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sábado, 18 de maio de 2019

O espírito volta a Deus – em que sentido? (Eclesiastes 12:7)


  
Fonte: jw.org


Lemos em Eclesiastes 12:7: “Então o pó volta à terra, de onde veio, e o espírito volta ao verdadeiro Deus, que o deu.” Diversos religiosos entendem desse texto que uma parte espiritual consciente e com personalidade sai do corpo humano por ocasião da morte e vai para o céu.

Porém, temos diversos motivos bíblicos para entender que esse não é o entendimento bíblico referente a esse texto. Vejamos por quê.

Primeiro, essa passagem não diz respeito à morte de pessoas boas, e sim de TODA a humanidade, o que inclui também os ímpios. E o Salmo 5:4 declara sobre Deus: “Ninguém mau pode permanecer contigo.” Assim, nenhum espírito consciente e com personalidade que tenha estado em uma pessoa má aqui na terra poderia ser levado à presença santa de Deus.

Além disso, ninguém subiu ao céu espiritual antes de Jesus Cristo. O próprio Jesus Cristo declarou: “Além disso, nenhum homem subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem.” (João 3:13) E o apóstolo Paulo escreveu: “Portanto, irmãos, visto que temos plena confiança para usar o caminho de entrada no lugar santo [no céu] por meio do sangue de Jesus, o caminho novo e vivo que ele abriu para nós através da cortina, isto é, sua carne.” (Hebreus 10:19, 20) Assim, por meio da morte de Cristo, quando ele entregou sua “carne” em favor da humanidade pecaminosa (João 6:51), foi aberto a oportunidade para a “entrada” no céu. E o livro de Eclesiastes foi escrito mais de 1.000 anos antes de Cristo. Por isso, o ‘espírito que retorna a Deus’ por ocasião da morte da pessoa não pode se referir a um ser espiritual pessoal.

Fonte: jw.org

Ademais, o Salmo 146:4 mostra que, quando alguém morre, o espírito que sai de seu corpo não continua tendo pensamentos. Veja o que diz esse Salmo: “Seu espírito sai, e eles voltam ao solo; nesse mesmo dia os seus pensamentos se acabam.” Portanto, o “espírito” que sai do corpo não é um ser consciente e com personalidade.

Outro motivo é que os servos de Deus pré-cristãos não tinham a esperança de ir para o céu, e sim de serem ressuscitados para viver aqui na Terra. Observe abaixo os textos que expressam a esperança judaica da ressurreição.

Jó afirmou: “Quem dera que me escondesses na Sepultura, que me ocultasses até a tua ira passar, que estabelecesses um tempo e então te lembrasses de mim! Quando um homem morre, pode ele viver novamente? Esperarei todos os dias do meu serviço obrigatório, até vir o meu livramento. Tu chamarás, e eu te responderei. Terás saudades do trabalho das tuas mãos.” (Jó 14:13-15) Note o leitor que Jó não esperava morrer e ir para o céu. Ele acreditava que permaneceria morto, inconsciente, até Deus se lembrar dele por meio da ressurreição. Observe que ele também não entendia que a morte era a passagem para outra vida, pois ele fala de “viver novamente”, o que mostra que, antes disso, a pessoa estaria morta, e não viva em outra parte.

Deus disse a Daniel: “Quanto a você, continue até o fim. Você descansará, mas no fim dos dias se levantará para receber a sua porção.” (Daniel 12:13) Deus não disse que Daniel morreria e iria para o céu, e sim que, ao morrer, ‘descansaria’ (ficaria dormindo, inconsciente). E, num dado período que Deus chamou de “fim dos dias”, Daniel ‘se levantará’ (será ressuscitado) aqui na Terra.

“Marta respondeu [a Jesus Cristo]: “Sei que ele [Lázaro] se levantará na ressurreição, no último dia.” (João 11:24) Assim, Marta, irmã de Lázaro, tinha a esperança judaica, expressa nas Escrituras Hebraicas (o “Velho Testamento”), de que os mortos serão ressuscitados num dado tempo futuro.

