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domingo, 18 de agosto de 2013

Falsa Exegese na interpretação do “Espírito Santo”

Fonte da ilustração:
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2013722


Tem-se por “exegese” o comentário explicativo de textos bíblicos. Quando tal explanação está em plena harmonia com a Bíblia como um todo, pode-se dizer que tal exegese está bem fundamentada, tendo o respaldo das Escrituras. Contudo, nem toda explicação de textos bíblicos harmoniza-se com o contexto imediato ou mediato. Nesse caso, tal “exegese” é sofismática, enganadora e desencaminhante.

Para ilustrar o teor disso, este artigo toma por base a Pneumatologia, especificamente no que concerne ao termo “Espírito Santo”. Uma vertente de religiosos defende a impessoalidade do “Espírito Santo”, ao passo que outra vertente afirma a personalidade do mesmo. Esta matéria traz à tona ambos os conceitos divergentes e seus respectivos argumentos, dentro de uma mesma ramificação temática. Assim, o leitor imparcial poderá analisar qual conceito se respalda nas Escrituras e qual deles constitui mera “exegese” falsa.

A proposição dos impessoalizadores do “Espírito Santo”

É de conhecimento público que os defensores da impessoalidade do espírito santo usam textos tais como Atos 2:4 e 33 para demonstrar biblicamente esse ensino. Veja abaixo a transcrição desses versículos:

“Todos eles ficaram cheios do espírito santo.” – Atos 2:4, NM.

“A este Jesus, Deus ressuscitou, fato de que todos nós somos testemunhas. Portanto, visto que ele foi enaltecido à direita de Deus e recebeu do Pai o prometido espírito santo, derramou isto que vedes e ouvis.” – Atos 2:33, NM.
     
O raciocínio é o seguinte: visto que o “Espírito Santo” encheu cerca de 120 discípulos ao mesmo tempo, como poderia tal espírito ser uma pessoa? E o fato de o espírito santo ser derramado faria dele “algo” e não “alguém”, visto que uma pessoa não poderia ser derramada.

Por entenderem que o tal “Espírito” é uma força, ou energia impessoal, os impessoalizadores[1] do “Espírito Santo” usam tal expressão com iniciais minúsculas: “espírito santo.”

O contra-ataque dos personalizadores do “Espírito Santo”

Tendo em foco a linha de raciocínio acima, os que asseveram a personalidade do “Espírito Santo” afirmam que, se o derramamento do “Espírito Santo” constituísse prova contra sua personalidade, então o apóstolo Paulo também não seria uma pessoa, uma vez que Paulo escreveu sobre de si mesmo:

“Eu esteja sendo derramado...” – Filipenses 2:17, NM.

“... Já estou sendo derramado...” – 2 Timóteo 4:6, NM.

Citam em adição uma profecia do “Antigo Testamento”, que diz respeito a Jesus Cristo:

“Fui derramado como água.” – Salmo 22:14, NM.

Assim, arrazoam: ‘Tendo em vista esses textos, se formos aplicar os argumentos dos que defendem a impessoalidade do “Espírito Santo”, tanto Paulo como Jesus seriam também uma simples força impessoal.’

Com relação à argumentação com foco na descrição do “Espírito Santo” como ‘enchendo’ pessoas, os afirmadores da personalidade de tal “Espírito” argumentam que, ao invés de isso ser prova da natureza impessoal do “Espírito Santo”, seria antes uma prova de que ele é o próprio Senhor Deus. Afinal, ele é quem ”a tudo enche em todas as coisas” (Efésios 1:23), ”que cumpre tudo em todas as coisas”. Fecham a argumentação com 2 Coríntios 3:17, que declara: ”O Senhor é o Espírito.” – ACRF.

