artigos a respeito desse tema apresentaram imparcialmente o que a Bíblia diz sobre o assunto. Também, ao avaliar o uso das palavras “espírito” e “santo” (com exceção de minha última resposta a você), eu deixei de lado a aplicação dessas palavras ao espírito santo, visto ser ele o foco da questão.
2) Com relação à expressão “espírito santo” ser um termo descritivo, temos o fato de que Deus, Jesus e os anjos são todos ‘espíritos santos’. Assim, para que o espírito santo seja uma pessoa em adição a todos os espíritos santos pessoais que existem, ele teria de ter uma identidade pessoal, o que não acontece.
3) Quanto a ser atribuída vontade própria ao espírito santo, isso não passa de linguagem figurada, pois a Bíblia também fala do vento como tendo vontade própria. (João 3:8) Como já explicado vez após vez, personificação não prova personalidade.
4) Quanto a usar o “Velho Testamento” nessa questão, isso é inteiramente correto, pois essa parte da Bíblia menciona o espírito santo em diversas atividades. – Sal. 51:11; Isa. 63:10, 11; Gên. 1:2; Êxo. 31:3; Juí. 3:10; 6:34; 11:29; 14:6, 19; 1 Sam. 10:10; 2 Sam. 23:2; Isa. 61:1; Eze. 11:5.
5) Ademais, o grego usado na Bíblia não usa iniciais maiúsculas para o espírito santo. De fato, não faz isso nem para Deus. O contexto é que determina se na tradução deve constar inicial maiúscula ou não. E o contexto bíblico revela o espírito santo como sendo algo, não alguém. A Nova Enciclopédia Católica (em inglês) admite: “A maioria dos textos do N[ovo] T[estamento] revela o espírito de Deus como sendo algo, não alguém.” – 1967, Vol. XIII, p. 575.
6) O motivo de a Bíblia atribuir várias ações pessoais ao espírito santo reside no fato do uso que Jeová e que Jesus fazem dele na realização do propósito divino. Quanto ao número de ações pessoais ao espírito santo em João 14-16, esse não é um bom argumento, pois mais ações pessoais são atribuídas ao amor, embora ele não seja pessoa. – 1 Cor. 13:4-7.
7) Com relação ao Pai, ao Filho e a anjos serem pessoas, isso é evidente porque eles possuem, cada qual, um nome pessoal e têm corpos espirituais definidos. (Sal. 83:18; 1 Cor. 15:45; Dan. 12:1; Luc. 1:26; Gên. 32:29) Por outro lado, o espírito santo não tem nome pessoal e nem um corpo espiritual definido, uma vez que pode encher muitas pessoas ao mesmo tempo, pode ser derramado, parcelado, etc. Teria sentido ficar cheio de uma pessoa? Pode uma pessoa ser derramada, e cair sobre alguém? (Atos 2:4, 17; 10:44) Os seres espirituais e pessoais que se menciona como tendo “caído” são Satanás e seus demônios, sendo tal queda um evento negativo para eles. – Luc. 10:18; Rev. 12:7-9.
8) Quanto à interpretação do espírito santo como algo impessoal procedente de Deus, não é algo proveniente do corpo governante das Testemunhas de Jeová. Essa verdade já tem sido defendida há muitos séculos. Afinal, somente em 381 depois de Cristo é que se atribuiu personalidade ao espírito santo, no Concílio de Constantinopla. O fato de os tradutores da Septuaginta (c. 200 anos antes de Cristo) terem traduzido a palavra “espírito” na expressão “espírito de Jeová” (em Isaías 40:13) por “mente”, tendo essa tradução sido citada pelo apóstolo Paulo em Romanos 11:34 e em 1 Coríntios 2:16, é um forte indicador de que tanto os judeus, como os cristãos do primeiro século, encaravam o espírito santo como algo impessoal. Assim sendo, não há o que repensar na questão da impessoalidade do espírito santo.

Questionador:
     Publicarei em breve uma resposta mais pormenorizada sobre os usos da expressão "Espírito Santo".
     No Antigo Testamento não temos uma clara identificação sobre quem é o Espírito Santo. Tanto que os judeus o associavam com o poder de Deus, mas no NT, quando Jesus introduz a obra do Espírito Santo, e depois os apóstolos esclarecem-no mais ainda, então podemos ter uma teologia correta sobre Ele. Por isso, os textos do NT são os melhores para compreendermos a pessoalidade dEle.
     O que a Enciclopédia Católica (que nada tem a ver com a Igreja Católica Romana, inclusive sei de autores ateus que participaram dela) diz não me serve de autoridade. Não posso sair da Bíblia. 
     Sobre as várias ações de "o amor", em 1 Cor. 13:4-7, fica evidente que se trata de personificação, porque amor nunca é ser pessoal, mas Espírito é, e muitas vezes. Novamente, comparação errônea.
     Sobre ser derramado, cair, e ficar cheio, quando se refere ao Espírito Santo, eu posso sim ficar cheio dEle, pois Ele é Espírito. Então ele me enche de seu poder. Ele cai sobre mim pois "cair" na literatura grega é usado simbolicamente para descrever uma ação repentina de alguém sobre outra pessoa. Lembro-me de um filólogo explicar-nos que a expressão "ele vive caindo em cima de mim", "ou dando em cima de mim" tem origens no grego. Sobre ser parcelado, O Espírito Santo é onipresente, e pode ser distribuído, na acepção de Ele não agir apenas numa pessoa. Isso é mera figura de linguagem, e necessariamente a figura de linguagem não anula a personalidade dos substantivos nela envolvidos. Por isso, quando Paulo fala sobre ser derramado, ele não deixa de ser pessoa.
     Sobre o Espírito Santo não ter nome, você que está dizendo isso. Ele é santo, e isso é um atributo moral. Como Espírito, diferentemente de lei e de sábado (que nunca são pessoas) pode ser pessoa, então Espírito Santo é uma pessoa. Não existe vento santo, força santa. Você também é quem diz que o Espírito Santo não tem corpo definido. É um pressuposto teu.