Fonte: jw.org 

Não havia entre os judeus que se baseavam nas Escrituras Hebraicas a ideia de que na morte saía um espírito com personalidade e consciente que iria para o céu, à presença de Deus. Em vez disso, eles tinham o conceito de que a morte é uma condição de inconsciência, conforme mostram os textos abaixo:

“Pois na morte não há menção de ti; na Sepultura, quem te louvará?” – Salmo 6:5.

“Será que farás milagres para os mortos? Podem os impotentes na morte se levantar para te louvar?” – Salmo 88:10.

Os mortos não louvam a Jah; nem os que descem ao silêncio da morte.” – Salmo 115:17.

“Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem absolutamente nada, nem têm mais recompensa, porque toda lembrança deles caiu no esquecimento. Também seu amor, seu ódio e seu ciúme já não existem, e eles não têm mais parte em nada do que se faz debaixo do sol.” – Eclesiastes 9:5, 6.

“Pois a Sepultura não pode glorificar-te, a morte não pode louvar a ti. Os que descem à cova não podem esperar por tua fidelidade. Os vivos, somente os vivos, podem louvar-te.” – Isaías 38:18, 19.

Em razão disso, ao lerem Eclesiastes 12:7, eles evidentemente não entendiam que um ser espiritual dentro deles iria a Deus no céu. Os israelitas sabiam dos significados impessoais atribuídos à palavra “espírito”, conforme podiam ler nos textos bíblicos.

Por todas as razões acima, a palavra “espírito” em Eclesiastes 12:7 não se refere a um ser pessoal e consciente. Então, o que é o “espírito” que sai do corpo quando um ser humano morre?

“Espírito” na Bíblia tem vários sentidos

O Léxico do Novo Testamento Grego/Português (de Gingrich e Danker) mostra que a palavra grega para “espírito” – πνεύμα (pneúma) é polissêmica, isto é, tem vários sentidos. Observe o que diz o retrocitado léxico:

πνεύμα, ατός, τό1. respiração, movimento de ar — a. vento Jo 3.8a; Hb 1.7.—b. sopro, respiração 2 Ts 2.8. —2. alento, alma, espírito (de vida), aquilo que dá vida ao corpo Mt 27.50; Lc 8.55; 23.46; Jo 19.30; At 7.59; Tg 2.26; Hb 12.23; 1 Pe3.19; Ap 11.11.
                                                            


Perceba o leitor que o substantivo grego pneúma, além de se referir a um ser espiritual com personalidade (no caso, Deus, Jesus e os anjos), também se refere a coisas impessoais (sem personalidade), estando ligado à respiração, ao sopro e ao vento, conforme o exemplo abaixo:

“O vento [τὸ πνεῦμα; tò pneúma] sopra para onde quer, e ouve-se o som dele, mas não se sabe de onde ele vem nem para onde vai. Assim é com todo aquele que nasce do espírito.” – João 3:8.


O espírito em Eclesiastes 12:7 é a força de vida impessoal

O referido léxico citou vários textos que se referem ao espírito no sentido de força de vida, que está ativa em cada célula do corpo físico. É evidente que o “espírito” nesse texto se refere à força vital que habilita a pessoa a viver, conforme lemos em Tiago 2:26: “Realmente, assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta.”


Encontramos a primeira ocorrência de “espírito” neste sentido em Gênesis 6:17, que registra as seguintes palavras de Jeová: “E quanto a mim, eis que estou trazendo o dilúvio de águas sobre a terra, para arruinar debaixo dos céus toda a carne em que a força [literalmente: “espírito”] da vida está ativa. Tudo o que há na terra expirará.” Essa passagem usa a palavra hebraica rúahh (espírito). O texto mostra que tanto humanos como animais possuem “espírito de vida”. (Al; ACRF; IBB; veja também Gênesis 7:15, 22.) […]

Veja abaixo a transcrição dos textos citados que mostram a palavra pneúma neste sentido:

“Novamente Jesus clamou em alta voz e entregou seu espírito.” (Mateus 27:50) “E Jesus clamou em alta voz e disse: ‘Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.’ Depois de dizer isso, ele morreu.” (Lucas 23:46) O espírito de Jesus, nestes textos, é sua força de vida, que saiu dele quando morreu. Mas não era uma parte espiritual de Jesus (um ser espiritual consciente e com personalidade), que retornou ao Pai. Pois, se o fosse, isso entraria em contradição com o que o próprio Jesus disse cerca de três dias depois, após ter sido ressuscitado: “Ainda não subi para o Pai.” – João 20:17.