Tendo em vista as duas proposições apresentadas acima, alguns leitores poderão ficar confusos quanto a que lado está com a verdade. Seria o derramamento do “Espírito Santo” e a descrição dele como enchendo pessoas uma mera figura de linguagem, como evidentemente o é no caso de Jesus e de Paulo? Ou tal linguagem descritiva seria literal no caso do “Espírito Santo”, indicando que a argumentação com base nos exemplos de Jesus e de Paulo não se aplica no caso do “Espírito Santo”?

Uma análise mais profunda elucida a questão

Na questão envolvendo o derramamento do “Espírito Santo”, os textos que usam o mesmo verbo “derramar” com Paulo e Jesus Cristo não podem ser usados. Por que podemos dizer isso? Porque nos casos envolvendo Paulo e Cristo, tais pessoas são mencionadas como sendo derramadas COMO ALGO QUE SE DERRAMA. Observe os textos usados pelos proponentes da personalização do “Espírito Santo”, mas agora sendo transcritos com o complemento que esclarece essa questão:

“Mesmo que eu esteja sendo derramado COMO OFERTA DE BEBIDA ….” – Filipenses 2:17, NM.
   
“Pois, já estou sendo derramado COMO OFERTA DE BEBIDA ….” – 2 Timóteo 4:6, NM.

“Fui derramado COMO ÁGUA.” – Salmo 22:14, NM.
  
Portanto, nos casos acima, analisando as traduções da Bíblia, trata-se de um SÍMILE, “figura que compara duas coisas essencialmente dessemelhantes, atribuindo-lhes caracteres comuns”. (Dicionário Michaelis)  O símile não tem por finalidade provar personalidade ou a ausência dela. Apenas visa fazer uma comparação, assim como a metáfora.

Já no caso do derramamento do “Espírito Santo”, não ocorre símile. A Bíblia não diz que o “Espírito Santo” é derramado como algo que se derrama. Não. Ser derramado é uma característica própria do “Espírito Santo”, o que configura que tal “Espírito” é a impessoal força ativa de Deus.

Mas o verbo “derramar” poderia ser aplicado a uma força – uma energia? Sim. O Dicionário Michaelis define “derramar” (entre outras conotações) como “espalhar-se”, “difundir-se”, “distribuir”, “repartir” e “propagar”. Todas essas definições citadas aqui podem descrever uma energia em atividade. – Veja Números 11:17, 25, 26; Hebreus 2:4.
    
Em plena consonância com isso, o verbo grego έκχέω ou εκχύννομαι [ekkhéo ou ekkhýnnomai] (“derramar”) tem o sentido de “conceder e distribuir em grande parte”. (The New Analytical Greek Lexicon, 7ª ed., 2001; veja o artigo “Estudo sobre Pneumatologia – Parte 5”, neste site.)

Por outro lado, os dois textos citados pelos trinitaristas (Filipenses 2:17 e 2 Timóteo 4:6) NÃO USA esse verbo, e sim o verbo spéndo (σπένδω), que significa “oferecer uma libação ou oferta líquida”. (Léxico do Novo Testamento Grego/Português de Gingrich e Danker [G.D.]) Esse verbo ocorre somente nestes textos: Filipenses 2:17 e 2 Timóteo 4:6.

Portanto, além de a ausência do símile impedir o uso desses textos para tentar refutar a clara impessoalidade do espírito santo, o mau uso dos mesmos textos também demonstra desconhecimento da língua grega.

É verdade que, na Septuaginta grega, no Salmo 22:14 (21:15, LXX), ocorre o verbo grego έκχέω, na frase ωσει υδωρ εξεχυθην (oseí hýdor ecsekhythen), literalmente: “Como água fui derramado.” Contudo, a partícula grega ωσει (oseí) denota comparação, significando: “como, semelhantemente, algo como” (G.D.), estabelecendo o símile. Portanto, não há nenhuma base linguística, muito menos bíblica, para usar esses textos como tendo alguma semelhança com o derramamento do espírito santo.

