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domingo, 29 de dezembro de 2019

Respondendo questões sobre a pronúncia do nome de Deus – Parte 1

Fonte: jw.org

Diversos leitores fizeram comentários a respeito do artigo “Qual é a pronúncia correta do nome de Deus?”Esta série de artigos aborda cada comentário, junto com uma consideração feita pelo autor do artigo.

Um leitor fez o seguinte comentário:

Ainda não percebi como pessoas com tantos estudos e Teologias não deram por isso que não se pode traduzir nomes. Como exemplos, temos Yesha‘yáhu (Isaías, “Salvação de Jeová”), ’Ahhazyáhu (Acazias, “Jeová se Apoderou”), ’Eliyáhu (Elias, “Meu Deus é Jeová”), Amatsyáhhu (Amazias, “Jeová É Poderoso”), Hhizqyáhu (Ezequias, “Jeová Fortalece”), e Yekhonyáhu (Jeconias, “Jeová Estabelece Firmemente”).

O seu Sagrado nome é imutável, é o mesmo antes dos idiomas, e o mesmo hoje e amanhã, nunca muda. Um nome traduzido é um impostor. Não admira que a Bíblia avise sobre isto, porque todo o mundo cristão adora impostores. Os nomes nunca deveriam ter sido traduzidos; mas, isto tem um objetivo: é desviar o maior número possível de humanos da verdadeira adoração. Mas o trigo está a restabelecer as origens de novo, e os filhos da luz e os filhos das trevas.

Resposta:

Como demonstrou o artigo “Qual é a pronúncia correta do nome de Deus?”, os nomes que incorporam o nome divino como prefixo mantêm a vogal “o”, iniciando como Yeo- ou Yo- (latinizado como Jeo- ou Jo-). Portanto, a pronúncia Yahu está descartada. A pronúncia “Jeová” não é uma tradução e sim uma forma latinizada, transliterada do hebraico Yehováh. Ela já está em uso há séculos e identifica satisfatoriamente a Pessoa por trás do Nome: o Deus Criador e Todo-Poderoso, cumprindo textos como Êxodo 9:16, onde Jeová declarou a respeito do Faraó do Egito: “Mas é exatamente por esta razão que o deixei vivo: para lhe mostrar o meu poder e para que o meu nome seja declarado em toda a terra.”

O artigo seguinte dará prosseguimento aos comentários dos leitores.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Um leitor comenta sobre a questão da forma do instrumento da morte de Jesus Cristo

 

Um leitor fez um interessante comentário debaixo do tema “‘Sinal dos pregos’ no corpo de Jesus – o que indica?”.  Segue abaixo as observações dele.

Apesar de todo esforço de algumas pessoas em manter a tradição de que Jesus foi pregado numa cruz, a verdade é que não há como, por meio de um estudo sério da origem da palavra para o instrumento de execução de Cristo e das origens do uso da cruz em religiões anteriores ao cristianismo, manter tal crença, sem incorrer em apoio ao paganismo.

Eu já usei pregos em vários trabalhos, e nunca vi pregos iguais deixarem marcas iguais em nenhum material. Sempre há marcas diferentes devido ao material perfurado, força aplicada ou direção em que tal prego é afixado. No caso de terem sido soldados diferentes para pregar os pés e as mãos, a possibilidade de os sinais serem diferentes nas mãos e nos pés é ainda maior. A própria estrutura das mãos e dos pés da pessoa não permitiria sinais iguais. A certeza é a seguinte – a marca nas mãos era única.

No caso de Jesus, o relato fala de pregos no plural, mas de apenas um sinal. Seria o caso de os pregos nas mãos e nos pés terem deixado apenas um sinal, dando a entender que as mãos e os pés foram transpassados com apenas um prego? Pelo menos nas mãos haveria um sinal apenas.

Um prego fixando as duas mãos seria suficiente para aguentar o peso corporal de Cristo? Sobre isso, alguns esquecem que poderia ter havido o apoio para os pés, que, apesar de fixados no madeiro, dava alguma sustentação ao corpo e poderia ter feito com que os braços não ficassem tão esticados para cima, permitindo a respiração pulmonar. O que dizer de cordas, para amarrar o corpo junto à estaca? Não há como dizer que os soldados não teriam usado esse recurso também.

