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sábado, 13 de julho de 2019

A expressão “ressurreição … que ocorrerá mais cedo” tem base linguística? (Filipenses 3:11)

Fonte: jw.org

Um leitor escreveu:

Saudações!

Mais uma vez gostaria de expressar meu apreço e admiração pelo trabalho em sua página. Escrevo-lhe para elucidar o uso da expressão “que ocorrerá mais cedo” empregada em Filipenses 3:11 na Tradução do Novo Mundo.

Pesquisando as outras versões da Bíblia que possuo, incluindo algumas interlineares, não consegui compreender a razão desse aparente acréscimo. Desde já, agradeço imensamente sua disposição em auxiliar os amantes da verdade bíblica.

Resposta:

A comissão editora da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas deu atenção a essa questão em seu periódico A Sentinela, de 1.º de março de 1964 (pp. 158-159), na seção intitulada “Perguntas dos Leitores”. Segue abaixo parte do conteúdo da resposta dada:

A Diaglott, no texto interlinear, reza: “Se possível, possa alcançar a ressurreição fora dos mortos.” O Interlinear Greek-English New Testament de Marshall, que se baseia no texto de Nestle, verte a expressão em questão na sua tradução interlinear: “a dentre-ressurreição”. E a Emphasized Bible, por J. Rotherham, reza: “Se de alguma maneira possa avançar a uma ressurreição mais cedo, que é dentre os mortos.” A nota ao pé da página sobre isso diz: “Mais literalmente: ‘a dentre-ressurreição’.”

A palavra grega empregada aqui não é anástasis, a palavra que quase invariavelmente aparece no grego quando uma tradução portuguesa diz “ressurreição”, e que aparece mais de quarenta vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. Antes, é a palavra exanástasis, palavra esta que, diga-se de passagem, aparece apenas neste texto. Basicamente, em grego exanástasis significa levantar-se cedo de manhã, de modo que implica o que é cedo e, por conseguinte, levantar-se mais cedo de entre os mortos. Paulo tinha em mente ali, sem dúvida, a “primeira ressurreição”, que anos mais tarde João mencionou em Apocalipse 20:6: “Feliz e santo é todo aquele que tem parte na primeira ressurreição.” (Negrito acrescentado.)

Adicionalmente, a obra Estudo Perspicaz das Escrituras (volume 3, p. 434, verbete “Ressurreição”) explica:

[…] Sobre a expressão aqui usada por Paulo, Word Pictures in the New Testament (Quadros Verbais no Novo Testamento, 1931, Vol. IV, p. 454), de Robertson, diz: “Pelo visto, Paulo está pensando aqui somente na ressurreição dos crentes dentre os mortos, e, assim, duplica o ex [dentre] (ten exanastasin ten ek nekron). Paulo, com tal linguagem, não está negando uma ressurreição geral, mas está enfatizando a dos crentes.” A obra Commentaries (Comentários), de Charles Ellicott (1865, Vol. II, p. 87), observa sobre Filipenses 3:11: “‘A ressurreição dentre os mortos’; i.e., como sugere o contexto, a primeira ressurreição (Rev. xx. 5), quando, na vinda do Senhor, os mortos Nele ressuscitarão primeiro (1Tessalon. iv. 16), e os vivos serão arrebatados para encontrar-se com Ele nas nuvens (1Tess. iv. 17); compare com Lucas xx. 35. A primeira ressurreição incluirá somente os verdadeiros crentes, e, aparentemente, antecederá a segunda, a dos não-crentes e dos descrentes, na sequência do tempo . . . Qualquer referência aqui a uma ressurreição meramente ética (Cocceius) é inteiramente fora de propósito.” Um dos significados básicos da palavra e·xa·ná·sta·sis é levantar-se da cama pela manhã; assim, bem que pode representar uma ressurreição que ocorra cedo, também chamada de “primeira ressurreição”. A tradução, em inglês, de Rotherham, de Filipenses 3:11 reza: “Se, de todo o modo, eu puder avançar até a ressurreição mais cedo, que é de entre os mortos.” (Negrito acrescentado.)



Conforme The Liddell, Scott, Jones Ancient Greek Lexicon (LSJ), talvez o mais conhecido dicionário grego-inglês antigo, um dos significados de ἐξανάστασις é “levantar-se da cama pela manhã”.