Na questão de “encher”, o texto citado de Efésios 1:23, nas versões de Almeida, é traduzido preponderantemente por “cumpre tudo em todos” (Al, ACRF, IBB), sendo somente na Almeida Atualizada traduzido por “a tudo enche em todas as coisas”. (ALA) Mas, o ponto é que esse texto não afirma que Deus enche tudo com ele mesmo.

A Bíblia diz que ‘o céu dos céus não podem conter’ a Deus. (1 Reis 8:27) Se nem o Universo físico pode comportar a presença de Jeová em pessoa, muito menos nós! Então, como Jeová “preenche todas as coisas”? (Efésios 1:23, NM) Do modo como a Bíblia aponta: com Seu espírito santo.  – Lucas 1:15, 67; 4:1; Atos 2:4; 4:8, 31; 6:3; 7:55; 9:17; 11:24; 13:9; Efésios 5:18.

Com relação ao espírito santo ‘falar’, ‘testemunhar’ etc., trata-se evidentemente de uma personificação (prosopopeia). – Veja os artigos “Personificação provapersonalidade?”  e “O ‘Espírito Santo’ éuma pessoa?”

Quanto a 2 Coríntios 3:17, o texto NÃO DIZ que ‘o Senhor [Jeová] é o espírito santo’. Antes, diz que “o Senhor é Espírito” (Al, ACRF), ou “o Senhor é o Espírito”. (ALA, IBB) Nessa acepção, “espírito” refere-se a uma pessoa espiritual. Contudo, o artigo definido mostra que Jeová não é apenas um ser espiritual, como suas criaturas celestiais. Ele é “O” Espírito num sentido único e singular, como o Deus Todo-poderoso e majestoso Criador. – Veja o artigo “Estudo sobre Pneumatologia– Parte 2”.

Acontece que os trinitaristas deixaram de citar a continuação do versículo, que menciona o “Espírito do Senhor”. (Al, ACRF, IBB, ALA) Uma vez que este segundo espírito é do Senhor – ou seja, a ele pertence; é sua propriedade – tal “Espírito” (ainda que colocado com inicial maiúscula) não pode ser o próprio Senhor (Deus). Atos 2:17 declara: “E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor [“Deus”; Al, ACRF] , que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne.” (ALA, IBB) Uma vez que Deus diz “do MEU Espírito”, ele está se referindo a algo dele, que lhe pertence, mas não a ele próprio, pois ele não disse: ‘derramarei a mim mesmo’. Pelo visto, por essa razão, há traduções que colocam “espírito” com inicial minúscula nesse texto. (The New American Bible; Sociedade Bíblica Britânica) Trata-se cristalinamente da energia que dele emana, Seu espírito santo ou força ativa.

Assim, este artigo ilustra como é perigoso acreditar em falsas “exegeses”, que estão construídas em argumentos falaciosos, totalmente inverossímeis. Nortear sua vida por tais ensinos desencaminhantes evidentemente não significa ‘adorar o Pai com espírito e verdade’, característica vital para os a quem Jesus Cristo chamou de “verdadeiros adoradores”. – João 4:23.



Abreviações das traduções usadas neste artigo:

ACRF – Almeida Corrigida e Revista Fiel.
Al – Almeida Corrigida.
ALA – Almeida Revista e Atualizada.
IBB – Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NM – Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.


Nota:
[1] O verbo “impessoalizar” significa “dar caráter impessoal a”. – Dicionário Aulete. Fonte: http://aulete.uol.com.br/impessoalizar




A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org




14 comentários:

  1. Essa matéria tá D++++++++ sou fã desse site..

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    1. Argumento (1)
      1 - No grego do novo testamento a palavra que corresponde a espirito e pneú-ma
      2 - pneú-ma significa uma força ativa
      3 - Uma força ativa não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      4 - O Espirito Santo e uma força ativa ( pneú-ma )
      5 - Portanto ele o Espirito Santo não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      6 - Logo ele não é um ser pessoal.

      Este acima e o argumento usado pela Sociedade Torre de Vigia para mostra que o Espírito Santo não e uma pessoa mas sim uma força ativa, agora aplicaremos este mesmo argumento a alguns textos do Novo Testamento.