O artigo “Estudo sobre  Pneumatologia – Parte 1” contou uma interessante experiência relacionada com o entendimento distorcido de Lucas 23:46:

Quem concebe o espírito como exposto logo acima concluiria desse texto que Jesus, como pessoa espiritual, subiu ao Pai naquele instante. Foi assim que um evangélico de denominação batista certa vez se expressou sobre essa passagem. Daí, ele concluiu que a ressurreição de Cristo partes de três dias depois significou que o espírito de Jesus retornou à Terra. Mas, quão grande foi a surpresa dele quando lhe foi mostrado o texto de João 20:17, que relata o que Jesus disse após sua ressurreição: “Ainda não subi para meu Pai”!

“Enquanto apedrejavam Estêvão, este fez o apelo: ‘Senhor Jesus, receba o meu espírito.’” (Atos 7:59) Estêvão não foi para o céu naquele momento como ser (pessoa) espiritual. Pois o apóstolo Paulo mostrou que a ressurreição dos cristãos como seres espirituais se daria ‘durante a presença [parousía]’ de Cristo. – 1 Coríntios 15:23.

É, pois, evidente nestes casos, e em Eclesiastes 12:7, que o “espírito” se refere à impessoal força de vida. Isso é reconhecido pela Bíblia de Jerusalém, que traduz Eclesiastes 12:7 deste modo: “O sopro volte a Deus que o concedeu.”

O texto de Ezequiel 37:5 também comprova isso, quando comparamos as traduções da Bíblia. Diz o texto:

“Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.” – ACF.

Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que vou fazer entrar em vós o fôlego da vida, e vivereis.” – ARIB.

Sopro da vida” (Ave Maria); “o fôlego” (SBB, AKJV, ASV, Darby, Geneva Bible, JPS AT, KJ 2000, KJV, Modern KJV 1963, New Heart English Bible, NIV, New Simplified Bible, Revised 1833 Webster Version, RSV, Updated Bible Version, VW Edition 2006, Webster, World English Bible.

Também, diversos textos bíblicos fazem um paralelo entre “espírito” (rúah) e “fôlego” (nesha·máh), mostrando que, neste caso, o espírito se refere a algo impessoal – a força de vida. Vejamos tais textos:

“Assim diz o verdadeiro Deus, Jeová, o Criador dos céus e o Grandioso que os estendeu, Aquele que estirou a terra e o que ela produz, Aquele que dá fôlego aos seus habitantes e espírito aos que andam nela.” – Isaías 42:5.

“Enquanto o meu fôlego estiver em mim e o espírito que procede de Deus estiver nas minhas narinas.” – Jó 27:3.

“Se ele fixasse sua atenção neles, e recolhesse o espírito e o fôlego deles, todos os humanos morreriam juntos, e a humanidade voltaria ao pó.” – Jó 34:14, 15.

Outro texto que mostra o paralelismo entre “espírito” e “fôlego” é o de Jó 33:4, que declara: “Foi o espírito de Deus que me fez, e o fôlego do Todo-Poderoso me fez viver.” Neste caso, a palavra “espírito” se refere, não à força de vida que mantém os humanos e animais vivos, mas sim ao espírito santo, cuja impessoalidade fica clara por ser descrito – não como uma pessoa espiritual, mas como o “fôlego” de Deus, algo impessoal.

O verbo “voltar” na Bíblia

Lemos as palavras de Jeová aos israelitas em Malaquias 3:7: “Desde os dias dos seus antepassados vocês têm se desviado dos meus decretos e não os têm guardado. Voltem para mim, e eu voltarei para vocês”, diz Jeová dos exércitos.”