Portanto, a simplicidade dos Evangelhos e a ausência da palavra para cruz nos antigos manuscritos é um testemunho desfavorável para a tradição da veneração da cruz como instrumento de execução de Cristo.

[Fim do comentário do referido leitor.]

Veja também os artigos abaixo:

           “Cruz” ou “Estaca”?





  


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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

O que são “os céus e a Terra que agora existem”?

O sistema mundial de Satanás será destruído
Fonte: jw.org

Um leitor fez o seguinte comentário debaixo do artigo “Novos céus e uma nova terra” – o que significam?”:

Os céus e terra que agora existem refere-se ao céus e terra dos tempos de Pedro, isto é, o sistema judaico. Este passou no primeiro século 66-70 DC. Os céus e terra presentes [governo de Cristo] jamais passarão.

Resposta:

Pedro falou dos céus e a terra de agora’ em contraste com a estrutura de coisas antediluviana. Observe o que ele disse:

“Pois eles propositalmente ignoram este fato: há muito tempo havia céus e uma terra situada firmemente fora da água e no meio da água pela palavra de Deus; e, por meio dessas coisas, o mundo daquele tempo sofreu destruição ao ser inundado pela água. Mas, pela mesma palavra, os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo e estão sendo guardados até o dia do julgamento e da destruição das pessoas ímpias.” – 2 Pedro 3:5-7.

O atual sistema passou a existir após o Dilúvio
Fonte: jw.org

O sistema judaico veio à existência mais de 850 anos depois do Dilúvio, nos dias de Moisés. (Êxo. 24:3, 8) Além disso, o contexto de 2 Pedro capítulo 3 mostra que os “céus e a terra que agora existem” acabarão junto com a “destruição dos homens ímpios” e serão substituídos pelos “novos céus e uma nova terra”, algo ainda futuro. (2 Ped. 3:7-13) Portanto, os referidos “céus e a terra que agora existem” são, como mostrou o artigo citado no início, “o sistema de coisas que passou a existir após o Dilúvio, constituído de poderes governamentais e de uma sociedade humana corrupta”.


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domingo, 22 de dezembro de 2019

Os cristãos devem comemorar a Páscoa?




Um leitor trouxe a este site a seguinte questão:

Boa tarde, Apologista.

Uma certa pessoa disse que é bíblico comemorar a Páscoa. Pois, 1 Coríntios 5:7 diz: “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” – Almeida Revista e Corrigida.

Como refutar esse argumento? 

Abraços!

Resposta:

A Páscoa judaica era requisito da Lei mosaica. Lemos em Levítico 23:4, 5: “Estas são as festividades periódicas de Jeová, santos congressos, que vocês devem proclamar nas épocas determinadas para elas: no primeiro mês, no dia 14 do mês, entre o pôr do sol e a noite, haverá a Páscoa para Jeová.” Mas, com a morte sacrificial de Jesus Cristo, a Lei mosaica findou. Romanos 10:4 declara sobre isso: “Porque Cristo é o fim da Lei, para que todo aquele que exercer fé possa alcançar a justiça.” Com o fim da Lei mosaica, findou também o requisito de cumprir a Páscoa.

O texto de 1 Coríntios 5:7 é uma alusão ao significado simbólico, ou ilustrativo, da Páscoa judaica. Queira notar que essa passagem e os textos circundantes não falam somente da Páscoa judaica, mas também da festividade que a seguia – a Festividade dos Pães Sem Fermento. Caso tal passagem evidenciasse que os cristãos devem guardar a Páscoa judaica, a mesma passagem seria evidência de que os cristãos deveriam guardar a Festividade dos Pães Sem Fermento. Lemos em 1 Coríntios 5:6-8: “Não sabem que um pouco de fermento leveda a massa toda? Eliminem o velho fermento, para que sejam massa nova, sem fermento, como de fato são. Pois, realmente, Cristo, o nosso cordeiro pascoal, já foi sacrificado. Portanto, celebremos a festividade [dos Pães Sem Fermento; Êxodo 13:7], não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da impiedade, mas com pães sem fermento, de sinceridade e de verdade.”

Com relação à Festividade dos Pães Sem Fermento, sabemos que o fermento na Bíblia está relacionado ao pecado. Isto é evidenciado pelos textos abaixo:

“Jesus lhes disse: ‘Mantenham os olhos abertos e tomem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.’” – Mateus 16:6.