      João 4:24
      Argumento (2)
      1 - No grego do novo testamento a palavra que corresponde a espirito e pneú-ma
      2 - pneú-ma significa uma força ativa
      3 - Uma força ativa não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      4 - Em João 4:24 Deus e espírito ( pneú-ma ) que significa uma força ativa
      5 - Uma força ativa não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      6 - Portanto ele Deus “Jeová” não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      7 - Logo ele não é um ser pessoal.

      2 Coríntios 3:17
      Argumento (3)
      1 - No grego do novo testamento a palavra que corresponde a espirito e pneú-ma
      2 - pneú-ma significa uma força ativa
      3 - Uma força ativa não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      4 - Em 2 Coríntios 3:17 Jeová e o Espírito ( pneú-ma ) que significa uma força ativa
      5 - Uma força ativa não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      6 - Portanto ele Deus “Jeová” não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      7 - Logo ele não é um ser pessoal.

      Lucas 9:42
      Argumento (4)
      1 - No grego do novo testamento a palavra que corresponde a espirito e pneú-ma
      2 - pneú-ma significa uma força ativa
      3 - Uma força ativa não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      4 - Em Lucas 9:42 jesus repreende um espírito impuro ( pneú-ma ) que significa uma força ativa
      5 - Uma força ativa não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      6- Portanto ele o “espírito impuro de Lucas 9:42 ” não pensa, não raciocina nem pode tomar decisões
      7- Logo ele não é um ser pessoal.



      Concorda com o argumento (1) e concorda com os argumentos (2) (3) (4) negasse a personalidade de Deus “Jeová” e dos espíritos impuros [demônios] negar os argumentos (2) (3) (4) e negar argumento (1) aceita-se a personalidade do Espírito Santo, uma vez que nos argumentos (2) (3) (4) aceita-se a personalidade de (pneú-ma – espírito ) sem nenhuma objeção obrigatoriamente no argumento (1) deve-se fazer o mesmo aceita-se apersonalidade de ( pneú-ma-hagios - Espírito Santo ) sem nenhuma objeção.

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    2. O "anônimo" acima desconhece o claro fato bíblico de que a palavra pneúma (espírito) tem vários sentidos, sendo aplicada ao vento, a seres espirituais pessoais, a força de vida que existe nas criaturas físicas, humanas e animais, e à energia que emana de Deus, Sua força ativa - o espírito santo.Portanto, a constante afirmação do tal anônimo, de que "pneú-ma significa uma força ativa" cai por terra; não tem sustentação. pneúma tem vários sentidos, sendo UM DELES o de força ativa.

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  2. Saga Em 26 de agosto de 2013 às 16:32: O Apologista tocou num ponto muito importante, quando se diz que o espírito santo enche as pessoas ou que ele é distribuído, não se está fazendo uma comparação por meio de recurso de linguagem, realmente se está querendo dizer que ele literalmente enche as pessoas e que é distribuído entre várias. Se está descrevendo sua natureza…..

    Quando lemos uma passagem falando para nos “revestirmos de Cristo”, obviamente é uma metáfora, Cristo é uma pessoa e está no céu – e segundo nossos rivais está lá com corpo carnal, seria impossível nos revestir de um corpo carnal que está no céu-, já quando lemos sobre ser batizado com espírito santo é algo real, realmente se é imerso no espírito santo, não é metáfora.

    Quando Cristo fala que irá residir em nós é metáfora quando se diz que o espírito irá residir em nós é literal. (Conforme já dito, nossos detratores trinitarianos creem que Cristo está com seu corpo carnal no céu, como poderia estar dentro de nós assim seria um outro mistério insondável pra coleção)

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  3. Otimo artigo meu irmao apolo. Lembra de mim alexandre campos de sao roque? Saudades abracos.

