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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Os cristãos podem receber substâncias não sanguíneas extraídas do sangue de doadores?


Fonte: http://bloodless.com.br/opcoesalternativas-transfusoes-de-sangue/


Em relação ao artigo “A questão do sangue - parte 5”, um leitor fez o seguinte comentário:

E quem fornece o sangue para que possa ser “fracionado”? Já que as testemunhas de Jeová não são doadores de sangue, usam “as frações de sangue” de pessoas que doaram sangue? Não é uma contradição? Não dou o sangue para salvar a vida de outros, mas posso pegar as frações de outros que doaram? 

Resposta:

Em Atos 15:29, os cristãos são admoestados: “Que persistam em se abster de coisas sacrificadas a ídolos, de sangue, do que foi estrangulado e de imoralidade sexual. Se vocês se guardarem cuidadosamente dessas coisas, tudo irá bem com vocês. Saudações!”

Portanto, os que querem agradar a Deus devem se abster de (ou seja, evitar) sangue.

Quanto ao comentário do referido leitor, vale ressaltar que, em primeiro lugar, a expressão “doar sangue para salvar a vida” é uma falácia, pois não tem embasamento científico.

Gimenes (2013, p. 37) explica:

Há evidências de transfusões desnecessárias, pois dois estudos na Europa, o Sanguis e o Biomed, constataram que, nos hospitais onde as transfusões de sangue foram reduzidas não houve aumento da mortalidade; quanto à recuperação dos pacientes, essa se tornou até mais rápida, reduzindo os custos. [1] (Negrito acrescentado.)



O guia de Medicina intitulado “Atualização em Medicina Interna” (2005, p. 6) afirma:

INTRODUÇÃO: Uma proporção elevada de doentes submetidos a artroplastia de quadril e joelho recebe transfusões desnecessárias, apesar de preocupações quanto à segurança e `a pouca disponibilidade de derivados de sangue.[2] (Negrito acrescentado.)



O hemoterapeuta médico supervisor Dário Eduardo de Lima Brum afirma:

Verificam-se percentuais elevados de transfusões desnecessárias ou com indicação duvidosa.

[…]

Outros trabalhos revelam dados mais alarmantes, considerando as indicações de transfusão discutíveis ou desnecessárias, variando de 70,7% a 96,2% para plasma fresco e 57,5% para concentrados de hemácias.[3] (Negrito acrescentado.)

O Doutor Brum ainda mencionou o maior número de infecções e maior tempo de hospitalização que podem estar associadas à transfusão de componentes sanguíneos”.

Portanto, a falaciosa expressão “doar sangue para salvar a vida” não tem nenhum respaldo médico-científico.

Se o referido leitor tivesse lido o artigo “A questão do sangue - parte 3”, teria entendido esse assunto.

Não doar, mas aceitar – contradição?

Os que fazem esse questionamento não entendem que os cristãos e o mundo possuem valores diferentes e, por consequência, tratos diferentes entre si.

Para ilustrar isso, podemos considerar uma situação inversa à supracitada, em que servos de Deus foram orientados a doar, mas não a receber: a passagem de Deuteronômio 14:21.

Reza o texto: “Não comam nenhum animal encontrado morto. Você pode dá-lo ao residente estrangeiro que mora nas suas cidades, e ele pode comê-lo; ou você pode vendê-lo a um estrangeiro. Pois você é um povo santo para Jeová, seu Deus.”

Observe que a mesma acusação de “contradição” poderia ser feita com respeito à situação acima. Contudo, a explicação dada no próprio texto esclarece a questão: a nação de Israel era “um povo santo para Jeová”. Por outro lado, o “estrangeiro” mencionado no texto, que não havia se tornado um adorador de Jeová, não estava em tal situação.

De modo similar, os cristãos que desejam se sujeitar aos elevados padrões morais da Bíblia agem individualmente conforme sua consciência treinada pela Bíblia. Por outro lado, respeitam o fato de que os que não desejam se sujeitar a tais padrões tomem suas próprias decisões. Assim como os estrangeiros não sujeitos à lei de Deus podiam se beneficiar das restrições colocadas aos que estavam sujeitos a tal Lei, os servos atuais de Deus podem se beneficiar da falta de sujeição às normas bíblicas daqueles que voluntariamente assim desejam agir.


Notas:
[1] GIMENES, Nilson Roberto da Silva. Direito de objeção de consciência às transfusões de sangue. Salvador: EDUFBA & EDUNEB, 2013
[2]CAVALCANTI, Euclides Furtado de Albuquerque; VELASCO, Irineu Tadeu; SCALABRINI NETO, Augusto. Atualizações em Medicina Interna. Editora Manole Ltda, 2005. 283 páginas. Especialistas de diversas áreas do maior Hospital Escola da América Latina, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, revisaram sistematicamente cerca de 500 periódicos, extraindo estudos da maior importância para o médico generalista. Em cada estudo, uma abordagem padronizada foi realizada com o intuito de se buscar verdadeiros resultados encontrados. Em uma única obra, o médico terá em mãos tudo de mais importante que foi publicado recentemente. A obra busca os verdadeiros resultados dos estudos, sem que houvesse qualquer interferência externa, especialmente econômica, funcionando como formulador de novas hipóteses clínicas. Disponível em: <https://books.google.com.br/books>.

[3] Mestrado. Médico Supervisor. Hemoterapeuta, supervisor do Serviço de Hemoterapia da Santa Casa de Porto Alegre. Racionalizar a transfusão de hemocomponentes: benefícios a pacientes, instituições e operadoras de planos de saúde. Disponível em: <http://www.amrigs.com.br>. 



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org







5 comentários:

  1. saudações caro irmão apologista...
    não entendi direito a partes conclusivas no finar do artigo, poderia me explicar esta passagem:

    “De modo similar, os cristãos que desejam se sujeitar aos elevados padrões morais da Bíblia agem individualmente conforme sua consciência treinada pela Bíblia. Por outro lado, respeitam o fato de que os que não desejam se sujeitar a tais padrões tomem suas próprias decisões. Assim como os estrangeiros não sujeitos à lei de Deus podiam se beneficiar das restrições colocadas aos que estavam sujeitos a tal Lei, os servos atuais de Deus podem se beneficiar da falta de sujeição às normas bíblicas daqueles que voluntariamente assim desejam agir.”

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    1. Caro Dadilson:

      O artigo mostrou que, a bem da justiça, podem somente haver um peso e uma medida. Ou seja, se os que não se sujeitavam às normas bíblicas no tempo da nação do Israel antigo podiam aparentemente se beneficiar das restrições impostas pela Lei mosaica, de modo similar os cristãos podem se beneficiar da falta de sujeição às normas bíblicas dos que agem assim.
      Abraços.

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  2. Caro apologista, parece que os médicos tj de outros países estão sendo orientados a não fazerem transfusões de sangue. Essa orientação não seria equivocada com base em seu argumento no texto? visto que há pessoas que não são tj (estrangeiros) mas querem usufruir do sangue. Espero atenciosamente a resposta

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    1. Prezado:
      Este site apenas apresenta o que parece ser a base bíblica para determinados procedimentos, conforme o artigo acima. Abraços.

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  3. Muito bom. É o mesmo fato de o verdadeiro cristão não pegar em armas nem mesmo para auto defesa, em cumprimento de uma profecia e um mandamento a saber Isaías 2:4 e Mateus 26:52, porém, fazer uso da segurança militar das forças armadas e etc.

    Boa resposta Apolo.

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