“‘Como é que vocês não compreendem que não lhes falei de pão? Eu lhes disse que tomassem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.’ Compreenderam então que ele falava para tomarem cuidado, não com o fermento de pão, mas com os ensinamentos dos fariseus e dos saduceus.” – Mateus 16:11, 12.

“Enquanto isso, quando uma multidão de muitos milhares havia se ajuntado a ponto de atropelarem uns aos outros, ele começou a falar, dirigindo-se primeiro aos discípulos: ‘Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.’” – Lucas 12:1.

Paulo usa o fermento para ilustrar o mesmo ponto em 1 Coríntios 1 Coríntios 5:6-8. A alusão à tal festividade é apenas ilustrativa, para mostrar que, assim como os que estiveram debaixo da Lei mosaica deveriam se abster do fermento literal nessa santa festividade, os cristãos devem evitar o fermento figurativo (o pecado), que corrompe.

Com relação à citação da Páscoa, Paulo compara Jesus com o cordeiro pascoal que era sacrificado na Páscoa judaica.

Sobre a palavra grega πάσχα (páskha), usada em 1 Coríntios 5:7, temos a seguinte explicação:

πάσχα , n   \ {pas'-khah}
1) o sacrifício pascoal (que costumava ser oferecido para o livramento do antigo povo do Egito); 2) o cordeiro pascoal, isto é, o cordeiro que os israelitas estavam acostumados a matar e comer no décimo quarto dia do mês de Nisã (o primeiro mês de seu ano) em memória do dia em que seus pais, preparando-se para partir do Egito, foram convidados por Deus para matar e comer um cordeiro, e para polvilhar suas portas com o seu sangue, de modo que o anjo destruidor, vendo o sangue, poderia passar por alto suas moradas; Cristo crucificado é comparado ao cordeiro pascal morto; 3) a ceia pascoal; 4) a festa pascoal, a festa da Páscoa, que se estende do 14º ao 20º dia do mês de Nisã.[1]

Em harmonia com o acima, a NVI traduz páskha por “Cordeiro pascal”. Diversas traduções em língua inglesa vertem páskha por “cordeiro da Páscoa”. Veja BLB; BSB; CEV; CSB; ESV; GNT; GW; NASB; NB; NIV; NLT; WNT.

Jesus tomou o lugar desse cordeiro, tornando-se para nós “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (João 1:29) Outras similaridades proféticas foram trazidas à atenção pela obra “Estudo Perspicaz das Escrituras”[2], na qual lemos:

Certas particularidades da celebração da Páscoa cumpriram-se em Jesus. Um cumprimento está relacionado com o fato de que o sangue sobre as casas no Egito livrou os primogênitos israelitas da destruição às mãos do anjo destruidor. Paulo fala dos cristãos ungidos como a congregação dos primogênitos (He 12:23), e de Cristo como o seu libertador, mediante o seu sangue. (1Te[ssalonicenses] 1:10; Ef[ésios] 1:7) Nenhum osso do cordeiro pascoal devia ser quebrado. Havia sido profetizado que nenhum dos ossos de Jesus seria quebrado, e isto se cumpriu por ocasião de sua morte. (Sal[mo] 34:20; Jo[ão] 19:36) Assim, a Páscoa observada pelos judeus durante séculos era uma daquelas coisas em que a Lei provia uma sombra das coisas vindouras e apontava para Jesus Cristo, “o Cordeiro de Deus”. — He 10:1; Jo[ão] 1:29. – Vol. 3, verbete “Páscoa”, p. 181.





Portanto, não há obrigação bíblica de se cumprir a Páscoa judaica. 


Nota:
[1] Disponível em: <http://www.greekbible.com/>.
[2] Publicada pelas Testemunhas de Jeová.


Explicação das siglas usadas:

BLB: Berean Literal Bible.
BSB: Berean Study Bible.
CEV: Contemporary English Version.
CSB: Christian Standard Bible.
ESV: English Standard Version.
GNT: Good News Translation.
GW: GOD'S WORD® Translation.
NASB: New American Standard Bible. 
NB: NET Bible.
NIV: New International Version.
NLT: New Living Translation.
NVI: Nova Versão Internacional.
WNT: Weymouth New Testament.


Referências: 

Bible Hub. Disponível em: <https://biblehub.com/1_corinthians/5-7.htm>.

Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/acv/1co/5>.