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  4. Przado irmão tem gente passa vergonha quando tentam refutar argumentos claros das Testemunhas de jeová.Esse aqui lá no site do queruvim fez uma trapalhada com relação Ekkhéo ele diz: Encontrei o verbo Ekkhéo sendo usado em referência a pessoas em Judas 11. O texto na versão de vocês (TNM) diz o seguinte: “Ai deles, porque foram pela vereda de Caim e se arremeteram no proceder errôneo de Balaão, para uma recompensa, e pereceram na conversa rebelde de Corá!” Assim, como muitas outras versões em português, a TNM traduz “ἐξεχύθησαν” por “perecer”. Contudo o significado primário desta palavra é “derramar”, e é usada por Judas em sentido negativo, de “sofrer ruína”, “perecer” etc.
    O ponto em que quero chegar é o seguinte: este verbo é usado por Judas em relação a pessoas sem, contudo, se usar de símele. O texto de Judas diz claramente que eles (os falsos mestres) “pereceram (‘foram derramados’ se traduzirmos literalmente) na contradição de Coré.
    O uso deste verbo em Judas anula a personalidade daqueles falsos mestres? Devemos entende-los como coisas impessoais por que “foram derramados”? Penso que o argumento linguístico usado pelo autor desta postagem não prova a impessoalidade do Espírito Santo de Deus. “Derramar” o Espírito serve apenas como uma metafora para se referir a vinda do mesmo sobre a igreja primitiva. Até porque, como vocês mesmos acreditam, o Espírito Santo (ou força ativa de Deus; não importa) enche todas as coisas, está em todo lugar. Sendo assim, não pode ser derramado(a) literalmente!

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  5. Respondedores da tua matéria:

    Fabiano Dantas Em 29 de agosto de 2013 às 13:15Link permanente | Resposta
    Encontrei o verbo Ekkhéo sendo usado em referência a pessoas em Judas 11. O texto na versão de vocês (TNM) diz o seguinte: “Ai deles, porque foram pela vereda de Caim e se arremeteram no proceder errôneo de Balaão, para uma recompensa, e pereceram na conversa rebelde de Corá!” Assim, como muitas outras versões em português, a TNM traduz “ἐξεχύθησαν” por “perecer”. Contudo o significado primário desta palavra é “derramar”, e é usada por Judas em sentido negativo, de “sofrer ruína”, “perecer” etc. O ponto em que quero chegar é o seguinte: este verbo é usado por Judas em relação a pessoas sem, contudo, se usar de símele. O texto de Judas diz claramente que eles (os falsos mestres) “pereceram (‘foram derramados’ se traduzirmos literalmente) na contradição de Coré.
    O uso deste verbo em Judas anula a personalidade daqueles falsos mestres? Devemos entende-los como coisas impessoais por que “foram derramados”? Penso que o argumento linguístico usado pelo autor desta postagem não prova a impessoalidade do Espírito Santo de Deus. “Derramar” o Espírito serve apenas como uma metafora para se referir a vinda do mesmo sobre a igreja primitiva. Até porque, como vocês mesmos acreditam, o Espírito Santo (ou força ativa de Deus; não importa) enche todas as coisas, está em todo lugar. Sendo assim, não pode ser derramado(a) literalmente!

    Fabiano Dantas Em 30 de agosto de 2013 às 13:16
    O verbo ekkhéo é usado em referência a pessoas e não como você disse em seu post “Ser derramado é uma característica própria do ‘Espírito Santo’, o que configura que tal ‘Espírito’ é a impessoal força ativa de Deus”. A personalidade deles não pode ser desconsiderada apenas porque se usa um verbo que não pode ser aplicado a pessoas literalmente. E eu em momento algum quis aplicar este verbo em sentido literal, mas antes mostrar que o simples uso dele não anula a pessoalidade de ninguém. Mas, você sim, tenta aplicar literalmente o verbo akkhéo ao Espírito Santo, e isso é ilógico. Você mesmo diz: “Então, como Jeová ‘preenche todas as coisas’? (Ef 1:23, NM) Do modo como a Bíblia aponta: com Seu espírito santo”. Ora, se o Espírito Santo preenche todas as coisas, como pode ser ele derramado? Como pode algo que está presente em todos os lugares ser derramado sobre alguma coisa? Não é melhor entender também o derramamento do Espírito como simbólico, como uma metáfora para se referir a obra de Deus na vida daqueles cristãos primitivos através de Seu Espírito Santo?