Um site de pesquisa bíblica comenta sobre tal palavra grega:

Em Filipenses 3:11, por exemplo, Paulo fala de sua esperança de alcançar “a ressurreição dentre os mortos”. Literalmente, a frase diz “a ressurreição fora dentre os mortos” (τν ξανάστασιν τν κ νεκρῶν – tēn exanastasin) ek nekrõn). Observe, em particular, a preposição prefixada e o plural. Esses textos se encaixam bem com o conceito de duas ressurreições. Por conseguinte, julgamos que a visão pré-milenista é mais adequada do que o amilenismo. Há outras passagens que sugerem uma ressurreição de um grupo seleto (Lc 14:14; 20:35; 1 Coríntios 15:23; Fp 3:11; 1 Tessalonicenses 4:16) ou uma ressurreição em dois estágios (Dan. 12: 2; João 5:29).[1] (Negrito acrescentado.) 

A sutil diferença no sentido entre anástasis e exanástasis é despercebida por dicionaristas bíblicos e também por tradutores da Bíblia. Por outro lado, a Tradução do Novo Mundo mostra sua exatidão e precisão também nesta passagem de Filipenses 3:11.  


Nota:
[1]Theological Encounters. Eschatology. Disponível em: <https://www.theologicalencounters.com/eschatology>.


Referências:

A Sentinela. 1.º de março de 1964 (pp. 158-159), na seção intitulada “Perguntas dos Leitores”. Por que é que a Tradução do Novo Mundo traz as palavras “mais breve” em Filipenses 3:11?


Liddell-Scott-Jones. Ancient Greek Lexicon. Disponível em: <https://www.studylight.org/lexicons/greek/1815.html>.

______. LSJ. ξανάστασις. Disponível em: <https://lsj.gr/>.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org









sábado, 6 de julho de 2019

Por que o nome de Jeová é uma torre forte? (Provérbios 18:10)




Lemos em Provérbios 18:10: “O nome de Jeová é uma torre forte, à qual o justo se acolhe e está seguro.” – SBB; veja também TB; ASV; Darby; NSB; VW; YLT; RV; SRV; Elberfelder 1871 (em alemão); Leander van Ess, rev. 2 (em alemão); Veren’s Contemporary Bible (em búlgaro). 

Outras versões usam “Name of Yahweh” (“Nome de Yahweh”), a exemplo de Rotherham Version, Updated Bible Version, World English Bible.

“Jahwes”, Elberfelder 1905; FreeBible 2004; Neue Evangelistische Übersetzung; Textbibel (todas em alemão).

 Fonte: jw.org

Nesta passagem ocorre o Tetragrama (palavra grega para “quatro letras”) Iode, Hê, Vau, Hê, o qual, transliterado para nosso alfabeto, corresponde respectivamente às letras Y, H, W, H, ou I, H, V, H. As traduções têm vertido tal nome por “Jeová”, “Javé” e “Iavé”. Com relação à pronúncia “Jeová”, lemos no artigo Qual é a pronúncia correta do nome de Deus?”:

Origem e legitimidade da pronúncia “Jeová”

No Códice de Alepo, de 930 EC, o Tetragrama contém os sinais vocálicos, colocados pelos judeus massoretas, para sonorizar Yehowáh. “Jeová” é a forma latinizada dessa pronúncia hebraica que já existe na forma escrita desde o 10.º século EC. Devido à origem multicentenária da pronúncia “Jeová”, ela se firmou como a forma convencional e internacionalmente aceita do nome de Deus, do mesmo modo como a pronúncia “Jesus” é a forma convencional e internacionalmente aceita do nome do Filho de Deus.

Porém, longe de propor uma discussão linguística sobre a pronúncia do nome divino, este artigo tem por objetivo responder à pergunta: Por que a Bíblia afirma que o nome de Jeová é uma torre forte?

A importância de orar a Deus usando o nome Dele

É interessante que Provérbios 18:10 não afirma simplesmente que os títulos “Deus” ou “Senhor” são uma torre forte. Não. O texto é específico em declarar que o nome “Jeová” é uma torre forte. Isto salienta a importância de se usar o nome divino ao orar a Deus. Afinal, assim como nós gostamos de que as pessoas que conversam conosco, ou quando falam a outros sobre nós, se refiram a nós pelo nosso nome, o mesmo se dá com o Deus Todo-Poderoso. Observe como os textos abaixo ressaltam a relevância do uso do nome divino:

“Todas as nações me cercaram; mas, em nome de Jeová, eu as pus em fuga. Cercaram-me, sim, eu estava cercado de todos os lados; mas, em nome de Jeová, eu as pus em fuga. Cercaram-me como abelhas, mas foram extintas tão rápido como um fogo entre espinhos. Em nome de Jeová, eu as pus em fuga.” – Salmo 118:10-12.

“Todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo.” – Joel 2:32.

O uso de um nome próprio para Deus

Hoje, é comum no meio cristão simplesmente o uso do título “Deus” para se referir ao Criador do Universo. ‘Afinal’, argumentam tais pessoas que assim o fazem, ‘não há outro Deus’. Mas o ponto é que o antigo povo de Deus – a nação de Israel – embora reconhecesse a existência de apenas um só Deus supremo, não hesitava em usar o nome dele, inclusive para distingui-lo dos deuses das nações pagãs. Naquela época, era comum todos os povos se referirem a suas divindades pelo nome delas. Observe isso no emocionante relato envolvendo o profeta Elias e os adoradores de Baal.

Elias propôs um teste aos 450 profetas de Baal, dizendo: “Invoquem o nome do seu deus, e eu invocarei o nome de Jeová. O Deus que responder enviando fogo mostrará que é o verdadeiro Deus.” (1 Reis 18:24) A continuação do relato passa a dizer: “Invocaram o nome de Baal desde a manhã até o meio-dia, dizendo: ‘Ó Baal, responde-nos!’ Mas não se ouvia nenhuma voz; ninguém respondia. Elias, o profeta, aproximou-se do altar e disse: ‘Ó Jeová, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, saiba-se hoje que tu és Deus em Israel, que eu sou o teu servo e que foi segundo a tua ordem que fiz todas essas coisas. Responde-me, ó Jeová! Responde-me, para que este povo saiba que tu, Jeová, és o verdadeiro Deus.” – 1 Reis 18:26, 36, 37.

Esta eletrizante narrativa mostra que somente Jeová respondeu, e de uma forma esplendorosa. Lemos em 1 Reis 18:38, 39: “Então desceu fogo da parte de Jeová e consumiu a oferta queimada, a lenha, as pedras e o pó, e secou a água que havia na vala. Quando o povo viu isso, todos se prostraram imediatamente com o rosto por terra e disseram: ‘Jeová é o verdadeiro Deus! Jeová é o verdadeiro Deus!’”

Fonte: jw.org

Observe o leitor como estava envolvido o nome próprio de cada divindade – tanto o do verdadeiro Deus, Jeová, quanto o do falso deus, Baal.

Que dizer de nossos dias? Ainda é importante usar o nome divino?

Mesmo no arranjo do cristianismo, continua sendo importante o uso do nome de Deus, além do uso dos títulos que ele tem (tais como “Deus”, “Senhor”, “Criador” etc.). Prova disso é que, em seu discurso explicando o fenômeno do derramamento do espírito santo em Pentecostes de 33 EC, o apóstolo Pedro citou a profecia de Joel, a qual declara, em parte: “E todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo.” – Atos 2:21; Joel 2:32.[1]

Discurso de Pedro no Pentecostes de 33 EC
Fonte: jw.org

Usar o nome nos achega mais ao Deus Todo-Poderoso. Mostra que Ele tem nome próprio. Não é um Deus anônimo. O próprio Filho de Deus honrou Jeová por usar o nome Dele. Em oração ao Pai, Jesus afirmou: “Tornei o teu nome conhecido aos homens que me deste do mundo. Eles eram teus, e tu os deste a mim, e eles obedeceram à tua palavra. Eu tornei o teu nome conhecido a eles, e o tornarei conhecido, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu em união com eles.” (João 17:6, 26) Como cristãos, que sigamos o sublime exemplo de Jesus Cristo por usar respeitosamente o nome de Deus, Jeová.

Nota:

[1]  Veja o artigo “O nome ‘Jeová’ deve constar no ‘Novo Testamento’?” neste site.


Explicação das siglas usadas:

ASV: American Standard Version.
NSB: New Simplified Bible.
RV: Reina Valera 1989.
SBB: Sociedade Bíblica Britânica.
SRV: Spanish Reina-Valera.
TB: Tradução Brasileira.
VW: A Voice in the Wilderness, edição de 2006.
YLT: Young's Literal Translation.
  

Referências:

Bíblia online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/tb/pv/18>.

Sociedade Bíblica do Brasil. Pesquisa da Bíblia. Disponível em: <http://www.sbb.org.br/conteudo-interativo/pesquisa-da-biblia/>.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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