The Online Greek Bible. Disponível em: <http://www.greekbible.com/>.



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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Desabafo de um leitor sobre as traduções existentes na cristandade

 

Referente ao artigo “O ‘Cordeiro’ foi morto desde a fundaçãodo mundo?”, um leitor expressões seus profundos sentimentos, dizendo:

Querido irmão, eu acho que a busca, sempre que um texto nos confronta a pensar e a buscar interpretação, passa a trazer à luz das línguas originais uma nova ou diferente menção do texto lido em nossa língua, e isso sei que é um desafio. Mas, fico triste, pois traz um raciocínio novo e desconfiado quanto à tradução de JFA [João Ferreira de Almeida]. Pelo que sei, ele era um homem muito versado nas línguas originais, piedoso e culto. Então, agora nós, nas últimas décadas, estamos colocando a tradução feita por ele muitas das vezes em cheque quanto à interpretação.

Gostei da análise do texto, mas fico muito preocupado com a versão que temos em mãos, e me pergunto: Por que nossos exegetas, apologetas, biblicistas, hermeneutas e professores até agora só acrescentam novas interpretações do texto de JFA e não assumem a responsabilidade e a necessidade de fazer uma tradução mais literal e fidedigna das Escrituras, com respaldo da IBB [Imprensa Bíblica Brasileira] e de outros órgãos de confiança nas Escrituras Sagradas?

Desculpa o desabafo, mas eu fico apreensivo e às vezes triste, ok? Forte abraço e a Paz. 

Resposta:

Este site respeita os nobres esforços de João Ferreira de Almeida, mas também de forma respeitosa e honesta mostra as limitações de sua tradução, bem como a omissão das comissões de tradução em fazer traduções mais exatas nas partes em que Almeida não teve condições de fazer melhor.

Veja, por exemplo, os seguintes artigos neste site:



Como cristão, sinto-me na obrigação para com meus leitores de trazer à tona os pontos acima. Lamento que pessoas sinceras, como o leitor que expressou seus sinceros sentimentos, se entristeçam justificadamente. Porém, felizmente há comissões de tradução da Bíblia que se esforçam a traduzir fielmente a Palavra de Deus, produzindo traduções fidedignas da Bíblia, a exemplo da Tradução do Novo Mundo.

Veja a série de quatro artigos “TRADUÇÃO NO NOVO MUNDO DA BÍBLIA SAGRADA – ERUDITA E CONFIÁVEL”, clicando  abaixo:


  
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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Defendendo a fé de modo correto

Fonte: jw.org

“Mas santifiquem o Cristo como Senhor no seu coração, sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que lhes exigir uma razão para a esperança que vocês têm, fazendo isso, porém, com brandura e profundo respeito.” – 1 Pedro 3:15.

O texto bíblico acima estabelece o modo em que devemos defender o que julgamos ser as crenças cristãs. Nesta questão, o autor deste site e seus colaboradores têm se esforçado em seguir este elevado padrão estabelecido pelo cristianismo. Os comentários abaixo, feitos por leitores dos artigos deste site, demonstram isso:

“Um ponto notável na escrita de seus artigos, além da pesquisa em si, é o modo respeitoso de explanar sua defesa.”

“Prezado Senhor Apologista: Sou professor de Teologia. Li com interesse seu artigo acima e, embora eu discorde doutrinalmente dele, tenho de admitir que está muito bem redigido, no elevado nível de um trabalho acadêmico primoroso, com português correto e atual. Posso dizer o mesmo de outros artigos que li em seu blog. Acredito que seus artigos fornecem uma excelente contribuição para o estudante de grego bíblico, independente dos conceitos teológicos que tal estudante endosse, bem como propõem elementos ideológicos para a discussão e a avaliação de aspectos aparentemente frágeis de dogmas perpetuados ao longo da história cristã. Parabéns pelo seu bom trabalho.”

Por outro lado, o autor deste site não faz pesquisas em sites ou blogs que destoam do padrão cristão ao fazerem a defesa de seus conceitos religiosos. Artigos de blogs ou sites que usam linguagem ofensiva não combinam com os elevados padrões de respeito que se espera de um cristão. (Colossenses 4:6; 1 Pedro 3:15) Tais artigos podem levar leitores sinceros a concluir que a motivação e a natureza do que propõem estão em completa desarmonia com a diretriz da Palavra de Deus, que declara: “Busque a paz e se empenhe por ela.” (1 Pedro 3:11) Conversas sobre a Bíblia devem ser feitas num espírito de amor e de respeito, visto que giram em torno da sagrada Palavra de Deus; e os que sobre ela conversam devem representá-la bem, sobretudo na conduta e na linguagem.