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. O mesmo comentarista acima fez essa argumentação no site http://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com, do Queruvim, que republicou meu artigo.
      Em refutação ao comentário do autor Fabiano Dantas, Queruvim explicou:
      “A TNM não verteu “ἐξεχύθησαν” por “perecer” e nem fizeram isso outras versões. Sugiro que concerte seu comment. Fico me perguntando se este seu erro básico se deve a desconhecer grego ou se foi falha mesmo.Estais confundindo tudo! ἀπόλλυμι é que foi vertido por “perecer”. Vc acaba de cometer uma trapalhada teológica.”
      Fabiano reconheceu o erro, mas ainda insistiu na não bíblica personalidade do espírito santo. Assim, a pedido de meus leitores, teço abaixo alguns comentários sobre a argumentação do autor.
      Que o verbo Ekkhéo é usado na Bíblia referente a pessoa foi considerado no artigo acima, no Salmo 22:14 (LXX). O ponto é que ambos os usos – no caso do impessoal espírito santo quanto no caso da aplicação pessoal no Salmo 22:14, o sentido é de “derramar”, tendo-se, unicamente, o mérito de examinar o uso literal ou figurado. Ou seja, verbo Ekkhéo tem o sentido básico de “derramar”, ou de sinônimos como “jorrar”, “espalhar”. ( Apo 16:1; Mt 9:17; 26:28; Mr 14:24; Jo 2:15; At 1:18; 2:17, 18, 33; 10:45; The New Analytical Greek Lexicon, de Perschbacher, 1990)
      Já não é o caso de Judas 11, onde o mesmo verbo tem o sentido de “se arremeter” (NM), ‘ser levado’ (Al), ‘se atirar’ (IBB), fato atestado pelas traduções, que predominantemente o traduzem assim. Dessa forma, semanticamente, o termo não pode ser utilizado como referencial do uso costumeiro.
      O autor pergunta: “O uso deste verbo em Judas anula a personalidade daqueles falsos mestres? Devemos entende-los como coisas impessoais por que ‘foram derramados’?” As mesmas perguntas poderiam ser feitas em relação ao uso do verbo ekkhéo para com Jesus. É claro que isso não anula sua personalidade. No caso de Jesus, o uso desse verbo é uma figura de linguagem: o símile. Mesmo que algum tradutor optasse por verter ekkhéo em Judas 11 como “foram derramados”, ainda se trataria de uma figura de linguagem, uma metáfora.
      A argumentação do autor é equivocada. Ele afirma: “O verbo ekkhéo é usado em referência a pessoas e não como você disse em seu post “Ser derramado é uma característica própria do “Espírito Santo”, o que configura que tal ‘Espírito’ é a impessoal força ativa de Deus’”. Pelo visto, o autor não leu com atenção o artigo acima, que ADMITE que tal verbo é usado com relação a pessoa, citando o Salmo 22:14 (LXX). Mesmo assim, realmente, ser derramado é uma característica própria do espírito santo.
      O autor conclama: “A personalidade deles não pode ser desconsiderada apenas porque se usa um verbo que não pode ser aplicado a pessoas literalmente.” O argumento é fraco e insubstancial. De fato, o uso do verbo a tais pessoas não contraria a pessoalidade deles justamente porque é aplucado em sentido FIGURADO!
      O autor pergunta: “Ora, se o Espírito Santo preenche todas as coisas, como pode ser ele derramado?” A argumentação do autor, de que o espírito santo “enche todas as coisas, está em todo lugar”, não é ensino bíblico. Prova disso é que o espírito somente é dado aos que obedecem a Deus como governante. (At 5:32) “Todas as coisas” (Ef 1:23) tem de ser entendido dentro dos limites que a Bíblia estabelece, conforme explica o artigo “Jesus é o Criador ou um Ser criado? – Exame de Colossenses 1:15-20” (http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/2012/09/jesus-e-o-criador-ou-um-ser-criado.html) Sendo assim,ele PODE ser derramado literalmente, conforme ilustrado pelos vários sentidos do termo “derramar” na citação do Dicionário Michallis no artigo acima.