O sentido dessa passagem foi muito bem esclarecido pelo brilhante livro intitulado livro “É Esta Vida Tudo o Que Há?”[1]:

É evidente que isso não queria dizer que os israelitas deviam deixar a terra e chegar à própria presença de Deus. Nem significava que Deus abandonaria sua posição nos céus e começaria a morar com os israelitas na terra. Antes, ‘retornar’ Israel a Jeová queria dizer dar meia-volta do proceder errado e novamente harmonizar-se com o modo justo de Deus. E ‘retornar’ Jeová a Israel significava voltar ele novamente sua atenção favorável para seu povo. Em ambos os casos, o retorno envolvia uma atitude, não um movimento literal dum lugar geográfico para outro. – Página 52; negrito acrescentado.




Portanto, o verbo “voltar” tem também este sentido figurado, além de seu sentido literal. E no caso de Eclesiastes 12:7, qual é o sentido – literal ou simbólico?

A força de vida volta literalmente a Deus?

Seria necessário que a força de vida percorresse o espaço até chegar à presença de Deus?

Um texto bíblico pode ser esclarecedor neste sentido. Lemos em Gênesis 8:20, 21: “Então Noé construiu um altar a Jeová e pegou alguns de todos os animais puros e de todas as criaturas voadoras puras, e fez ofertas queimadas no altar. E Jeová começou a sentir um aroma agradável.” Embora o aroma do sacrifício evidentemente permanecesse dentro da atmosfera terrestre, Deus o sentiu. Não foi necessário o cheiro chegar até à presença de Deus no céu. O mesmo se dá no caso do espírito, ou força de vida.

Então, em que sentido o espírito “retorna” a Deus? O artigo Estudo sobre  Pneumatologia – Parte 1” comentou a respeito, afirmando:

Uma passagem que lança luz sobre esse assunto é a de Jó 34:14, que fala de Jeová “ajuntar a si o espírito e o fôlego [“sopro”, ALA, NVI, BJ; “alento”, Ave Maria; “respiração”, NTLH]” do ser humano. Obviamente, não entenderíamos que o ar expirado pela pessoa percorreria o espaço até a presença de Deus. Correspondentemente, não se deve entender que o espírito (força vital) faça tal percurso. Quando o espírito sai do corpo, ele simplesmente se dissipa. Nesse respeito, ele pode ser comparado à eletricidade, uma força invisível que movimenta diversos aparelhos. Mas, quando o aparelho é desligado, a eletricidade que havia nele deixa de existir.

Observe que o texto de Jó 34:14 mostra que tanto o “espírito” quanto o “fôlego” são levados à presença de Deus. Sabemos que o “fôlego”, ou “respiração”, não ultrapassa o espaço da atmosfera terrestre. Ele simplesmente se dissipa, deixa de existir. O mesmo se dá com o espírito, ou força vital.

O já citado artigo Estudo sobre Pneumatologia – Parte 1” explica sobre isso:

Uma ilustração também pode ajudar na compreensão do assunto: digamos que alguém compre um terreno a ser pago em prestações, mas que não consegue pagá-lo. Neste caso o terreno ‘retorna’ ao seu proprietário. Ninguém concluiria disso que o terreno saiu do lugar em que estava. Apenas o direito, a posse e a autoridade sobre o terreno é que ‘retorna’ às mãos de seu dono.

De modo similar, quando alguém morre, todas as perspectivas de vida futura dessa pessoa passam a estar nas mãos de Deus, que decidirá se irá ressuscitar tal pessoa por fornecer a ela a força, ou espírito, de vida. – Lucas 8:55; 23:46. (Negrito acrescentado.)

O livro “É Esta Vida Tudo o Que Há?” complementa o assunto, declarando:

A situação poderia ser comparada à dum réu que diz ao juiz: ‘Minha vida está nas suas mãos.’ Ele quer dizer que dependerá do juiz o que se fará com sua vida. O réu não tem escolha no assunto. Está fora das suas mãos.

De modo similar no caso dum homem falecido, ele não tem controle sobre seu espírito ou sua força de vida. Este retornou a Deus no sentido de que controla as perspectivas de vida futura da pessoa. Cabe a Deus decidir se ele vai ou não vai devolver o espírito ou força de vida ao falecido. – Páginas 52, 53.