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domingo, 15 de dezembro de 2019

Como Jesus apareceu aos doze apóstolos, se havia apenas 11 na ocasião? (1 Coríntios 15:5)


Fonte: jw.org

Um leitor escreveu:

Olá, prezado Apologista, bom dia!! Espero eu que você esteja bem, na graça de Jeová! Venho mais uma vez te pedir, caso você tenha um tempinho, para que possa me ajudar nesta questão que tenho.

A Bíblia relata que o nosso Senhor Jesus Cristo tinha 12 Apóstolos. (Mateus 10:2-5) Mas, nestes 12 Apóstolos, Judas por ter sido um traidor não teve longa duração de vida. (Mateus 27:3-5; o versículo 5 relata que ele se enforcou.) Com isso eu vejo que só haviam ficado 11 Apóstolos.

Então, de que modo Cristo apareceu aos 12 Apóstolos, visto que Judas já havia morrido nesta época? (1 Coríntios 15:5).

Resposta:

Vejamos os textos envolvidos:

Os nomes dos 12 apóstolos são estes: primeiro, Simão, o chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu; e Tadeu; Simão, o Cananita; e Judas Iscariotes, que mais tarde o traiu.” – Mateus 10:2-4.

“Então [Judas Iscariotes] foi se enforcar.” – Mateus 27:5b. 

“Depois de dizer isso, ele [Jesus Cristo] foi levado para cima enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu de modo que não puderam mais vê-lo. Então eles voltaram a Jerusalém, saindo do chamado monte das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de apenas uma jornada de sábado. Quando chegaram, subiram para a sala do andar de cima, onde estavam hospedados. Achavam-se presentes Pedro e também João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zeloso, e Judas, filho de Tiago. [11 apóstolos] Naqueles dias, Pedro se levantou no meio dos irmãos (os presentes ali somavam cerca de 120 pessoas), e disse: Portanto, é necessário que um dos homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus realizou suas atividades entre nós (desde o seu batismo por João até o dia em que do nosso meio foi levado para cima) se torne testemunha conosco da sua ressurreição.’ Assim, indicaram dois: José, chamado Barsabás, que também era conhecido como Justo, e Matias. Então, lançaram sortes para decidir entre os dois, e a sorte caiu para Matias, e ele foi contado com os 11 apóstolos.” – Atos 1:9, 11, 13, 15, 21-23, 26.

 “E que apareceu a Cefas [Pedro], depois aos Doze.” – 1 Coríntios 15:5.
  
O aparecimento a que Paulo faz referência em 1 Coríntios 15:5 parece ser o registrado em João 20:26-29, que envolvia o apóstolo Tomé.

A expressão “os Doze” refere-se aos apóstolos como grupo

A expressão “os Doze” parece referir-se aos apóstolos como grupo, independentemente da quantidade.  Podemos ver isso em João 20:24, onde lemos: “Mas Tomé, um dos Doze, que era chamado Gêmeo, não estava com eles quando Jesus apareceu.” Nessa ocasião, Judas já havia morrido. Mesmo assim, o relato evangélico fala dos 11 apóstolos usando o termo ‘os Doze’.

Sobre isso, o periódico A Sentinela tece o seguinte comentário:

É comum referir-se a um grupo coletivamente, mesmo que um membro dele esteja ausente. (“A diretoria decidiu. . .” “O corpo de anciãos se reuniu. . .”) Assim, a expressão “os doze” pode muito bem ter sido usada com relação ao inteiro grupo de apóstolos, mesmo se um ou dois deles estivessem ausentes numa determinada ocasião. (Compare com Atos 6:1-6.)[1]

Outra possibilidade, aventada por alguns comentaristas bíblicos, é a de que a alusão a ‘os Doze’ em 1 Coríntios 15:5 inclui o apóstolo Matias, o qual, embora ainda não fosse um dos 12 apóstolos na ocasião mencionada no texto, já convivia com os apóstolos. Sobre isso, veja os comentários abaixo:

Em 1 Coríntios 15:5, a referência ‘os doze’ se refere aos apóstolos num tempo anterior à seleção de Matias, mas, segundo Atos 1:21, 22, incluiria a Matias, que então se associava com os onze.[2]

Embora Matias ainda não tivesse sido então designado para substituir a Judas, ele era um discípulo veterano. (Atos 1:21, 22) Visto que ele se associava intimamente com os apóstolos originais e pouco depois foi “contado com” eles, o comentário retrospectivo a respeito do aparecimento de Jesus aos “doze” provavelmente incluía Matias.[3]

Sem dúvida tendo presente Provérbios 16:33, lançaram-se sortes, e Matias foi escolhido, e, depois disso, “foi contado com os onze apóstolos”. (At 1:23-26) Ele acha-se assim incluído entre “os doze” que resolveram o problema a respeito dos discípulos de língua grega (At 6:1, 2), e, evidentemente, Paulo o inclui ao referir-se “aos doze”, ao falar das aparições pós-ressurreição de Jesus, em 1 Coríntios 15:4-8.[4]

Vejamos como diversos comentaristas bíblicos analisam o assunto.

Elicott:


Que ele foi visto por Cephas. - A partir das indicações de sequência aqui, podemos concluir que as aparições aqui agrupadas estão dispostas em ordem cronológica. Nós temos essas aparições: (1) A Cephas (veja Luc. 24:34). (2) Aos Doze – a frase “os Doze” sendo usada para indicar, não o número de presentes, mas o grupo ao qual eles pertenciam, como Decemviri pode ser usado, ou Conselho Hebdomadal, não para expressar o número exato, mas o corpo corporativo - (veja Luc. 24:36; Jo 20:19). 

Na antiga Roma, Decemviri era um termo técnico latino que significava “dez homens”, e era aplicado a um membro de colégios compostos por dez magistrados.[5] Segundo o livro “História do povo romano, desde a fundação de Roma até ao fim da República” (de José Tomaz de Aquino Barradas), “o número destes oficiais aumentou pela sucessão dos anos: houve tempo que chegaram a dez, e depois a quinze”[6].

Albert Barnes:

Então aos doze – Os apóstolos; ainda chamados “os doze”, embora Judas não fosse um deles. Era comum chamar os apóstolos de “os doze”; Jesus apareceu aos apóstolos de uma só vez na ausência de Tomé (João 20:19, 24); e também para eles quando Tomé estava presente (João 20: 24-29). Provavelmente Paulo aqui se refere à última ocasião, quando todos os apóstolos sobreviventes estavam presentes.

Joseph Benson:

Então aos doze — Aquela companhia de apóstolos assim chamada, embora vários do número não estivessem presentes quando ele apareceu.

João Calvino:

Mas como é que ele diz que apareceu aos doze, quando, após a morte de Judas, restaram apenas onze? […] Como sabemos, havia doze em número que foram separados pela nomeação de Cristo, embora um deles tivesse sido expurgado do rol, não há absurdo em supor que o nome foi mantido. Neste princípio, havia um corpo de homens em Roma que eram chamados Centumviri(16) enquanto eles estavam em número 102. (17) Os doze, portanto, você deve simplesmente entender os Apóstolos escolhidos.

Adam Clarke:

Então aos doze - Em vez de δωδεκα (doze), ενδεκα (onze), é a leitura de D * EFG, siríaco na margem, alguns dos eslavos, armênios, Vulgata, Itala e vários dos pais; e esta leitura é suportada por Marcos 16:14. Talvez o termo doze seja usado aqui apenas para indicar a sociedade dos apóstolos, que, embora tivessem apenas onze membros, ainda eram chamados de doze, porque esse era o número original deles e um número que depois foi preenchido. Veja João 20:24.

Thomas Coke:

1 Coríntios 15: 5. Depois aos doze É certo que nem Judas nem Tomé estavam lá, e provavelmente Tiago pode ter estado ausente, (veja em 1 Coríntios 15:7). Mas como o conselho de vinte e três membros entre os judeus poderia ser mencionado para ser constituído, se a maior parte estivesse presente, embora o número não estivesse completo, do mesmo modo o grupo [dos apóstolos] pode ser chamado de doze, ainda que supostamente uma quarta parte estivesse ausente. Veja Marcos 16:14; Lucas 24:36; João 20:26.