      Não se pode entender tal derramamento no sentido simbólico, dada a clara coleção de provas da impessoalidade do espírito santo. (Ver “Estudo sobre Pneumatologia – Parte 5”, no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/2012/09/estudo-sobre-pneumatologia-parte-5-o.html)

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  6. Pense bem... Ninguém tem qualquer dúvida que YHWH, e Jesus Cristo são dois seres distintos e literais, porque isso está claro como o dia nas escrituras. Mas já o espírito santo que seria supostamente uma terceira pessoa co-igual da trindade divina não possui essa mesma característica dos outros dois, pois é possível chafurdar a cabeça de qualquer um com esse assunto, e no fim há mais contras para o espírito ser uma pessoa do que prós.

    Eu estou mais que convencido que o espírito santo não é uma pessoa, quanto mais eu estudo e debato o assunto mais eu me convenço disso. A omissão dele no livro de apocalipse é flagrante, e um prejuízo imenso no dogma da trindade. Sem falar que ele está sempre atrás de YHWH e Jesus... Não há o menor indício de oração ou adoração a ele... Nem nome pessoal ele tem! O pior cego é aquele que não quer enxergar.

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  7. Gostaria de ver uma resposta ao comentário do fabiano dantas..

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  8. Argumento muito fraco esse do anonimo...

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  9. Resposta as objeções a personalidade do Espirito Santo

    “A sociedade torre de vigia no livro Raciocínios a base das Escrituras pagina 399 traz a seguinte objeção a personalidade do Espirito Santo”.

    As Escrituras Sagradas nos dão o nome pessoal do Pai -Jeová. Elas nos informam que o nome do Filho é Jesus Cristo. Mas em parte algumas das Escrituras se dá um nome pessoal ao espirito santo.


    Podemos concluir com essa afirmação que para Sociedade Torre de Vigia a falta do nome pessoa dado ao Espirito santo é uma objeção a sua personalidade, mas não creio que isso possa ser uma objeção viável pois não sustenta o peso do principio que afirma e defende, vejamos por que. O principio que esse argumento defende se descreve assim: “a falta de nome pessoal dado pelas escrituras é igual a objeção a personalidade”, a forma logica deste argumento e esquematizado assim:

    1- O Pai e o Filho tem um nome pessoal dado pelas Escrituras.
    2- O Espirito Santo não tem um nome pessoal dado pelas Escrituras.
    3- Segundo a sociedade torre de vigia a falta do nome pessoal dado ao Espirito santo pelas escrituras é uma objeção a sua personalidade.
    4- logo quando as Escrituras não dão um nome pessoal a aguem este alguém pode não é um ser pessoal.