O Apologista da Verdade:
     Partindo de sua afirmação de que o Antigo Testamento não esclarece sobre o espírito santo e que, portanto, os judeus não o conheciam plenamente, ou até, como você alega, eles o entendiam de forma errada, e partindo da alegação de que Deus é uma Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo em um só Deus, isso significaria que os judeus não conheciam a Deus (pois não conheciam uma parte de Deus). Contudo, isso entraria em conflito com o que Jesus disse sobre os judeus: “Nós [os judeus] adoramos O QUE CONHECEMOS, porque a salvação se origina dos judeus.” (João 4:22) Veja o subtítulo “Os ‘desprivilegiados’ judeus”, no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/2011/09/e-trindade-uma-doutrina-biblica_23.html
     Você não tem dificuldade de entender a personificação de coisas obviamente impessoais, mas tem dificuldade de entender a personificação do espírito santo por já ter um conceito preconcebido sobre ele.
     Você citou literatura grega, mas nenhum texto bíblico para refutar a questão de o espírito santo “cair” sobre pessoas. 
     Não sou eu quem diz que o espírito santo não tem nome. A Bíblia indica claramente que seres espirituais (Deus, Jesus e os anjos) têm todos nomes, mas ela não menciona que o espírito santo tenha nome. E ele precisaria ter, para distingui-lo dos espíritos santos pessoais que existem. 
     Que os seres espirituais têm corpo espiritual definido, fica claro de 1 Coríntios 15:44. Assim sendo, estão num lugar específico por vez. Para ilustrar, um anjo não pode estar ao mesmo tempo em toda parte. Daniel cap. 10 mostra isso: um anjo enviado para dar informações a Daniel foi barrado por um demônio e demorou 21 dias para chegar até Daniel. (Dan. 10:13) Mas temos provas de que o espírito santo não tem corpo definido. Atos 2:4 afirma: “E todos eles ficaram CHEIOS de espírito santo.” Havia cerca de 120 pessoas ali (Atos 1:15), e todas ficaram ao mesmo tempo cheias de espirito santo. Isso não é uma figura de linguagem, visto que descreve algo que aconteceu real e literalmente. Um anjo não pode ser dividido entre 120 pessoas ao mesmo tempo; só uma força poderia. Para exemplificar: se 120 pessoas ficassem de mãos dadas e uma delas pegasse num fio elétrico desencapado, o que aconteceria? A eletricidade iria envolver todas elas. Isso ilustra a diferença entre uma pessoa espiritual e uma força espiritual. 
     Não se pode afirmar que não existe vento santo ou força santa. Tudo o que vem de Deus é santo. A força que emana dele evidentemente é santa. Apenas a Bíblia não usa tais expressões em relação a tais PALAVRAS. Por outro lado, a Bíblia mostra que o espírito santo é a força ativa de Deus, força essa que é santa. 
     Juízes 14:6 declara: “O Espírito do Senhor apossou-se de Sansão, e ele, sem nada nas mãos, rasgou o leão como se fosse um cabrito.” Será que devemos entender disso que Sansão foi possuído por um ser espiritual? Os casos de possessão relatados na Bíblia estão relacionados com seres espirituais maus. É óbvio que uma força espiritual envolveu Sansão, dando-lhe condições de fazer algo que seria humanamente impossível. 
     O nosso conceito sobre o espírito santo, que acreditamos ser o conceito bíblico, não desmerece em nada o espírito santo nem é uma negação das múltiplas atividades que ele realiza. Aceitamos a operação do espírito em nossa vida, incluindo o desenvolvimento dos “frutos do espírito”. (Gál. 5:22, 23) O entendimento do que realmente é o espírito santo nos ajuda a compreender como Jeová Deus e Jesus Cristo utilizam essa poderosa força para realizar o propósito divino.
     Por outro lado, respeitamos o direito que as pessoas têm de pensar de modo diferente.

     [Após esta última argumentação de minha parte, o referido “questionador” não escreveu mais.]


Os artigos deste blog podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o blog oapologistadaverdade.blogspot.com




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