Sobre o referido conselho judaico de vinte e três membros, lemos o seguinte na obra Estudo Perspicaz das Escrituras:

[…] havia em Jerusalém tribunais inferiores, cada um composto de 23 membros. Segundo a Míxena (Sanhedrin 1:6), havia desses tribunais menores também em outras cidades de tamanho suficiente em toda a Palestina. O pleno número de juízes que compunham o tribunal não se reunia em todos os casos. Esse número variava de acordo com a gravidade do assunto a ser julgado e com a dificuldade em chegar a um veredicto. (Volume 3, p. 742, verbete “Tribunal de justiça”.)



John Wesley:

 Aos doze – Esta era a sua denominação permanente; mas o seu número completo não estava então presente. 


Os doze - O número redondo para “os onze” (Lucas 24:33; Lucas 24:36). ”Os Doze” era a denominação comum, mesmo quando o número deles não estava completo. No entanto, muito possivelmente, Matias estava presente (Atos 1:22, Atos 1:23). Alguns dos mais antigos manuscritos e versões leram “os Onze”; mas os melhores, no geral, “os Doze”.




Depois aos doze; embora houvesse então onze deles (Judas se foi deles e se destruiu); e no primeiro aparecimento de Cristo para eles, havia apenas dez presentes, estando Tomé ausente; e devido a que seu número original, quando eleitos e chamados pela primeira vez, era doze, eles ainda seguiam o mesmo nome; veja João 20:24; Gênesis 42:13. Os aparecimentos ou aparições aqui referidos são aqueles em João 20:19 e em João 20:26. A Vulgata Latina lê “os onze”; e assim o exemplar claromontano[7].


Aos doze – Esta era sua denominação permanente; mas o seu número completo não estava então presente.


Aos doze (τοῖς δώδεκα). O nome técnico. Apenas dez estavam presentes, pois Judas estava morto e Tomé estava ausente (João 20:24).



Considerações finais

Portanto, tendo em vista os comentários acima, a referência que Paulo fez aos “Doze” em 1 Coríntios 15:5 não é um anacronismo, mas se refere aos apóstolos como grupo, independentemente da quantidade deles.


Notas: 

[1] Periódico A Sentinela de 15 de janeiro de 1988, p. 30, sob “Perguntas dos Leitores”, com o tema “Quem eram os “doze” a quem Jesus apareceu, conforme mencionado em 1 Coríntios 15:5?”
[2] Periódico A Sentinela de 15 de novembro de 1971, p. 703, sob “Perguntas dos Leitores”.
[3] Periódico A Sentinela de 15 de janeiro de 1988, p. 30, sob “Perguntas dos Leitores”, com o tema “Quem eram os “doze” a quem Jesus apareceu, conforme mencionado em 1 Coríntios 15:5?”
[4] Obra Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 1, p. 161, verbete “Apóstolo”.
[5] Decênviro. Corriere della Sera. Dicionário da Língua Italiana. Disponível em: <https://dizionari.corriere.it/dizionario_italiano/D/decemviro.shtml?refresh_ce-cp>. Decemviri. Educalingo. Disponível em: <https://educalingo.com/es/dic-en/decemviri>. “Decênviro”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013. Disponível em: <https://dicionario.priberam.org/dec%C3%AAnviro>.
[6] BARRADAS, Tomaz de AquinoHistória do povo romano, desde a fundação de Roma até ao fim da República”. Disponível em: <https://books.google.com.br/>.
 [7] “O Códice Claromontano (D2) também está escrito em grego e em latim em páginas opostas, o grego à esquerda e o latim à direita. Contém as cartas canônicas de Paulo, inclusive Hebreus, e é considerado ser do sexto século. Foi supostamente encontrado no mosteiro de Clermont, na França, e foi adquirido por Theodore Beza, mas é agora preservado na Bibliothèque Nationale em Paris.” – Estudo Perspicaz das Escrituras (volume-2, p. 759, verbete “Manuscritos da Bíblia”.
  

Referências

Bible Study Tools (“Ferramentas de Estudo da Bíblia”). Disponível em: <https://www.biblestudytools.com/aa/1-corintios/passage/?q=1-corintios+15:5-15>.


Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible (“Comentário Crítico e Explicativo sobre a Bíblia Inteira”). Disponível em: <https://www.biblestudytools.com/commentaries/jamieson-fausset-brown/1-corinthians/1-corinthians-15.html>.





A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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