Outras passagens bíblicas mostram, de modo figurado, que a possibilidade de vida futura se encontra nas mãos de Deus. Colossenses 3:3 afirma: “Pois vocês morreram, e a sua vida está escondida junto com o Cristo em união com Deus.” Jó 12:10 declara: “Ele tem nas mãos a vida de todos os seres vivos e o espírito de todos os humanos.”

Conclusão

Eclesiastes 12:7 é um texto que provê esperança – a esperança de ressurreição, de voltar a viver como ser humano. Pois o espírito (força de vida), por ocasião da morte de um ser humano, não simplesmente se extingue, mas ‘volta a Deus’ (do mesmo modo como o seu fôlego [Jó 34:14]), no sentido de que a perspectiva de vida futura existe – ela não se extinguiu com a morte da pessoa!


Nota:
[1] Publicado pelas Testemunhas de Jeová.

Explicação das siglas usadas:

ACF; ACRF: Almeida Corrigida Revisada Fiel.
AKJV: American King James Version.
Al: Almeida Revista e Corrigida.
ARIB: Almeida Revisada Imprensa Bíblica.
ASV: American Standard Version.
IBB: Imprensa Bíblica Brasileira.
JPS: Jewish Publication Society.
KJ 2000: King James 2000.
KJV: King James Version.
Modern KJV 1963: Modern King James Version 1963.
NIV: New International Version.
RSV: Revised Standard Version.
SBB: Sociedade Bíblica Britânica.
VW Edition 2006: A Voice in the Wilderness 2006.


Referências:

Bíblia online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/>.

É Esta Vida Tudo O Que Há? Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Ano 1975. Cesário Lange – SP.

Gingrich, F. W.; Danker, F. W. Léxico do Novo Testamento Grego/Português. SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA. São Paulo-SP.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





2 comentários:

  1. Excelente artigo! Gostei das citações dos textos que colocam em paralelo espírito e fôlego pois, embora os termos não se refiram exatamente a mesma coisa, são palavras relacionadas e em certos casos intercambiáveis. Acontece que os "grandes" teólogos da cristandade, no afã de defender a doutrina pagã da Imortalidade da alma usam sofismas como a falácia da definição restrita e argumentam assim: "Se na bíblia existe uma palavra específica para 'fôlego de vida', logo "espírito" não pode significar "fôlego". Ora, só por que existe uma palavra para "fôlego" na bíblia não quer dizer que "espírito", em certos contextos, não possa significar "força de vida" ou mesmo "fôlego". Usam o mesmo argumento falso em relação a Seol, onde dizem que existem outras palavras específicas na bíblia para "sepultura, sepulcro", logo Seol (Hades, em grego) não poderia ser Sepultura. Ocorre que o significado básico de uma palavra pode ser comum à outra, embora com diferenças simples, pois Seol é a sepultura comum ou geral da humanidade, e abrange todos os mortos. Às vezes Seol é até usado intercambiavelmente com "cova" ou "sepultura".(Jó 17:13-16; Isa.38:10,11,18).

    Certo Pastor batista, chamado Jamierson, contra argumentou que a palavra espírito não pode significar "força de vida" ou fôlego, lendo textos onde ocorria a palavra espírito e esta não se referia, pelo contexto, a "fôlego"; o mesmo pastor substituiu "espírito" por "vento", "ar", "vento" e "fôlego". Um exemplo foi 2 Cor. 7:1: "Purifiquemo-nos das imundícies da carne e do fôlego[espírito, no original]..."

    Ora, é claro que o sentido nesse texto não é de "fôlego" nem de "força de vida". Como foi explicado, a palavra espírito é polissêmica. Imaginemos, porém, que usássemos o memso argumento contra ele. Troque a palavra espírito por "entidade imaterial" em Jó 27:3:

    "Enquanto o meu fôlego estiver em mim e A ENTIDADE IMATERIAL que procede de Deus estiver nas minhas narinas.”

    Entidade imaterial, ou espírito imortal e consciente nas narinas de alguém?! Isso não tem lógica. Está clara a fragilidade dos argumentos dos defensores do dogma diabólico da Imortalidade da alma, que iniciou quando Satanás, o inimigo de Deus, disse às primeiras almas humanas: "Vocês certamente não morrerão".

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