    Vou explicar por que esse argumento não é viável, mas antes quero dizer que vou apenas fazer uso do mesmo método de argumentar usado pela Sociedade Torre de Vigia, isso significa que, se o possível leitor não aceitar o método que eu vou usar não estará desconsiderando minha forma de argumentar mas sim o da sociedade torre de vigia. Agora irei usar o mesmo argumento que esta no livro “Raciocínios à base das Escrituras” só que com outros personagens, não será Pai, filho e Espírito Santo, mas serão os anjos Miguel e Gabriel os personagens do Argumento que estou apresentando para mostra que a falta de um nome pessoal dado pelas Escrituras não pode gerar a eliminação da personalidade do Espirito Santo. As Escrituras nos dão o nome pessoal de dois anjos, Miguel: Daniel 10:13; 12,1; Judas 9. As Escrituras também nos dão o nome pessoal de outro anjo, Gabriel Daniel 8:16; 9:21; Lucas 1:19,26. Mas em parte alguma as Escrituras nos dão o nome pessoal do anjo que se opôs a Balaão Números 22:22,23 e em parte alguma elas nos da o nome pessoal do anjo que o rei Davi viu feri o povo em 2 Samuel 24:17. O argumento acima foi esquematizado da mesma forma do argumento usado no livro Raciocínios à base da Escrituras e a mensagem que ele transmite é essa: “a falta de um nome pessoal dado pelas escrituras é igual a objeção a personalidade”. Vejamos o argumento:








    1- As Escrituras dão o nome pessoal a Miguel e a Gabriel.
    2- O anjo que se opôs a Balaão e o anjo que Davi viu ferir o povo não tem um nome pessoal dado pelas Escrituras.
    3- Segundo a sociedade torre de vigia falta do nome pessoal dado a alguém pelas escrituras e uma objeção a personalidade.
    4- Logo o anjo que se opôs a Balaão e o anjo que Davi viu feri o povo não podem ser pessoas pois as Escrituras não da a eles um nome pessoal em parte alguma.

    Essa é a conclusão ha que chega, quando usamos esse argumento que a firma que a falta do mome pessoal dado ao Espirito Santo pelas Escrituras serve como objeção a sua personalidade. E se serve com objeção a personalidade do Espírito Santo, também serve para quem não tem um nome pessoal dado ou mencionado pelas Escrituras, o argumento pode ser usado para qualquer pessoa que aparace na Bíblia sem ter um nome pessoal mencionado pelas Escrituras, mas será que podemos crer que esse argumento também pode ser usado nesses dois casos o de Números 22:22,23 e 2 Samuel 24:17? A minha resposta e a de qualquer testemunha de Jeová é não, o fato do anjo que apareceu a Balaão e o anjo que Davi viu feri o povo não ter um nome pessoal mencionado em parte alguma pela Bíblia de maneira nenhuma elimina a personalidade dos mesmo, da mesma forma o fato de não haver um nome pessoal dado ao Espirito Santo pelas escrituras não é de modo algum objeção contra sua personalidade.

    José

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    1. Caro José:

      A sua linha de argumentação não condiz com o que as Testemunhas de Jeová argumentam. A questão não reside na mera ausência de um nome para o espírito santo como sendo evidência de sua impessoalidade. A questão está nas circunstâncias e no contexto que envolvem a expressão “espírito santo”. Isso foi explicado no artigo “Mateus 28:19 apoia a Trindade?” (no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/search?q=nome+do+esp%C3%ADrito+santo&search-button=) conforme transcrito abaixo:


      “Deus, o Pai, é Espírito, e é santo. (João 4:24; 17:11) Portanto, ele é um espírito santo pessoal. Jesus, o Filho, também é espírito, e é santo. (1 Ped. 3:18; João 6:69) Os anjos de Deus são todos espíritos, e são santos. (Heb. 1:7; Mar. 8:38) Assim, todos esses são espíritos santos pessoais. Para que o ‘espírito santo’ seja uma pessoa, ele teria de ter um nome pessoal para distingui-lo dos demais espíritos santos pessoais que existem. Mas, falta-lhe tal identificação como pessoa. Uma vez que, na Bíblia, a palavra ‘espírito’ é polissêmica, isto é, tem vários significados, (dos seis significados, cinco se referem a coisas impessoais) tal ausência de identidade pessoal coloca o espírito santo coerentemente como algo impessoal, que outras passagens tornam claro ser a força procedente de Deus, que Ele usa para realizar Sua vontade.”
      A situação acima, envolvendo o espírito santo, não ocorre com os anjos ou com qualquer outro.

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