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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Respondendo questões sobre a forma do instrumento da morte de Jesus – Parte 1

Fonte: jw.org

Concernente ao artigo Sinal dos pregos no corpo de Jesus – o que indica?, um leitor teceu o seguinte comentário:

Amigo, tem que decidir quantos pregos foram. Na explicação que você nos dá, em um momento diz dois pregos; e ainda justifica que as ilustrações são artísticas e que não correspondem ao fato realmente acontecido. Mas, logo no final do assunto “PREGOS” você afirma que foi um. Acredito que você está confuso nesse seu esclarecimento. Yechua (nome hebraico de Jesus) morreu numa cruz; entenda que ele não carregou uma cruz, mas sim a barra transversal.

A palavra grega traduzida por “cruz é “staurov” (stauros) e o verbo é “staurovw” (stauroo). Na literatura grega clássica, stauros significa: “empalação, enforcamento, estrangulamento”, além de “estaca”. Era também um instrumento de suplício: uma viga colocada nos ombros do réu. Não existe uma definição única para o termo, como ensina a STV [Sociedade Torre de Vigia]. A palavra stauros por si não diz a técnica nem a forma exatas da execução.

Para saber com mais exatidão sobre essa execução, é necessário de antemão saber em que região, em que época e sob que autoridade foi executada a sentença, além de conhecer o ponto de vista do escritor que emprega o referido vocábulo.

No Velho Testamento o termo “estaca” aparece em Êxodo 35.18; 38.31; Números 3.37; 4.32; Juízes 4.21-22; 5.26; Isaías 33.20; 54.2; Ezequiel 15.3; Zacarias 10.4, e em nenhuma delas a Septuaginta traduziu por “stauros”. O verbo “stauroo” aparece só uma vez no Velho Testamento, em Ester 7.9-10, e é traduzido por “enforcar”. A STV não tem autoridade para dogmatizar sobre ser stauros apenas “estaca”. Não existe apoio bíblico nem histórico para o ensino da Torre de Vigia.

Resposta:

O estudo do artigo mencionado no início, sobre o uso bíblico da palavra “sinal” na passagem de João, não deixa dúvida de que a possibilidade de Cristo ter sido pregado numa cruz transversal está fora de cogitação. 

Stau•rós, tanto no grego clássico como no coiné, não transmite a ideia de “cruz”, com duas barras de madeira. Significa apenas uma estaca reta, um pau, uma trave ou um poste reto, como do tipo que poderia ser usado para cerca, estacada ou paliçada. O antigo poeta grego Homero usa a palavra staurós para se referir a um poste ou estaca comum, ou um simples pedaço de madeira. E este é o significado e o uso da palavra em todos os clássicos gregos. Nunca se refere a dois pedaços de madeira cruzados em algum ângulo, mas sempre a um só pedaço.

O grego staurós não significa cruz, assim como a palavra ‘pau’ não significa ‘muleta’. E, no que tange à Bíblia, nada existe no grego do “Novo Testamento” que sequer sugira duas peças de madeira. – Veja O Novo Dicionário da Bíblia, de J. D. Douglas, de 1966, sob “Cruz”, página 379; Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (“Dicionário Expositivo de Vine de Palavras do Antigo e do Novo Testamento”), 1981, Volume 1, p. 256; Interpreter’s Dictionary of the Bible (“Dicionário Bíblico do Intérprete”); The Imperial Bible-Dictionary (“O Dicionário Bíblico Imperial”); The Companion Bible (“A Bíblia Companheira”), Apêndice 162.

Era necessário que Jesus morresse pregado numa estaca, segundo a Lei mosaica, para que os judeus fossem libertos da maldição da Lei. Vemos isso nas passagens bíblicas abaixo:

“Cristo nos comprou, livrando-nos da maldição da Lei por se tornar maldição em nosso lugar, pois está escrito: “Maldito é todo aquele pendurado num madeiro.” – Gálatas 3:13.

“Se um homem cometer um pecado que mereça a sentença de morte e for morto, e você o pendurar num madeiro, seu cadáver não deve ficar a noite toda no madeiro. Você deve se certificar de enterrá-lo naquele dia, pois quem é pendurado num madeiro é amaldiçoado por Deus. Você não deve tornar impura a terra que Jeová, seu Deus, lhe dá como herança.” – Deuteronômio 21:22, 23.

“Os judeus lhe responderam: ‘Nós temos uma lei, e é segundo a lei que ele deve morrer, porque se fez filho de Deus.’” – João 19:7.

Até mesmo entre os romanos a crux (da qual se deriva nossa cruz) era originalmente um poste reto. (The Imperial Bible-Dictionary) Portanto, acredito que não há nenhuma confusão para quem está alinhado tanto com o uso clássico e bíblico do termo stau•rós como com o que as inteiras Escrituras apresentam sobre o instrumento da morte de Cristo.

Veja também os artigos:



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org






2 comentários:

  1. Bom dia, muito bom artigo. Uma coisa que tenho em mente, mas ainda não conseguir achar nada para reforçar a ideia é que no tempo de Jesus, por mais que Roma dominasse, acredito que para uma "colaboração" entre as partes politicas, os romanos não iriam realizar as execuções de forma que não fosse aceitável para o Judeu e se falando de Fariseu. Então acho muito improvável que seja a cruz o instrumento de execução. Mesmo que exista relato histórico que é um método romano de execução, isso não garante que era 100% das vezes aplicado em seus domínio. Eu acredito que alem de todos o detalhe bíblico e linguístico que está por trás da palavra usada quando escrito os textos. Tem essa relação politica entre as partes. Além do mais que em Mateus 10:38 sendo Jesus judeu falaria de algo que não é costume do seu povo ou o que mandava a Lei?


    Que o Apologista possa me dizer se tem certa coerência essa forma de pensar, em questão do trato entre romanos e judeus.

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    Respostas
    1. Olá!

      Seu modo de pensar me parece bastante plausível.

      Muito obrigado pelo seu comentário.

      Abraços!

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